Tivesse e estivesse


A língua portuguesa é uma das mais complicadas do mundo. Suas várias regras gramaticais fazem com que o nosso idioma seja difícil de aprender e provoque diversas confusões na hora da escrita e da fala. Palavras com a grafia e fonética muito parecidas costumam fazer com que as pessoas falem ou escrevam errado, e isso pode causar problemas graves, como a exclusão dessa pessoa de um processo seletivo numa grande empresa, por exemplo.

Dois desses termos que costumam gerar confusão na hora da escrita e da fala são tivesse e estivesse e suas variações. É comum encontrar textos em vários locais na internet e é mais comum ainda ouvir pessoas falando uma palavra no lugar da outra em diversas situações. No entanto, cada termo é bem diferente do outro e ambos expressam ideias diferentes. Suas funções dentro das frases são distintas e, por mais que não pareça grave, a troca dos termos é um erro e precisa ser ajustado.

estivesse

Derivação dos termos

A primeira grande diferença entre tivesse e estivesse é a sua derivação. Ambas são utilizadas na primeira e terceira pessoa do singular, no pretérito imperfeito do modo subjuntivo. Para explicar melhor veja a conjugação dos verbos “ter” e “estar” (dos quais estes dois termos são derivados) neste tempo e modo verbal:

Verbo Ter: se eu tivesse / se tu tivesses / se ele tivesse / se nós tivéssemos / se vós tivésseis / se eles tivessem;

• Verbo Estar: se eu estivesse / se tu estivesses / se ele estivesse / se nós estivéssemos / se vós estivésseis / se eles estivessem;

Então, em suma, a primeira grande diferenciação dos termos tivesse e estivesse corresponde à sua derivação verbal. Tendo esta ideia em mente, uma boa dica para saber se está utilizando o termo correto numa frase é verificar o termo que vem a seguir: se ele estiver indicando um lugar, então, o correto é usar “estivesse”, já que não é possível ter um lugar, mas estar nele.
Outra dica importante é a observação de um verbo no particípio após o termo “tivesse”. No entanto, é preciso compreender que, toda vez que um verbo no particípio vier após o termo, o correto é usar “tivesse”, mas nem sempre o “tivesse” virá acompanhado de um verbo no particípio. Veja exemplos:

• “Se eu tivesse andado mais rápido, teria chegado a tempo.”
• “Se ele tivesse ficado com você, tudo seria melhor.”
• “Se ela não tivesse cometido este erro, poderia ter vencido a prova.”

Note que o termo “estivesse” não ficaria bom nestas frases. E não é por acaso, o termo “estivesse” não completa o sentido da frase e, portanto, seria equivocado.

Por que as pessoas confundem tivesse e estivesse?

Mesmo que as confusões sejam constantes com os dois termos, é muito mais comum encontrarmos frases escritas e, principalmente faladas, com a troca de “estivesse” por “tivesse”. A troca contrária é muito menos comum e isso tem um motivo bem claro: a fonética das duas palavras. Note que em “estivesse” a sílaba “es” é mais “fraca” do que o restante da palavra. Por este motivo, muitas pessoas suprimem esta sílaba e não a pronunciam. É por este motivo que a troca geralmente se dá desta forma.

Outras explicações para a troca dos dois termos envolvem as gírias, a fala coloquial e até a velocidade com que as pessoas pronunciam certos termos na língua portuguesa. E não seria diferente com tivesse e estivesse. O avanço da comunicação pela internet e pelas redes sociais faz com que as pessoas abreviem termos, escrevam de qualquer jeito e isso faz com que os erros aumentem quando é necessário escrever de uma forma mais culta. Tivesse e estivesse são apenas alguns exemplos desse “novo jeito de utilizar a língua portuguesa”.

A troca equivocada de estivesse por tivesse não é a única com estes dois verbos. A forma verbal de “ter” e “estar” no futuro do modo subjuntivo também costuma ser confundida e constantemente trocada. Veja:

• “Quando eu estiver com ela, tudo será mais fácil.”

• “Quando ele estiver melhor, poderá andar normalmente.”

Estas frases são exemplos da troca envolvendo “tiver” e “estiver”. Nas versões acima, as frases estão escritas corretamente. No entanto, na grande maioria das vezes, as pessoas trocam “estiver” por “tiver”. A questão é simples, mas, ao mesmo tempo, complexa. Praticamente todas as formas dos verbos “ter” e “estar” são trocadas no modo subjuntivo. E tudo acontece por conta da sílaba “es”, que costuma ser esquecida na hora da fala ou da escrita.

A troca de termos na língua portuguesa é comum, mas o que as pessoas devem evitar é a utilização de termos equivocados em textos cultos. A constante comunicação informal pode fazer com que a norma culta seja esquecida e isso pode afetar sua vida profissional e os estudos. Ter discernimento para usar o nosso idioma de forma correta é uma virtude nos dias de hoje.