Conotação, Denotação e Figuras de Linguágem


1. Conotação e Denotação

O sentido original de um termo é chamado de sen­tido próprio ou, mais tecnicamente, de sentido denotativo. Nesse caso, dizemos que ocorre o fenômeno da denotação. Os demais sentidos são chamados conotativos ou figurados. Ocorre, então, o fenômeno da conotação. Observe as frases a seguir:
• O pescador perdeu-se no mar.
– A palavra em destaque denota ou designa simplesmente o oceano ou a imensidão das águas salgadas; tem, portanto, sentido pró­prio, denotativo.
• Ele está nadando num mar de dinheiro.
– Nesse contexto, a palavra “mar” sugere gran­deza, imensidão, abundância, grande quan­tidade; possui sentido figurado, conotativo, pois sugere ideias associadas, evocações que derivam do vocábulo.

Conotação, Denotação

Note que a expressão “sentido figurado” está asso­ciada à ideia de que a palavra usada em sentido diverso do sentido original evoca uma “figura” (= representação pic­tórica, imagem), relacionada ao sentido original. Assim, na segunda frase, o termo “mar” (conotativo) sugere a figura do “mar” (denotativo).

2. Figuras de Linguagem

As figuras são recursos de linguagem que consistem em se apresentar uma ideia por meio de combinações incomuns de palavras, aproveitando o sentido conotativo destas. De modo geral, as figuras de linguagem possuem a função de ilustrar um texto, fazer com que este chame a atenção do receptor. Entretanto, elas vão muito além, pois trazem vida e beleza a um texto, enriquecendo-o e, até mesmo, imortalizando-o.

Vamos conhecer, nesta aula, algumas dessas figuras:

Metáfora: Uma das figuras de linguagem mais impor­tantes. Consiste em atribuir a uma pessoa ou coisa uma qualidade que não lhe cabe logicamente. É, pois, uma transferência de significado de um termo para outro e se baseia em semelhanças que o emissor encontra entre os termos comparados. Observe alguns exemplos:
• Minha vida sem você/ É uma canção de amor tão clichê.
-Repare que o eu-lírico associa a ideia da vida dele sem seu amor à ideia de uma canção de amor repetitiva, “manjada”, sem novidade alguma.

• Uma formiga vermelha entrou na greta do lajedo e lá se foi com seu pedaço de folha, veleiro desarvorado soprado pelo vento.
– Observe um modo de representar graficamente a metáfora da frase acima:
– O ponto de inter-seção entre os ele­mentos caracteriza a metáfora. Nele, situa-se a possibilidade de apro­ximar diretamente os seres numa compara­ção implícita. Observe mais alguns exemplos de metáfora:

• Seus cabelos brancos eram arquivos do passado.

• – A vida é uma ópera e uma grande ópera. O tenor e o barítono lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimários, quando não são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presença do mesmo baixo e dos mesmos comprimários. (…)

• (…) Diferente de ódio dos homens, que se fazia labareda devastadora, mas se extinguia logo, o ódio das mulheres era uma brasa lenta que ardia, às vezes escondida sob as cinzas, e que durava anos, anos e anos.

Comparação OU Símile Figura extremamente semelhante à metáfora. Se na metáfora tínhamos entre dois elementos uma comparação implícita, subenten­dida, na comparação ou símile, como o próprio nome indica, teremos uma comparação explícita, marcada na escrita pela presença de palavras comparativas: como, tal como, assim como, feito, que nem, etc. Observe alguns exemplos:

• A felicidade é como a pluma/ Que o vento vai levando pelo ar.
Observe, no exemplo a seguir, como a diferença entre metáfora e comparação é mínima:
Essa menina é como se fosse um doce.
metáfora

Anáfora: É uma figura de construção, que consiste na repetição da mesma palavra ou expressão no início de diferentes frases ou versos. Exemplo: IRENE NO CÉU
Irene preta Irene boa
Irene sempre de bom humor.

Políssíndeto: é a repetição intencional de conjun­ções coordenativas, ligando palavras e orações de um período. Exemplo: O OLHAR PARA TRÁS
E o olhar estaria ansioso esperando
e a cabeça ao sabor da mágoa balançando
e o coração fugindo e o coração voltando
e os minutos passando e os minutos passando…

Assíndeto: Figura de construção que consiste na supressão de uma conjunção coordenativa entre pala­vras de uma frase ou entre orações de um período. Exemplo:
Escrevia, lia, dormia, acordava, levantava-me, tornava a deitar-me.

Aliteração: É a figura de som provocada pela repeti­ção proposital de sons consonantais iguais. Exemplos:
“Brancas bacantes bêbedas o beijam.”
“Pedro pedreiro penseiro esperando o trem….”

Assonância: É a figura de som provocada pela repetição proposital de sons vocálicos semelhantes. Exemplos:
quando a manhã madrugava
calma
alta
clara
clara morria de amor

Antítese: É o emprego de palavras que se opõem diretamente quanto ao sentido.
Observe o exemplo a seguir:
Não existiria o som
se não houvesse o silêncio
Não haveria luz
Se não fosse a escuridão
A vida é mesmo assim Dia e noite, não e sim.

Paradoxo: É uma figura de oposição na qual se fundem, no mesmo enunciado, elementos de sentido contrário e aparentemente inconciliáveis. Em outras palavras, podemos dizer que o paradoxo é um caso especial de antítese. Enquanto a antítese é uma oposição mais explícita, marcada geralmente por pares de palavras, o paradoxo é uma oposição mais implícita que, para ser compreendida, devemos analisar o enun­ciado como um todo.

Vamos ver alguns exemplos:
Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

Quando há fogo, facilmente ele pode ser visto.
Como que ele está ardendo e não está sendo visto? Essa é
uma imagem contraditória, ou melhor, paradoxal.
Se uma ferida dói, quer dizer que ela é sentida.
Como que dói e não se sente? Isso é paradoxo.