Prezar e Primar – qual a regência desses verbos?


Existem conceitos da gramática que confundem os falantes do idioma português. Para não cometer deslizes ao falar ou escrever, é preciso compreender a relação de dependência entre os verbos e os termos da oração, ou entre as orações no período. Dentro da sintaxe, esse é o foco de estudo linguístico da regência verbal.

“Reger” significa “governar”, “dirigir”, “guiar”, “conduzir”. Quando utilizamos verbos que não possuem sentido completo, é necessário utilizar complementos para fechar o sentido. O regente, na construção sintática, é o nome ou o verbo. O regido será o complemento. Isso ficará mais claro com alguns exemplos. Veja o primeiro:

Prezar e Primar

* Eu necessito de um copo de água.

Quem necessita, necessita “de” algo. O verbo regente exige a preposição “de”, que é utilizada para dar sentido, pois ninguém deve dizer “eu necessito copo de água”. Isso é uma regência verbal. Veja agora outro exemplo:

* Eu tenho necessidade de um copo de água.

Nesse caso o termo “necessidade” é um nome (substantivo). A regência ocorre da mesma maneira, mas, nesse caso, chamamos de regência nominal.

Outro exemplo de regência verbal:

* Paulo gosta de bala de canela.

Não seria possível dizer “Paulo gosta bala de canela”. O verbo “gostar” é o regente e exige a preposição “de”.

Algumas palavras se confundem com outras por terem significados parecidos, o que dificulta a regência. É o caso dos verbos “primar” e “prezar”. Essas palavras têm um significado relativamente semelhante, mas possuem regências diferentes. Essa dúvida não é apenas dos estudantes da língua portuguesa. Muitos que desejam falar e escrever bem não sabem qual complemento utilizar para cada um desses verbos.

Algumas situações adequam-se ao uso de “primar”, outras de “prezar”. Em alguns casos, é possível utilizar qualquer um dos dois verbos. Mas é necessário conhecer a estrutura que abrigaria cada um deles.

Saber isso é extremamente necessário para os falantes da língua portuguesa e, principalmente, para quem precisa conhecer a gramática. Em provas de vestibulares ou de concursos públicos, essa matéria é indispensável. Comece aprendendo qual é o complemento certo para essas duas palavras, depois passe para outros nomes e verbos.

Regência de “prezar”

O significado desse verbo é “ter em alta consideração”, “respeitar”, “valorizar”, “ter grande apreço”. Sendo assim, seu antônimo é “desprezar”, ou seja, “ter baixa consideração”, “menosprezar”. Nessa acepção, é um verbo transitivo direto e isso quer dizer que o seu complemento não exige qualquer preposição.

Dessa forma, podemos dizer:

* Marcos preza seus familiares.
* Você deveria prezar o uso correto da língua.
* No trabalho, Júlia preza o uso de bom material.
* Não existe ninguém que preze a moralidade.

É possível perceber que o uso de “prezar” rejeita a preposição “por”. O erro de empregar essa preposição é muito comum, vemos frequentemente pessoas, até mesmo muito instruídas, dizendo que “prezam por” algo. Isso se deve à confusão feita com seu companheiro semântico, que exige preposição na sua regência, como veremos a seguir.

Regência de “primar”

É uma palavra que pode ser aplicada de diversas formas. De maneira mais recorrente, é utilizada para dar a noção de destaque. Significa “notabilizar-se”. Veja alguns usos corretos da palavra:

* O autor desse livro prima pelas metáforas.
* O Corinthians agora prima pelos bons centroavantes.
* Ele é um músico que prima pelas melodias complexas.

O verbo aparece em outros tipos de construção. Quando se pretende dizer que algo “tem primazia”, ele fica dessa maneira:

* Machado de Assis prima entre os romancistas clássicos brasileiros.
* Pelé primou entre os jogadores de futebol de sua época.
* Nas aulas de língua portuguesa, eu primava entre todos os colegas de classe.

Outro uso frequente é na acepção de “esmerar-se”. A estrutura desse uso fica assim:

* Augusto prima no uso do seu instrumento musical.
* Luís é um arquiteto que prima na funcionalidade dos edifícios que desenha.

Existem casos em que o uso dos dois verbos se faz possível. Veja os exemplos e leia a explicação de cada um deles:

* A televisão brasileira prima pelo uso da imagem, não pelo uso do áudio.
* A televisão brasileira preza o uso da imagem, não o uso do áudio.

No primeiro caso, vemos que a televisão “destaca-se” pelo uso da imagem e não pelo uso do áudio. Nesse caso, empregamos o verbo “primar”. No segundo exemplo, notamos que televisão valoriza mais o uso da imagem do que do áudio, portanto ela “preza o uso da imagem”. Note que cada verbo exigiu uma mudança de estrutura. No primeiro exemplo, está escrito “pelo uso do áudio” e no segundo “o uso do áudio”.

Além dessas duas palavras muito próximas, existe outro verbo que desperta dúvidas nas pessoas sobre sua regência: o “zelar”. A regra para essa palavra segue o exemplo de “primar”, exigindo um complemento igual. Exemplos:

* Carlos zelou pela população quando foi prefeito.
* Você deveria zelar pelos seus pais.
* Trata-se de um professor que não zela pelo bom uso da língua portuguesa.