Rubem Fonseca: Obras, Estilo e Ideologia


José Rubem Fonseca nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 1925. Ainda muito jovem mudou-se com a família para a cidade do Rio de Janeiro. Sua formação foi em Direito, porém exerceu inúmeras atividades antes de dedicar-se à Literatura. No final do ano de 1952 tornou-se comissário de polícia civil, daí a influência direta na criação de personagens, situações e obras. Na verdade, Fonseca foi mais um policial de gabinete, mas experimentou durante algum tempo o serviço nas ruas. Ele era responsável pelo serviço de relações públicas da polícia. Em 54 passa a estudar o comportamento e a pratica policial na FGV, do Rio. Ministra palestras e aulas sobre o assunto. Em função da habilidade em lidar com as pessoas e resolver problemas relacionados à sua esfera de trabalho é convidado a fazer um aperfeiçoamento policial em Nova Iorque, aproveitou a chance e fez um curso de Administração na Universidade de Nova Iorque. Após deixar a polícia trabalhou um tempo na estatal carioca Light, para depois tornar-se um dos maiores escritores recentes da nossa Literatura.

Rubem Fonseca

Tornou-se um escritor premiadíssimo no Brasil e fora dele, recebendo prémios da envergadura de um Jabuti, pelo conto A coleira do cão; Associação Paulista dos Críticos de Arte por “O Cobrador”; Prémio Jabuti pelo romance “A grande arte”; Prémio Machado de Assis da Biblioteca Nacional pela obra “E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto”; Prêmio Luís de Camões pelo “conjunto da obra”, prémio esse que pode ser entendido como o Nobel da língua portuguesa, pois é concedido pelos governos do Brasil e Portugal, anunciado em 13 de maio de 2003.

OBRAS

ANTOLOGIA

O homem de fevereiro ou março (1973)

Contos

Os prisioneiros (1963)
A coleira do cão (1965)
Feliz Ano Novo (1975)
O homem de fevereiro ou março (1973)
O cobrador (1979)
Romance negro e outras histórias (1992)
Contos reunidos (1994)
O Buraco na parede (1995)
Histórias de Amor (1997)
Confraria dos Espadas (1998)
Secreções, excreções e desatinos (2001)
Pequenas criaturas (contos, 2002)
Diário de um Fescenino (2003)
64 Contos de Rubem Fonseca (2004)
Lúcia McCartney (1967)
O caso Morei (1973)
A grande arte (1983)
Bufo & Spallanzani (1986)
Vastas emoções e pensamentos imperfeitos (1988)
Agosto (1990)
O selvagem da ópera (1994)

O ESTILO

O estilo e a forma de criação presente nas obras de Rubem Fonseca tornaram o autor uma referência diferenciada dentro da história recente da Literatura Brasileira. As obras produzidas por Fonseca revelam traços característicos que confirmam e acentuam a impressão de uma composição brutalista. A linguagem utilizada pelo escritor valoriza cada detalhe na construção de cenas e personagens, expondo de forma ímpar os dramas vivenciados por todos, quer sejam dramas psicológicos ou cenas torpes de violência. Suas obras chocam o leitor, afinal diante delas o leitor é surpreendido com um soco direto na cara, fruto da brutalidade espontânea que brota das páginas policiais e que são divididas de maneira a surpreender pelo realismo alcançado. É interessante observar que a linguagem coloquial, num tom cotidiano e patético, cria a atmosfera necessária para o desenrolar dos mais variados crimes, com o cenário perfeito: uma metrópole. A concisão e a falta de idealização ou situações pitoresca aproximam o leitor da realidade, que às vezes, ele tenta fugir.

Rubem Fonseca desenvolve com muita habilidade a arte cinematográfica em suas obras, consequência talvez, de roteiros produzidos para o cinema. Esta característica permite ao leitor compor situações por ele criadas de forma a possibilitar que a imaginação tão cara e necessária à interpretação ágil e contundente ao mesmo tempo, afinal as imagens por ele desenvolvidas aparecem mais próximas do que realmente são, o leitor parece viver muitas vezes um trailer policial, literalmente. A ironia, a intertextualidade, a precisão na descrição e o tom crítico fazem da sua obra um conjunto de caracteres que ao mesmo tempo expõe e redefine a dura realidade urbana.

Do meio do mundo prostituto só amores guardei
ao meu charuto (novela, 1997)
O doente Molière (novela, 2000)

A IDEOLOGIA

A leitura das produções de Rubem Fonseca permite ao leitor uma conclusão absoluta: o empenho social e a fotografia da violência urbana reproduzem um cenário assustador, reconhecido por quem habita uma cidade grande. As mazelas do que a espécie humana é capaz de produzir e realizar, são reveladas uma a uma, retrato fiel do que há de pior em cada um de nós. Não há dúvidas que a obra de Fonseca é questionadora, ou seja, o escritor não reproduz a fácil retórica de outros, ele não cede à tentação da convenção estabelecida, pois “consegue recolher os ingredientes que compõem o contexto do homem moderno, captando suas angústias e frustrações e dar-lhes uma transcendência simbólica que não se encontra nos relatos naturalistas da imprensa, com toda a precisão de detalhes e verossimilhança“, conforme define Zuenir Ventura.