Antítese


A antítese é uma figura de estilo ou de linguagem que se baseia na apresentação de ideias contrárias. Acontece quando existe uma proximidade de expressões ou palavras de significados diferentes. Esse método foi principalmente usado por escritores da época do Barroco. A oposição que se impõe auxilia, basicamente, para comunicar um destaque aos princípios compreendidos, que não seria possível apenas com a apresentação separada dos mesmos.

Esse nome tem origem de uma expressão grega antithesis, que quer dizer resistência ou oposição.

A antítese é uma figura de linguagem elencada e diversas vezes trocada pelo paradoxo. Esse tipo de figura pode ser criado por meio do Sol e Chuva, Amor e ódio, Deus e Diabo, Inferno e Paraíso.

Antítese

Ex:

– Alegria e tristeza são duas circunstancias da vida.

– Diariamente, os médicos lutam com a vida e a morte.

– Meu avô, ex-lutador, gosta de me contar sobre suas derrotase vitórias.

– Na cidade do Rio de Janeiro, de um lado vemos a pobreza, e do outro se vê a riqueza.

– Se não existisse escuridão, não apreciaríamos a luz.

Ao longo do período do Renascimento, nas artes plásticas prevalecia o domínio da simetria, que desenvolveu para a atividade de contraposição do Barroco. O uso da contraposição intensa de luz e sombra é percebido com um procedimento antitético.

A antítese foi à figura de estilo mais usada no período Barroco, modelo de época identificado como a arte do antagonismo, em que ainda existe o aparecimento de paradoxos, por possuir divergência nas ideias apresentadas. Pode-se definir como uma “questão contrária”, ainda que não mantenha o paradoxo científico similar.

Essa figura afirma alguma coisa por expressões opostas, quando a fala presente não possui poder de expressão por causa da suposição de termos que se tornaram habitual.

A antítese, além disso, é um dos três itens da dialética hegeliana: tese, síntese e antítese.

É muito utilizada no campo da literatura e das artes plásticas. Essa figura de estilo é mais freqüente em idiomas como o grego e o latim, em que a associação de expressões auxilia na conferencia de particularidades, executando o destaque a verdade.

Ex:

– Vinicius de Moraes: “Tristeza não tem fim, mas a felicidade, sim.”

Fernando Pessoa: “O mito é o nada de tudo.”

– Lulu Santos e Nelson Mota: “A vida é assim, dia e noite, não e sim.”

– Renato Russo: “Estou acordado e todos dormem…”

– Vinicius de Moraes: “Que vai, pisando a terra e olhando o céu.”

Antítese x Paradoxo

É muito comum confundir antítese com paradoxo, por seres duas figuras de pensamento.

A diferença entre essas duas linguagens é que a medida que a antítese expõe expressões de sentidos diferentes, o paradoxo, por sua vez, informa uma incompatibilidade de ideias que se colidem em um só pensamento ou frase.

O paradoxo refere-se a uma oposição grande de determinadas definições, expondo ideias que são contrárias e raramente inexplicáveis ao entendimento racional.

Ex:

– Na reunião da empresa, o funcionário disse que o operário quanto mais ele trabalhava mais tinha dificuldades financeiras.

– Meu irmão passa os dias sonhando acordado.

– Luís de Camões: “É ferida que dói e não se sente/É um contentamento descontente.”

Dialética Hegeliana

A dialética pode ser relatada como a arte da conversação. Um conflito onde existe oposição de ideias, em que uma tese é preservada e contradita imediatamente depois, gerando uma condição de debate. Sendo simultaneamente, uma contestação em que é permitido olhar e proteger com transparência os princípios incluídos.

A realização da dialética começou na Grécia Antiga, porém, existem questões acerca do seu criador. O filósofo Aristóteles acreditava que Zenon era o fundador da dialética, outros por sua vez, intercedem a favor de Sócrates dizendo que ele que fundou a arte da conversação por utilizar de um processo de discursos para reproduzir suas ideias.

Para Hegel, a dialética se move da seguinte maneira: primeiramente há a tese, que á a ideia em si, reproduzindo uma antítese, que se opõem a tese, aparecendo assim à síntese, que é a solução das anteriores.

Hegel usava esse discurso a prática e aos demais períodos da história humana. A partir das antigas civilizações que apareceram no oriente até a formação de um Estado Moderno, compondo nesse intervalo, episódios como a aparição da filosofia, da Revolução Francesa e do Iluminismo. Isto é, a história encontra-se separada em três fases, condizendo precisamente com a tese, antítese e síntese.

A síntese, em definição, retrata a solução encontrada para a contradição.