Discutindo algumas estratégias referentes à ortografia


A nova reforma ortográfica do Brasil, assinada em 1º de janeiro de 2009, mexeu com a cabeça de muita gente. Já se passaram sete anos desde a mudança, no entanto, ainda existem muitas dúvidas que permeiam o debate acerca das mudanças na língua. Essas dúvidas, inclusive, fazem parte da língua portuguesa há muito tempo. O idioma é marcado pelo grande número de regras, conjugações, tempos verbais, entre outros aspectos que dificultam o desenvolvimento de uma boa fala e escrita. Muitos brasileiros, que já possuem o português como língua nativa, possuem problemas ao expressarem suas ideias de forma oral ou escrita.

Discutindo algumas estratégias referentes à ortografia

Nosso idioma é repleto de formas alternativas, que, de tanto serem utilizadas, se tornaram aceitas na norma culta. Por isso, apesar das inúmeras regras, não é adequado julgar a pessoa que se expressa de forma diferente. Vivemos em um país influenciado por diferentes culturas, repleto de pessoas de diversas raças e com uma imensa diferença de região para região. Gírias, expressões e, até mesmo, novas formas de usar termos que já compõem a regra geral fazem parte do idioma e, assim, não há como ignorá-las ou classificá-las como inferiores à norma culta.

No entanto, acomodar-se em um meio onde se fala de uma forma por falta de interesse em buscar o conhecimento regrado é uma forma de aceitar a ignorância e não considerar a importância de uma sistematização para a língua. Possuir regras é uma forma de efetivar a comunicação, evitando que os próprios nativos do idioma não consigam se entender. Sistematizar o conteúdo de um idioma é também uma forma de se conectar com outras civilizações e outros povos, possibilitando um conhecimento para além das barreiras que delimitam o território do Brasil e, do mesmo modo, de outros países.

Para aliar a riqueza da língua portuguesa com a regra culta que rege os países que têm o idioma como língua oficial, é preciso pensar em novas estratégias para o ensino da ortografia e a adequação dos diferentes termos e expressões que representam o país. Nas escolas, o ensino da norma culta é uma característica tradicional e importante de preservação, pois este é o principal momento para consolidar a aprendizagem do idioma de acordo com o seu acordo ortográfico. No entanto, as representações na sociedade que foge a estes aspectos podem ter uma maior inserção na cultura do país, de forma isenta e sem julgamentos.

Buscando novas possibilidades

Um instrumento que norteia o ensino de línguas é o dicionário. É através dele que pode se compreender significados, maneiras de escrever e maneiras de empregar um determinado termo. O dicionário é riquíssimo também pela sua adaptação às necessidades da sociedade. É possível observar em muitas obras do tipo uma adequação aos termos e expressões alternativas que surgem na contemporaneidade, de modo que estas estão cada vez mais incorporadas neste segmento. O dicionário é, sem dúvidas, uma das melhores formas de se constatar o que é língua portuguesa e, portanto, a presença de novas palavras que assumem um papel dentro do país é extremamente importante para a renovação do idioma e, ao mesmo tempo, a preservação de uma riqueza de vocabulário.

Estar no dicionário hoje é uma forma de reconhecimento a nível nacional e, por vezes, até mesmo internacional. E reconhecer a existência de uma multiculturalidade dentro do país, abrangente em diferentes regiões, é uma forma de contribuir para uma maior aceitação das diferentes raças e etnias presentes no Brasil, além de considerar as diversas classes, grupos e movimentos sociais que compõem toda a diversidade de um local.

A mídia também é um instrumento poderoso na formação de opiniões acerca de tudo, inclusive na língua portuguesa. As manifestações midiáticas que exaltam tanto o lado da norma culta, como a incorporação de novos vocábulos, representa um avanço na forma de abordar estas novidades e, ao mesmo tempo, nos mostram que é impossível ignorá-las. Uma vez presente na mídia, não há como fugir do debate acerca das novas formas de se enxergar e de se falar a língua portuguesa.

As novas possibilidades do ensino da ortografia buscam, por fim, uma nova concepção de expressão de um idioma, através do respeito para com a diversidade que representa um país. Apesar de incorporar novas expressões e formas de empregar a língua, isto não significa desprezar as regras ortográficas há muito tempo instituídas. São elas que norteiam o conhecimento da língua dentro e fora do país, e contribuem para processos de comunicação efetivos. Mas, do mesmo modo, é preciso reconhecer que, assim como todos os segmentos da sociedade, o idioma também se transforma ao longo do tempo, através de diferentes influências.

Atualmente, entre o certo e o errado, quem prevalece é quem de fato representa o país e o povo que se expressa através deste idioma. E é com o reconhecimento dentro do ensino da língua portuguesa que é possível contribuir para que esta avance mais a cada dia.