Objeto direto interno: particularidades linguísticas


Concentrados no mundo da sintaxe, ramo da gramática que estuda as relações que se constituem entre os elementos de uma oração, as diferentes particularidades que orientam os acontecimentos linguísticos passam a ser comuns.

De maneira específica, será dada uma importância maior para os termos integrantes de uma oração, muitas vezes representados, entre os demais elementos, pelos completos verbais: objeto indireto e objeto direto.

Esses conceitos, em uma primeira visão, parecem não mudar. Porém, considerando-se que o contexto de uma frase pode ser o fator decisivo, diversos elementos deixam de desempenhar uma determinada função, considerada mais tradicional, para praticar outras funções, como, por exemplo, o que acontece com o verbo intransitivo, que pode mudar a sua predicação passando a ser considerado como verbo transitivo direto.

Objeto direto interno

Outro fato emblemático está ligado ao objeto direto, geralmente representado sem a utilização da preposição, mas, algumas vezes, podem aparecer ligados a ela, como o que acontece com o objeto direto pleonástico. Dessa maneira, pode-se concluir que cada fato precisa ser estudado perante um enfoque relacionado com o contexto, para a circunstância comunicativa em questão.

O objeto direto interno tem como característica principal o fato dele ser formado por um substantivo semelhante ao verbo ou fazer parte do mesmo âmbito semântico, ou seja, o significado, do verbo.

Ex:

1)Sonhei um sonho aterrorizante.

A primeira vista, pode parecer que a redundância ou pleonasmo está presente na frase, porém, o caso sucede dos pensamentos de caráter estilístico sobrevindo do emissor, onde o objetivo é dar mais destaque a mensagem, oferecendo o estado de um verto intransitivo (sonhar) passar ao estado de um verbo transitivo direto, que necessita de complemento.

A partir disso, se faz a pergunta: sonhei o que? , e tem como complemento: Um sonho aterrorizante.

2)Dormi um sono tranquilo.

Já nesse exemplo, pode-se reparar que a palavra “sono”, está representando um substantivo que faz parte do mesmo âmbito semântico que o verbo em evidencia, apresentado pelo verbo dormir.

Esse método do traço estilístico foi muito usado pelos grandes representantes da poesia.

3)Estava dormindo um sono pesado.

4)Dancei uma dança animada.

5)Vou viver minha vida.

6)Já comi toda a comida.

Termos Integrantes da Oração

Alguns verbos ou nomes encontrados nas orações não apresentam sentido completo sozinhos. Sua definição só fica completa com a existência de outros termos que os complementam, denominados de integrantes. Esses termos são: complemento verbal (objeto indireto e objeto direto), agente da passiva e complemento nominal.

1) Complemento verbal

Os complementos nominais, como o próprio nome já diz, completam o significado dos verbos transitivos diretos e transitivos indiretos. Os objetos diretos e indiretos são exemplos de complementos verbais.

– Objeto direto: é o termo que preenche o sentido do verbo transitivo direto, unindo-se a ele por meio de uma preposição, se necessário.

Ex: Comprei um carro.

O objeto direto pó ser formado por um substantivo ou palavra substantivada; por ou pronome obliquo; ou por qualquer pronome substantivo.

Ex:

Substantivo/palavra substantivada: “O agricultor cultiva a terra”.

Pronome oblíquo: “Ela me ama”.

Pronome substantivo: “O menino que conhecia estava lá fora”.

– Objeto indireto: é o termo que preenche o sentido do verbo transitivo indireto, unindo-se a ele, sempre, por meio de uma preposição que pode estar evidente ou subentendida. Os pronomes lhes, lhe, te, me, se, nos e vos, também agem como objeto indireto.

Ex: Gostei do filme./Concordo com você.

Diversas vezes o objeto indireto tende a começar com crase. Isso acontece quando o verbo precisa da preposição “a”, que se uni a palavra seguinte.

Ex: Entregaram à mãe o presente.

OBS: a crase, no caso do exemplo acima, é a junção da preposição “a” com o artigo definido feminino “a”.

2) Complemento nominal

É a expressão que preenche o significado de uma palavra que não pode ser um verbo. Dessa forma, referem-se a adjetivos, substantivos ou advérbios, sempre unidos por meio de uma preposição.

Ex:

Adjetivo: “Ricardo estava sabendo de tudo”.

Substantivo: “Cecília tem orgulho da filha”.

Advérbios: “A professora agiu de maneira favorável aos alunos”.

O complemento nominal demonstra o objeto da declaração indicada por um nome. É conduzido pelas mesmas preposições que acompanham o objeto indireto. A diferença do complemento nominal para o objeto indireto, é que invés de completar os verbos eles completam os nomes.

3) Agente da passiva

É a expressão da oração que realiza a ação indicada pelo verbo quando o mesmo se encontra na voz passiva. Está sempre acompanhado da preposição “por” e ocasionalmente da preposição “de”.

Ex: A vencedora foi selecionada pelos jurados./ A grama foi cortada pelo jardineiro.

Quando a frase é passada da voz passiva para a voz ativa, o agente da passiva passa a atuar como o sujeito da oração.

Ex: Os jurados selecionaram a vencedora.