Romance Romântico e José de Alencar


Geralmente, os romances românticos eram escritos sob a forma de folhetins, ou seja, capítulos publicados no rodapé dos jornais e que depois eram reunidos e lançados em forma de livro.

No Brasil, quem dá respeitabilidade ao romance folhetinesco é JOAQUIM MANUEL DE MACEDO. Desde a sua estreia em 1844, com A Moreninha, até aparecer Alencar em 1857, com O Guarani, é o Dr. Macedo, amigo pessoal do imperador D. Pedro II, quem domina o cenário do romance brasileiro.

José de Alencar

Hábil cronista social, o Dr. Macedinho focaliza, principalmente a badalação da Corte e o trivial urbano do Rio de Janeiro, a rua, a casa, o namoro, o comerciante, a moça casadora, as “repúblicas” de estudantes, o político, a matrona, a tia, o médico, enfim, o pessoal que agita (ou tem vontade de agitar) os salões, os saraus burgueses. Essencialmente romântico, o autor de A Moreninha e de O Moço Loiro apresenta em sua obra todos os clichés deste movimento literário: o casamento como garantia social, a obrigatoriedade de dote, e os empecilhos amorosos, as coincidências impossíveis, as descrições idílicas da natureza e da infância, adolescentes que se apaixonam desenfreadamente e os esperados “happy-endings” (finais cor-de-rosa).

Características

<=> histórias longas;
<=> a interferência do público na história: os autores escrevem-na de acordo com as reações e os desejos do público;
<=> a temática amorosa é o ponto mais importante na maioria das histórias. A dúvida do “quem fica com quem” prevalece nas novelas, como nos folhetins românticos;
<=> Para finalizar na Literatura Romântica Brasileira predomina o “happy-end”, com os personagens casando-se e sendo felizes para todo o sempre.

O Cenário do Romance Romântico

SOCIEDADE BURGUESA DA CORTE DO SEGUNDO REINADO, no chamado romance urbano. Podemos destacar as seguintes obras: A Moreninha, Memórias de um Sargento de Milícias, O Noviço, Lucíola e Senhora.

A NATUREZA BRASILEIRA

SOCIEDADE RURAL, no romance regionalista. As obras mais lembradas são: Inocência, A Escrava Isaura, O Seminarista, O Cabeleira, O Matuto, O Tronco do Ipê, O Gaúcho e O Sertanejo.

SOCIEDADE FIDALGA DOS TEMPOS COLONIAIS, no romance histórico. As obras As Minas de Prata e A Guerra dos Mascates são os destaques.

José de Alencar (Mecejena, CE, 1829 – Rio de Janeiro, RJ, 1877)

VIDA

Nascido no Ceará, Alencar veio para o Rio aos 10 anos, em 1839. Depois de concluir os estudos secundários na corte, dirigiu-se para São Paulo aos 17 (1845), onde frequentaria o curso de Direito na Faculdade do Largo de São Francisco, com exceção do 3° ano, que faria em Olinda. Sua permanência em São Paulo coincide com a moda da poesia byroniana, cuja personalidade mais marcante era Álvares de Azevedo.

Depois de formado, instala-se no Rio e inicia uma intensa carreira de jornalista, folhetinista, advogado e político. Foi deputado e ministro da Justiça, na época da Guerra do Paraguai. Sua fama começou com O Guarani, em 1857, quando o autor tinha 28 anos.

OBRA: CONSIDERAÇÕES GERAIS

José de Alencar produziu obras baseadas na realidade brasileira, capazes de fornecer um vasto retrato de nossa vida no século XIX.

Quando Alencar é mais imaginoso, tende para o símbolo, como em Iracema e O Guarani. Quando é mais verdadeiro, assume configurações de crítico social, como em Lucíola e Senhora. Em 1862, aos trinta e quatro anos, José de Alencar publica um de seus melhores romances: o perfil feminino chamado Lucíola. Baseado em A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Filho, conta-nos a estória de Maria da Glória, que se prostitui com o nome de Lúcia. Ama a Paulo, por cujo amor se redime. Além das qualidades psicológicas do romance, vale como denúncia da sociedade responsável pela esquizofrenia – indicada até nos nomes – da heroína. Naquelas, inventou alguns dos símbolos mais importantes de nossa cultura.