Regência Verbal


A regência verbal é umas das áreas mais apreciadas da língua portuguesa. Trata-se da relação sintática, de modo dependente, que se estabelece entre o verbo, tratado aqui como termo regente, e o seu complemento, observado como termo rígido. A regência verbal tem por objetivo determinar se alguma preposição se faz necessária para que haja ligação correta entre o verbo e o complemento na oração.

Neste sentido e por meio desta lógica, os termos que carecem da presença de outro termo são chamados de termos regentes ou, até mesmo, de termos subordinantes. Por outro lado, os termos que completam, de forma clara e indicativa, a significação dos termos anteriores são conhecidos como termos subordinados ou termos regidos.

Regência

É importante, neste contexto, esclarecer a diferença básica que rege regência verbal e regência nominal. Enquanto que a regência nominal acontece quando o termo regente é nada menos que um nome (ou seja: um advérbio, um substantivo ou um adjetivo), a regência verbal é observada quando o termo regente acaba sendo um verbo, na sua essência.

Outra diferença que norteia estes processos é a de que na regência verbal, o termo chamado de regido não é obrigatoriamente preposicionado, ao contrário do que acontece na regência nominal, onde o termo é obrigatoriamente preposicionado.

A sintaxe da regência, modo pelo qual também é difundida, é apenas uma das intermináveis áreas dos estudos linguísticos, considerados como inerentes à sintaxe. Em suma, este estudo é responsável pelas chamadas relações de dependência que são estabelecidas entre as orações em um determinado período ou termos de uma mera oração. Portanto, quando alguns destes termos estão ligados a um verbo, temos a tão aclamada e propagada regência verbal.

Há uma série de particularidades que regem tanto a regência verbal, como também a regência nominal. Isto por si só demonstra que os estudos realizados neste meio demandam muita concentração, esforço e intelecto dos praticantes. Para se ter uma ideia, um dicionário sobre regência verbal, do renomado autor Celso Pedro, possui aproximadamente 600 páginas.

Nesse sentido e tendo a máxima consciência de toda essa amplitude, podemos compreender que a partir do momento em que fazemos uso de vocábulos, seja ele qualquer elemento disponibilizado pela enorme língua portuguesa, temos que, de forma consequentemente, agrupá-lo com o restante da oração, de modo a atingir o objetivo de propagar a ideia e a contextualização de uma frase.

Partimos do pressuposto de que temos que elaborar o nosso pensamento por meio deste complexo esquema de regência verbal e nominal. Com essa premissa, passamos a esclarecer algumas dúvidas quanto à união de todas estas regras que compõem o cenário linguístico de normas gramaticais. Percebemos que, nesta elaboração da oração, tantos os verbos, como também os nomes (advérbio, substantivo ou adjetivo) não possuem o que chamamos de sentido completo da oração, o que torna obrigatório o aparecimento de outro termo que feche o sentido desta mesma oração.

Portanto, fica esclarecido a dependência que é observada na relação entre um termo qualquer (este podendo ser verbo, adjetivo, advérbio e substantivo) e o complemento para que haja uma oração completa.

Para que todo esse raciocínio seja evidenciado, fique atento às orações expostas abaixo e entenda, de forma prática e esclarecedora, como todas estas normas e regras atuam efetivamente na língua portuguesa, em relação à regência verbal.

Regência verbal – Exemplos práticos

• Oração: “Devemos obedecer aos nossos pais”.

Tudo fica mais evidente e fácil de ser assimilado a partir do momento em que realizamos uma pergunta pura e simples para o próprio verbo em questão. Ou seja, de acordo com a oração, devemos obedecer a quem? A resposta, portanto, vem logo após: aos nossos pais.

Desta forma, podemos compreender e esclarecer todo este raciocínio pensando na seguinte situação. A relação estabelecida entre o verbo obedecer (“devemos obedecer”) e o seu complemento (“aos nossos pais”) que aparece de forma respectiva é intermediada, de forma obrigatória, por uma preposição (“aos”).

No entanto, há sempre uma exceção. Dependendo unicamente da predicação verbal, este complemento utilizado na oração (“nossos pais”, neste caso) poderá aparecer, em determinado caso, sem o acompanhamento da preposição.

Por isso, é preciso analisar cada caso de forma única e abrangente para que se encontre a solução correta e que esteja de acordo com a língua portuguesa.

• Oração: “Ele está apto ao serviço”.

Observe. Atestamos que o adjetivo “apto” (elencando nessa oração como um nome, no contexto geral) também necessita de um complemento – este, por sua vez, acompanhado de uma preposição.

Isto fica comprovado e evidenciado a partir do momento em que, novamente, fazemos uma pergunta diretamente para ao adjetivo “apto”. Portanto, se ele está apto, é importante perguntar: “apto a quê?”.

A resposta vem logo a seguir: “ao serviço”.

A partir de todo este raciocínio, fica explícito que as normas gramáticas, imersas, neste caso, na regência verbal, trazem uma série de obrigatoriedades condizentes com todo este aparato da língua portuguesa.