Resumo da Nova Ortografia


O chamado “Acordo Ortográfico” foi implantado no Brasil em 2009 e gerou muitas dúvidas, especialmente por parte dos estudantes e das pessoas que mais utilizam a Língua Portuguesa em seu cotidiano de trabalho, como por exemplo, Jornalistas, secretárias e outros profissionais. É importante entender, além das principais mudanças, o porquê da implementação de normas como essas.

Resumo da nova ortografia – contexto

A Língua Portuguesa é o idioma oficial de oito países espalhados pelo mundo todo, que são os seguintes: Brasil, Portugal, Timor Leste, Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo verde e Guiné-Bissau. No total, são cerca de 250 milhões de pessoas que falam português.

Nova Ortografia

No entanto, embora estejamos falando de um único idioma, se analisarmos o português que se fala aqui no Brasil e em Portugal, por exemplo, será possível perceber diferenças bem significativas. Na terra dos nossos colonizadores, a palavra “óptima” está absolutamente certa, enquanto para nós parece um grande erro da pessoa que escreveu.

E isso que estamos comparando apenas dois dos oito países chamados lusófonos (que são os que tem o português como língua materna). Diante desse quadro, no ano de 1990 (portanto o acordo ortográfico não é uma ideia assim tão recente), a Academia das Ciências de Lisboa se reuniu com a Academia Brasileira de Letras e com representantes dos outros seis países, que assinaram o chamado “Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa”.

O maior objetivo desse acordo, que como mencionado anteriormente, foi implantado no Brasil em 2009, era unificar a Língua Portuguesa, a fim de diminuir os custos do mercado editorial (para que a edição das obras pudesse ser aproveitada para todos os países falantes do português) e também facilitar e estimular as relações culturais entre as nações lusófonas.

Desde a década de 1930 já eram realizadas tentativas de promover essa unificação por meio de acordos, mas que nunca chegaram a funcionar de acordo com o esperado.

O Brasil aceitou participar dessa nova ortografia sob a condição de que Portugal também modificasse a estrutura do idioma falado por lá. Dessa forma, realmente não seria uma norma unilateral, partindo dos portugueses e sendo aceita pelos demais países, mas uma adaptação de todos para atingir o objetivo.

O resultado disso é que, na realidade, Portugal precisa adotar mais modificações do que nós! A palavra “húmido”, por exemplo, vai perder o seu “h” e “acção” vai deixar de ter o “c”.

Não precisa se preocupar: a pronúncia das nossas palavras vai permanecer completamente igual ao que é hoje. A única coisa que vai mudar é a grafia em alguns casos.

Resumo da nova ortografia – principais modificações

A partir do momento que a nova ortografia entra em vigor, quem escrever uma palavra em desacordo com ela vai estar cometendo um erro gramatical. Portanto, todos nós, falantes da Língua Portuguesa, precisamos nos adaptar às modificações propostas.

Vamos ver agora um resumo da nova ortografia com as novas regras que mais causam dúvidas, mas que nem são tão complicadas assim:

• Alfabeto: a partir do acordo, o nosso alfabeto passa de 23 para 26 letras, pois são inclusas k, w e y. Elas já apareciam bastante, em nomes próprios e siglas e comumente eram vistas no final do alfabeto. Agora, ficam no meio dele, pois são consideradas como parte do nosso idioma.

• Trema: os dois “pontinhos” que eram colocados sobre a letra U, a partir de agora, não existem mais. Observe na atual grafia correta de algumas palavras: frequência, linguiça, aguentar, sequencia, tranquilo, cinquenta.

• Ditongos “ei” e “oi”, abertos e em palavras paroxítonas não são mais acentuados: heroico, ideia, assembleia, jiboia, paranoico, colmeia, plateia.

Verbos conjugados na terceira pessoa do plural, com “ee” e “oo”, não são mais acentuados: enjoo, abençoo, creem, veem.

• Palavras que eram acentuadas para se diferenciar de outras com a mesma grafia e sentidos diferentes não recebem mais esse sinal de diferenciação: pelo/pelo, para/para.

• O hífen é retirado de palavras em que o primeiro termo termina em vogal e o seguinte se inicia em r ou s: antessala, autorretrato, ultrassonografia, extrasseco.

• O hífen permanece em palavras em que o primeiro termo termina em r e o segundo começa com essa mesma letra: super-resistente, inter-regional.

• Nas palavras em que o prefixo termina em vogal e o outro termo se inicia com a mesma vogal, agora deve ser colocado o hífen: micro-ondas, anti-inflamatório, micro-ônibus.

Todas essas mudanças podem ser um tanto quanto assustadoras no início, mas não se preocupe! O ideal é ter sempre à mão algum guia prático para consultar quando estiver escrevendo e tiver alguma dúvida, pois essa prática é a única forma de assimilar as mudanças que já estão valendo.

Livros mais recentes também estão sendo editados de acordo com a nova ortografia, por isso, procurar esse tipo de edição quando for comprar uma obra literária também é uma boa alternativa. A leitura é um ótimo jeito de se adaptar às transformações.