Pleonasmo


Diferentemente do que acontece com as figuras de linguagem, que dão maior beleza, eficácia e ‘realçam’ cada uma das mensagens emitidas, os vícios de linguagem são construções que vão contra as normas da língua portuguesa.

Na grande maioria dos casos esses vícios são provocados por puro descuido ou até mesmo por indivíduos que desconhecem as principais regras gramaticais.

E o pleonasmo pode se encaixar em ambas as vertentes, uma vez que pode ser tanto uma figura de linguagem como também um vício. No que se refere ao vício, ele só é assim considerado quando utilizado de maneira totalmente desnecessária. Mas, quando um pleonasmo tem o sentido de reforçar e dar maior eficácia para uma determinada mensagem, então, ele passa a ser uma figura de linguagem.

Pleonasmo o que é

Vamos entender um pouco mais sobre cada um deles?

Sobre o pleonasmo e seus diferentes tipos

A palavra pleonasmo vem do latim ‘pleonasmu’, sendo o seu significado “redundância”.

Na língua portuguesa o pleonasmo é sim considerado uma figura de linguagem. Sendo assim, sua principal meta é intensificar o significado de uma determinada palavra, expressão, construção ou frase.

E como ele faz isso? Por meio da repetição de uma palavra forte ou até mesmo de alguma ideia que remeta diretamente a ela, o que também não deixe de ser um formato de repetição.

Quando um pleonasmo é elaborado de forma correta ele tem a capacidade não só de tornar aquela expressão muito mais bela, porém, também é capaz de fazer com que o sentido da expressão seja muito mais aguçado e intenso.

Vamos para alguns exemplos simples:

“Eu danço uma dança suave”.

Nesse caso, a repetição é da ideia de dança. Na realidade, ninguém precisa nos dizer que quem dança faz isso com a dança, já que isso já está óbvio para todos nós.

Outro exemplo seria:

“Quando hoje acordei, ainda fazia escuro”.

Uma ótima forma de exemplificar a beleza do pleonasmo é por meio da famosa frase de Manuel Bandeira, em um de seus poemas.
“Chovia uma triste chuva de resignação”. O verbo chover logo nos remete que o que cai é a chuva, porém, ele reforça a ideia já presente no verbo para torná-lo ainda mais expressivo e forte na literatura.

O pleonasmo intencional

O pleonasmo intencional, como o seu próprio nome já diz, é aquele usado “de propósito”. Desse modo, ele se torna um recurso de estilo capaz de fazer com que o ouvinte, leitor ou telespectador se surpreenda com aquilo que está vendo.

É exatamente por esse motivo que o pleonasmo se tornou tão famoso em peças literárias, em poemas (principalmente aos românticos de plantão), atuações teatrais, no cinema, música e outras expressões artísticas. Ele tem a capacidade de fazer com que o indivíduo receptor se concentre ainda mais no que se está sendo dito ou escrito.

Um exemplo nesse sentido pode ser com a música de Chico Buarque e Vinícius de Morais, chamada ‘Valsinha’. O pleonasmo está na seguinte frase:

“E ali dançaram tanta dança, que a vizinhança toda despertou”.

Outro exemplo seria mais uma frase de Manuel Bandeira, que sempre foi um grande percussor desse estilo:

• “A vida, não vale a pena nem a dor de ser vivida”.

E o pleonasmo intencional?

Na realidade, todo o problema envolvendo o pleonasmo se refere ao intencional, que o torna pobre e desnecessariamente repetitivo. Sendo assim, é dessa forma que ele perde a sua essência de figura de linguagem para se tornar um vício – nada bonito – de linguagem.

Esses vícios apostam em uma repetição supérflua e totalmente desnecessária – tanto da ideia como da própria palavra em si. Alguns exemplos são muito comuns na língua portuguesa e, alguns deles, são ditos de propósito.

Por isso, devemos afirmar que o pleonasmo vicioso deve ser evitado a qualquer custo, uma vez que não tem qualquer tipo de valor, principalmente na ação de reforçar uma ideia já explícita no texto.

Na realidade, o pleonasmo vicioso remete diretamente ao desconhecimento do indivíduo falante e emissor, seja no sentido das palavras ou no próprio uso delas com base nas regras gramaticais da língua portuguesa.

Geralmente o pleonasmo vicioso é mais encontrado na modalidade oral, uma vez que tais vícios são atribuídos a nossa forma de falar no dia a dia. Porém, é certo de que esse erro pode acabar levando também o indivíduo a repeti-lo na modalidade escrita.

Alguns exemplos são:

• Filho, saia da rua e entre para dentro de casa!

• Hoje fiz um exame de hemograma de sangue.

• O protagonista principal do longa metragem é o Brad Pitt.

• Hoje sai cedo de cada e pude sentir a brisa matinal da manhã.

• Será que você pode entrar logo para dentro do carro?

• Hoje fui para o centro da cidade e me deparei com uma grande multidão de pessoas.

• Eu preciso planejar antecipadamente como vai ser o casamento da minha filha.