Simbolismo – Características Marcantes


Contexto histórico

O Simbolismo foi um movimento artístico, literário e teatral surgido na França, na segunda metade do século XIX, em oposição ao Naturalismo e Realismo, que estavam em evidência e eram caracterizados pelo cientificismo e materialismo, respectivamente.

O precursor foi o escritor parisiense Charles Baudelaire (1821-1867), com a publicação de “As flores do mal”, em 1857. O poeta buscava inspiração na miséria, prostituição e bêbados que encontrava em tavernas.

Naquele período, a França enfrentava a divisão entre burguesia e proletariado, classes sociais que acabavam de surgir após os avanços tecnológicos da segunda revolução industrial. As potências industriais brigavam pelo domínio de mercados externos; era o início dos cartéis.  

Simbolismo

Características marcantes

A poesia simbolista representa a decadência da sociedade, a falência dos valores burgueses e a busca de uma nova realidade a partir do autoconhecimento, dos sentimentos do homem e de sua alma.

Entre suas características marcantes, o Simbolismo sugere a realidade ao invés de retratá-la como faziam os realistas, considerados óbvios pelos simbolistas.

O misticismo também está presente. Para os poetas, a arte era uma forma de religião, sendo comum a apresentação da visão cristã e a divisão entre corpo e alma. É ressaltada a busca pela purificação e a anulação da matéria para liberação da alma.

O simbolismo era, antes de tudo, uma crítica social. Por isso, existe uma constante negação do positivismo e dos valores sociais, como o cientificismo e o materialismo. A aversão ao cientificismo revela a negação também da razão em nome do mundo espiritual. Para eles, essa subjetividade a busca pela essência da realidade.

O foco da escrita é no sentimento individual, marcado sempre pela imprecisão. Ao invés de dizer, o poeta dá a entender; o transcendentalismo é sua maneira de contradizer o realismo. Existem diversos enigmas nas poesias simbolistas que deveriam ser desvendados pelos leitores.

Há também a valorização da forma e linguagem na construção das poesias. Os sentidos são explorados através do uso de sinestesia, figura de linguagem que funde sensações, mesmo que não haja lógica (ex. cheiro da cor, gosto da tristeza), além de sonoridade, através do eco, da rima e da aliteração.

Os simbolistas foram apelidados pela crítica como decadentistas, pois seus valores eram apontados como decantentes na “sociedade moderna”. Apesar do sentido perjorativo e irônico, a nomenclatura foi incorporada pelos poetas. A corrente literária do Decadentismo contempla também o Impressionismo.

Ou seja, as características marcantes do simbolismo são:
Busca pela essência do ser humano, autoconhecimento;
Misticismo;
Individualidade;
Valorização de linguagem e forma;
Subjetividade;
Sensorialismo;
Sensibilidade;
Busca pelo inconsciente;
Sugestão de enigmas;
Imprecisão;
Sinestesia;
Musicalidade;
Negação do positivismo;
Negação de valores sociais presentes no materialismo e cientificismo;
Negação da razão;
Transcendentalismo.

Simbolismo em outras artes

A imprecisão se faz presente também em quadros do francês Gustave Moreau (1926 – 1898) e do autríaco Gustav Klimt (1862 – 1918). A obra “A aparição”, feito em 1875 por Moreau, apresenta a religiosidade mítica e mágica. Já as obras de Klimt, como “O beijo”, de 1908, retratam sentimentos humanos de maneira sensorial.  Outros pintores simbolistas: Paul Gauguin e Odilon Redon.

As pinturas simbolistas não são abstratas, mas também não retratam fidedignamente a realidade. Elas são a interpretação pessoal da realidade e essência do ser humano. As características das obras não são necessariamente parecidas.

Já no âmbito teatral, os principais autores são o belga Maurice Maeterlinck  (1862 – 1949), com a ópera “Pelléas et Mélisande” e o italiano Gabriele d’Annunzio (1863 – 1938), como “O pazer”. Nas peças simbolistas, o cenário, a música e o ambiente eram construídos para representar os sentimentos e ideias místicos.

Simbolismo no Brasil

No Brasil, o simbolismo surge em 1893, com a publicação da prosa “Missal” e a poesia “Broquéis”, obras de Cruz e Sousa (1861-1898).  O escritor catarinense, filho de escravos alforriados, inclusive, é o principal representante do estilo no país.

Conhecido como Dante Negro e Cisne Negro, suas poesias relatavam o sofrimento da condição negra, a obsessão pela cor branca, o sofrimento da condição humana e a espiritualização.

O mineiro Alphonsus de Guimarães (1870 – 1921) é outro representante do movimento literário. Suas poesias tratavam principalmente o sofrimento com a morte da mulher amada. Entre suas principais obras, estão “Câmara Ardente”, “Dona Mística” e “Kiriale”.

O simbolismo teve força no país até o início da década de 1920, quando começou o movimento modernista. O marco fundamental é a Semana de Arte Moderna, realizada entre 11 e 18 de fevereiro de 1922.

 Simbolismo em Portugal

Em Portugal, o simbolismo tem como marco oficial a publicação do livro “Oaristos”, em 1890, do poeta Eugênio de Castro (1969 – 1944). Outros representantes: Camilo Pessanha, Antônio Nobre.

O período simbolista português dura até 1915, quando surge a “geração Orpheu”, com características modernistas.