Os vários sentidos das conjunções


Em todas as línguas, há uma série de recursos e estratégias que os falantes utilizam para se comunicarem. Essas estratégias e recursos vão das mais simples as mais complexas, e estão presente em todos os níveis: fonológico, morfológico, sintático, semântico e pragmático. Mas claro que tudo isso é feito conforme a gramática da língua, pois as regras devem ser obedecidas para que a comunicação seja efetiva.

Os vários sentidos das conjunções

No português, uma classe de palavras que serve há inúmeras manobras linguísticas é a conjunção, já que ela pode ter inúmeras funções sintáticas, semânticas (polissemia) e mesmo morfológicas. Mas você sabe o que é conjunção? É isso que iremos descobrir na sequência.

A classe gramatical conjunções

Segundo a gramática normativa, as conjunções fazem parte de uma classe gramatical que leva o mesmo nome. Essas recebem este nome foi sua função mais básica e usual é unir duas orações, ou seja, é amplamente reconhecida por sua função sintática.

Mas o papel semântico das conjunções é igualmente importante, pois se ela une orações, ela o faz de certo modo, estabelecendo relações de sentidos. Ficou difícil? Sem problemas, pois com um exemplo simples isso ficará mais claro. Em “Ganhei, mas só metade” a conjunção só além de ligar as orações ainda possui um papel semântico, pois restringe o significado da primeira frase.

O referido papel semântico acima é apenas um entre diversos outros. Por isso, tradicionalmente se classificam as conjunções em três grandes grupos, sendo que dois deles possuem subcategorias:

• Conjunções essenciais: portanto, como, mas, logo, pois, e, entretanto, nem, embora, porque, quando, porém, todavia, quer, contudo, ora, que, seja, conforme.

• Conjunções coordenativas. Se dividem em:
Aditivas
Alternativas
Adversativas
Conclusivas
Causais

• Conjunções subordinativas:
Comparativa
Concessiva
Condicional
Conformativa
Consecutiva
Final
Integrantes
Proporcional
Temporal

Mais que decorar a categoria de cada uma essa lista, o que realmente nos interessa é avaliar o contexto em que a conjunção é utilizada, pois é dele que depende a classificação, já que a conjunção pode ter vários sentidos.

Funções sintáticas e semânticas das conjunções

Como já dissemos, as conjunções podem adquirir vários sentidos, mas eles sempre irão depender do contexto, e esta é uma informação extremamente importante, pois as conjunções são invariáveis, ou seja, elas não apresentam flexões de gênero e pessoa, por isso seu significado dependerá do contexto.

Para começar a entender essa pluralidade de funções e significados, vamos começar com um exemplo bastante simples, utilizando a conjunção ‘como’.

Exemplo 1. “Como estava um dia lindo, resolvemos ir tomar sol”

Nesta frase, a conjunção como funciona como uma justificativa e para percebermos isso basta realizarmos um pensamento lógico: as pessoas referenciadas pela frase só foram tomar sol porque estava um dia lindo (se estivesse um dia nublado ou chuvoso, não haveria iriam tomar sol). Isso significa que se trata de uma conjunção causal. Agora observemos o exemplo abaixo.

Exemplo 2. “Ele não é tão inteligente como seu pai”

Percebemos que na frase acima a conjunção como exprime a ideia de comparação, no caso entre o pai e o filho. Assim, não trata-se de um relação de causa, mas sim de uma comparação. Por isso, temos uma conjunção comparativa, pertencente ao grupo das conjunções subordinativas, pois no exemplo temos uma oração subordinada (que depende da outra para ficar repleta de sentido).

No caso da conjunção como, a dedução do papel que ela desempenha na frase é bastante fácil de ser achado. No entanto, temos conjunções nas quais a complexidade é maior, e está é o caso da conjunção que, que desempenha 27 papéis na língua portuguesa. Vamos analisar alguns exemplos com ela.

Exemplo 3. “Espero que você volte logo”
Exemplo 4. “Venha, que está todo mundo te esperando”
Exemplo 5. “O trânsito está mais rápido que ontem”

Para descobrirmos quais dos vários sentidos as conjunções do exemplo acima têm, a primeira coisa que temos que fazer é classificar a frase que as contém em subordinadas ou coordenas. Assim, em 3 e 5 temos orações subordinadas, pois o sentido das segundas (“que você volte logo” e “que ontem”) dependem diretamente do sentido da primeira. Já em 4, “Venha” e “que está todo mundo te esperando” são orações autônomas, ou seja, fazem sentido por elas mesmas, o que nos indica que temos uma oração coordenada.

Em 3, podemos dizer que a segunda oração equivale a um substantivo (sua volta), e a conjunção ‘que’ introduz essa oração. Assim, temos uma conjunção subordinativa integrante.

Em 4, a segunda oração está justificando a primeira (É melhor você vir pois todos estão te esperando), por isso podemos classifica-la como uma conjunção coordenativa explicativa.

Já em 5, temos a comparação entre o hoje e o ontem. Por isso, o ‘que’ é uma conjunção subordinativa comparativa.

Disso tudo podemos concluir que as conjunções são elementos fundamentais na língua portuguesa, pois além de possuírem vários significados, ainda desempenham o primordial papel de ligar orações.