Orações Subordinadas Adjetivas


A oração pode ser classificada como a unidade básica da Língua Portuguesa, pois consiste em uma das formas mais simples possíveis para estruturar uma informação. Ela é construída em torno de um verbo ou locução verbal, que pode expressar uma ação, um estado ou um fenômeno da natureza. A oração, ainda, é composta por um sujeito e um complemento. Você está prestes a conhecer o mecanismo das orações subordinadas adjetivas, mas, antes disso, vale fazer alguns esclarecimentos:

Oração: como já dissemos, é formada por sujeito, verbo e complemento.

Frase: é qualquer enunciado linguístico que possua um significado, independente de possuir verbo ou não.

Subordinadas Adjetivas

Período: pode ter um ou mais verbos, ou seja, ser formado por uma ou mais orações. Quando o período tem uma única oração, é chamado de período simples. Quando tem mais de uma, é chamado de período composto, o que mais interessa para o estudo das orações subordinadas adjetivas.

Orações subordinadas

Antes de entender especificamente as orações subordinadas adjetivas, é preciso compreender o conceito mais amplo, ou relembrar rapidamente no caso de quem já sabe!

Quando temos um período composto (com mais de um verbo, ou seja, mais de uma oração), algumas vezes, uma oração vai exercer uma função sintática em relação à outra. Pode ser que seja o seu objeto, predicativo ou outra função.

Nesse caso, temos uma oração principal, que está incompleta, ou seja, falta-lhe um elemento sintático, e a oração subordinada, que traz justamente o que está faltando.

Orações Subordinadas Adjetivas

São aquelas que funcionam como adjunto adnominal da oração principal à qual estão vinculadas. Por isso, precisamos retomar brevemente o significado desse adjunto.

Adjunto adnominal: são os termos que se relacionam com um substantivo, tanto com o objetivo de explicá-lo, quanto de referenciá-lo, delimitá-lo. As classes de palavras que normalmente desempenham essa função sintática são as seguintes: adjetivos e locuções adjetivas; pronomes; numerais e artigos.

Vamos ver um exemplo:

A mulher bonita e inteligente tem um carro grande.

São adjuntos adnominais do substantivo “mulher”: A (artigo), bonita (adjetivo), inteligente (adjetivo). Já do substantivo “carro”: Um (numeral), grande (adjetivo).

As orações subordinadas adjetivas, na maior parte dos casos, aparecem sendo introduzidas pelo pronome relativo “que”, o que ajuda os alunos a identificá-las. Veja um exemplo abaixo:

Joana foi a primeira moça | que apresentou o trabalho

Esse é um período composto formado por duas orações que estão separadas por uma barra. O verbo da primeira oração é o “foi”, enquanto o da segunda oração é o “apresentou”.

Perceba que a primeira oração, que é a principal, está incompleta: Joana foi a primeira moça. A primeira moça a fazer o que? Está faltando uma explicação para esse sujeito, a qual está presente na segunda oração, que é a oração subordinada adjetiva e está qualificando o sujeito, explicando-o.

Antes de vermos quais são os diferentes tipos dessa oração, é importante identificarmos quando o “que” está exercendo a função de pronome relativo, já que é um termo bastante versátil da Língua Portuguesa.

O “que” é pronome relativo quando pode ser substituído por “o qual”, “a qual”, “os quais”, “as quais”. No exemplo citado, ficaria: Joana foi a primeira moça A QUAL apresentou o trabalho.

Vamos ver agora os tipos existentes de orações subordinadas adjetivas:

• Orações Subordinadas Adjetivas Restritivas (O.S.A.R.)

São as que servem para restringir e identificar o substantivo ou o pronome ao qual se referem. Uma dica importante: elas não aparecem entre vírgulas nunca, porque isso pode mudar o seu contexto. Aos exemplos:

Eu gosto das matérias | que são de leitura.

“Que são de leitura” é a O.S.A.R. que funciona como adjunto adnominal do substantivo matérias, que fica na Oração Principal. O sentido dessa frase é que o sujeito gosta apenas das matérias que são de leitura.

Os idosos | que gostam de caminhar | se divertem sempre.

Perceba que a O.S.A.R., “que gostam de caminhar”, aparece no meio da oração principal, “os idosos se divertem sempre”. Funciona como um adjunto do substantivo “idosos”. O sentido implica que todos os idosos gostam de caminhar.

• Orações Subordinadas Adjetivas Explicativas (O.S.A.E.)

Como o próprio nome diz, elas explicam o substantivo ou pronome ao qual se referem e na maior parte das vezes, aparecem isoladas por vírgulas. Observe:

Os idosos, que gostam de caminhar, se divertem sempre.

A O.S.A.E. é o que está entre vírgulas. Você deve estar surpreso porque parece ser a mesma analisada acima. No entanto, quando as vírgulas são colocadas, o sentido muda. Aqui, não são todos os idosos que gostam de caminhar, mas aqueles que gostam, se divertem sempre.

Os livros de José de Alencar, que eu conheço, são ótimos.

Novamente, a O.S.A.E. é a que aparece no meio da Oração Principal, entre vírgulas. O sentido é o seguinte: nem todos os livros necessariamente são ótimos, apenas aqueles que o sujeito conhece, e ele não conhece todos.