Alguns usos particulares do adjetivo


Na língua portuguesa, para darmos qualidade, aspecto e estado característico a um substantivo, devemos utilizar um adjetivo. Eles variam em gênero (masculino e feminino), grau (normal, comparativo e superlativo) e número (plural ou singular) de acordo com a palavra na qual é empregada. Há maneiras simples de adjetivar, que são aprendidas facilmente. Porém, muitos usos particulares do adjetivo precisam de maior atenção.

Quando um radical forma um adjetivo, chamamos de simples. Veja exemplos:
* Café quente
* Lua iluminada
* Blusa azulada

adjetivo

Se for dois ou mais radicais, temos um adjetivo composto. Alguns exemplos:
* Mal-educado
* Luso-brasileiro

Numa sintaxe, um adjetivo pode exercer as funções de adjunto adnominal, predicativo do sujeito ou predicativo do objeto. Dentro da categoria de gênero, os adjetivos podem ser biformes (quando possuem duas formas, uma para o tratamento masculino e uma para o tratamento feminino), ou uniformes (não variam ao gênero em que são empregadas).

Exemplos de biformes:
* Cristão – Cristã
* Cortesão – Cortesã
* Bonachão – Bonachona

Exemplos de uniformes:
* Audaz
* Simples
* Feliz
* Frágil
* Suplente

As regras para número em adjetivos não varia das usadas em substantivos. A principal delas é o uso do “s” no final das palavras. Em adjetivos compostos, apenas o último elemento constituinte que levará o “s”, como na expressão “mal-educados”. Mas essa regra só se aplica se não há um substantivo no último elemento constituinte do termo.
Os graus variáveis são três: normal, comparativo ou superlativo. Eles servem para conotar intensidades em um adjetivo. Por exemplo:
* O livro azul é pesado.
O grau do exemplo é normal, pois a palavra “pesado” apenas lhe atribui a característica do seu peso. Veja outro caso:
* Este livro azul é mais pesado do que aquele vermelho.
Observe que o “mais” serviu para aumentar o peso em comparação a outro livro. Nesse caso temos um exemplo de grau comparativo de superioridade.
Mais um exemplo:
* O livro azul é pesadíssimo.
Nesse caso temos o uso do grau superlativo.
O uso de duas ou mais palavras atuando juntas na adjetivação de um substantivo é chamado de locução adjetiva. Normalmente, a preposição de mais um substantivo forma as locuções adjetivas.

Usos particulares do adjetivo

O primeiro exemplo de usos particulares do adjetivo é a ocasião em que ele assume a função de advérbio. Isso se deve ao fato de que quando é empregado numa frase, o adjetivo passa a obter o valor de uma classe gramatical diferente.

* Ele saiu rápido da sala.

A palavra “rápido” foi empregada ao invés de “rapidamente”.

* Ela cansa demasiado.

O termo demasiado é empregado ao invés de “demasiadamente”.

O adjetivo pode se tornar um substantivo ao inverter sua posição. Observe:

* Havia muitos escritores jovens no encontro literário.

A frase indica que muitas pessoas novas compareceram no encontro, pois o adjetivo “jovens” está empregado. Mas se invertermos:

* Havia muitos jovens escritores no encontro literário.

Agora vemos que o termo “jovens” passou a ser um substantivo.

Dependendo da posição do adjetivo dentro da frase, seu sentido altera completamente. Veja o exemplo:

* Raul era um grande homem.

Significa que Raul possui reconhecidas virtudes. Mas se alterar a posição do adjetivo, o sentido mudará:

* Raul era um homem grande.

Agora percebemos que Raul tinha físico robusto.

É importante conhecer as classificações dos adjetivos, que são diversas. Veja abaixo alguns exemplos. Com o estudo dessas classificações, será fácil compreender os usos particulares do adjetivo.

Adjetivos pertencentes a outros grupos

Os adjetivos que, em sua forma e estrutura, designam qualidades independentemente da existência de ações e seres que representem, pertencem ao grupo dos adjetivos primitivos. Veja alguns exemplos:

* Branco
* Preto
* Castanho
* Grande
*Pequeno
* Claro
* Escuro
* Livre
* Feliz
* Bom
* Rugoso
* Difícil

Os adjetivos derivados são formados pela adição de um afixo em uma palavra primitiva, formando, assim, uma nova palavra. Muitas vezes os adjetivos derivados são confundidos com os compostos. Mas ao contrário desses, não são dois radicais que o formam. Como o nome indica, eles derivam de outro termo. Alguns exemplos:

* Entristecido
* Esverdeado
* Anormal
* Infeliz
* Apaixonado

Os adjetivos explicativos indicam uma qualidade essencial do substantivo. Por exemplo:

* Céu azul
* Fogo quente
* Noite escura

Em oposição aos adjetivos explicativos, existe o grupo dos adjetivos restritivos. Como o nome indica, eles restringem os substantivos a uma qualidade que o diferencia do seu grupo. Alguns exemplos:

* Cortina vermelha
* Futebolista gordo
* Cabelo curto
* Pintor surrealista
* Poeta carioca

Quando adjetivamos uma pessoa com o intuito de indicar o local de sua origem ou onde ela vive, estamos usando adjetivos pátrios. Como quase sempre esses adjetivos vêm do nome do lugar, eles são majoritariamente derivados. Alguns exemplos:

*Brasileiro
*Português
*Americano
*Francês
*Inglês
*Pernambucano
*Paranaense
*Paulista

Quando um adjetivo assume, na oração, a função do advérbio, ele é chamado de adverbializado. Permanece invariável e substitui advérbios de modo que terminam em “mente”. Ao usar esse adjetivo o discurso se torna mais rápido e enfático. Veja alguns exemplos:

* Diferentemente
* Rapidamente
* Facilmente