De o ou do? – Melhor forma de empregar


A língua portuguesa é considerada uma das mais difíceis de aprender. E esse título é sustentado principalmente por conta de sua gramática, que a torna ainda mais singular e complicada do que qualquer outra língua que se possa imaginar. Entretanto, mesmo com essa gramática complicadíssima que temos, ainda é possível obter algumas raras exceções aceitas de maneira “incorreta” ou, pelo menos, “menos corretas” do que a gramática normativa nos autorizaria.

Não raros, esses casos se tornam uma padronização, que é aceita inclusive nos principais e mais concorridos concursos públicos. O principal exemplo das exceções que citamos agora é o “aonde” e o “onde”, duas expressões com o mesmo significado, mas com diferença de aplicação. Por conta de praticidade, passou-se a aceitar que seja utilizado sempre “onde”, independente da expressão, do verbo e do sujeito, fatores que influenciam totalmente a escolha entre os dois.

De o ou do?

Já no caso de “De O” ou “Do”, ele também é aceito das duas formas, sendo que na maioria das redações, nem é considerado erro a sua aplicação de maneira diferente. Porém, existe sim uma forma específica para cada aplicação. Na verdade, existe uma forma específica de se usar o “De o”, e é sobre ele que falaremos a partir de agora.

DE O: aquilo que está no infinitivo

Basicamente, a forma mais prática de se entender a regra para o uso de “DE O” é a seguinte: se o sujeito está na primeira ou terceira pessoa e o verbo está no infinitivo, o mais correto é a sua utilização. A explicação mais atrapalhou do que ajudou? Fique tranquilo, com os exemplos sempre fica mais fácil de entender:

• Apesar de o menino ter desvantagem, ele superou os outros competidores.

Para compreender porque neste exemplo se utiliza o “DE O”, basta se perguntar: quem estava em desvantagem?

A resposta será: o menino.

Por isso, utilizamos neste caso o “DE O”. Para criar uma frase em que utilizamos o “DO”, ela teria que utilizar um objeto, categorizando seu dono, por exemplo:

• A desvantagem era do menino. Ainda assim, ele venceu.

E neste caso, perguntamos: DE quem era a desvantagem?

A resposta será: DO Menino.

Desta forma, fica claro que o uso das expressões “DO” ou “DE O” dependem muito mais do contexto da frase do que apenas da análise da expressão pura e simplesmente. Por isso, é importante se manter sempre atento à frase e, para conseguir escrever a sentença corretamente, é indispensável se perguntar sobre o sujeito. Se a pergunta for sobre um objeto, a resposta será “DO”, se a pergunta estiver no infinitivo (estava, fazia, faria, etc), será “DE O”.

Lembrando-se das exceções

Vale à pena lembrar que este caso é uma das raras situações em que a aplicação não tem exceções: ou seja, se estamos categorizando algum objeto de uma pessoa, utilizaremos DO, porém, se o verbo for no infinitivo, será DE O. Ainda assim, conforme mencionamos no começo, é possível utilizar a expressão DO na maioria das situações, pois ela é quase universal.

A mesma regra se aplica para outras formas de conjunção como: de a, de aquele, de os, de este e assim por diante. Nestes casos, contribui para a preocupação com o uso correto da expressão o fato de que desse, desta, daquela e assim por diante soarem meio estranhos para quem não está acostumado. Ainda assim, é bom analisar corretamente o contexto, sendo essa a melhor forma de se ter a maneira correta de escrever a sentença.

A nova gramática

Para a nova gramática, ainda existem outros detalhes que é preciso se lembrar. O primeiro deles é o fato de que expressões com essa, esta, desse e desta terem se tornado mais populares, o que exige uma diferenciação clara entre esses termos. Tal contato com essas expressões tornou ainda mais necessário conseguir entender a diferença entre DO e DE O.

Porém, veja bem que foi citado que é preciso “entender a diferença” entre as sentenças, não necessariamente sua aplicação. Assim, acabamos por lembrar de que a nova gramática é muito mais abrangente, maleável e permite uma série de “licenças poéticas” em sua transcrição. Mas uma vez, isso contribui para que o uso de DO ou DE O se torne menos rígido.

Na prática, se utilizar a expressão DE O ou DE A apenas com complementos como DE ALGUÉM e DE OUTRO já se elimina em quase 100% as chances de erro. E aqui, não há exceção: doutro ou d’alguém são expressões incorretas, que apesar de serem permitidas na literatura e até terem sido empregados na língua portuguesa arcaica, estão equivocadas, devendo ser eliminadas e refeitas da maneira correta. No geral, na grande maioria das vezes, haverá mais acertos do que erros ao empregar essas expressões que parecem tão complicadas, mas que no final, são tão simples.