Resumo sobre Paralelismo


“Estava a formosa seu fio torcendo // sua voz harmoniosa, suave dizendo…”, acabamos de observar um exemplo clássico de paralelismo em texto lírico, mais um recurso utilizado por autores para tornar seus textos (poemas ou prosas) mais requintados e rebuscados, ou então para trazer mais coesão às ideias. Quando aparece na poesia, ele ainda é capaz de conferir ritmo e musicalidade aos versos, elementos que muitos poetas buscam para a estética de suas obras.

Resumo sobre Paralelismo

Leia a seguir um resumo sobre paralelismo e veja como ele aparece tanto na literatura quanto em outras áreas da língua portuguesa. Uma dica: mesmo sem ter a intenção, nós o utilizamos diversas vezes em nosso dia a dia.

Resumo sobre paralelismo: conceito e usos cotidianos

O paralelismo é uma estrutura de estilo que consiste no uso de termos (que podem ser palavras, expressões, frases) que se relacionam por semelhança ou por contraste. Essa relação pode ser percebida do ponto de vista rítmico, semântico ou gramatical. Além disso, existem os casos em que o paralelismo é construído propositalmente, na literatura e na publicidade, por exemplo, mas também as situações em que ele é involuntário, quando aparece em diálogos cotidianos.

É uma boa alternativa para trazer mais coesão a um texto, imprimir uma identidade a ele ou então reforçar uma ideia.

Vamos ver alguns exemplos para compreender:

“Sinta-se luminosa. Sinta-se Lux” – essa foi uma expressão muito utilizada em campanhas publicitárias da marca Lux e é marcada pelo paralelismo, pois cada período começa com o mesmo verbo no imperativo, “sinta-se”.

“Nívea: beleza que se vê, beleza que se sente” – mais um caso em que esse recurso estilístico é utilizado na publicidade. Essa repetição ajuda a fixar a ideia na mente de quem ouve ou lê, justamente por isso é uma estratégia empregada nesse tipo de campanha.

No cotidiano, o paralelismo também se faz presente. Observe abaixo um diálogo hipotético que demonstra isso:

– Mãe, para que eu preciso estudar?
– Você precisa estudar para aprender, para ter uma profissão no futuro, para conseguir um bom emprego…

Novamente, observamos a repetição da mesma estrutura após cada vírgula. Em conversas informais como essa, é comum que o paralelismo apareça naturalmente, como uma forma de encadear e organizar as ideias.

Vejamos mais um exemplo:

“A empresa promete melhorar os salários e reduzir as jornadas de trabalho

Onde está o paralelismo? As duas orações se constroem em torno de verbos no infinitivo (melhorar e reduzir). Essa mesma frase poderia ser escrita da seguinte forma: “a empresa promete melhorar os salários e redução nas jornadas de trabalho”, embora a ideia seja a mesma, o recurso não foi aplicado, o que pode causar a impressão de que está faltando coesão no escrito.

Para identificar o paralelismo, é interessante localizar primeiro os verbos da frase, assim, será mais fácil visualizar onde começa e onde termina cada oração para analisar de existem estruturas correspondentes nelas.

Resumo sobre paralelismo: semântico, gramatical e rítmico

Conforme foi mencionado, existem três tipos de paralelismo: semântico, gramatical e rítmico, portanto, agora vamos ver mais detalhes sobre cada um deles.

  • Paralelismo semântico: o que se repete nas duas ou mais estruturas é o sentido, como na seguinte frase: “A moça foi vítima do ciúme, da inveja e da agressividade” – perceba que “ciúme”, “inveja” e “agressividade”, além de serem três substantivos, também se assemelham pelos significados que representam;
  • Paralelismo gramatical: deve haver semelhança sintática entre os termos ou orações que se repetem, sem a necessidade de aproximação de sentidos. Por exemplo: “A criança não só correu, mas também pulou” – tanto “correu” quanto “pulou” são verbos intransitivos. Além disso, a própria expressão “mas também” indica que existe correlação sintática entre as orações;
  • Paralelismo rítmico: é o que mais aparece em textos literários, pois o seu objetivo é trazer musicalidade e/ou reforçar a expressividade do texto. Um exemplo consagrado é o trecho do sermão de Padre Vieira: “Se os olhos veem com amor, o corvo é branco; se com ódio, o cisne é negro…”.

Um detalhe importante: em nosso cotidiano, devemos evitar determinadas quebras de paralelismo que podem deixar um discurso confuso. Veja o seguinte caso: “Eu sou ciumenta e jornalista” – há uma quebra com o paralelismo semântico, ao aproximar duas palavras que não têm relação de sentido entre si.

Por outro lado, os autores literários muitas vezes fazem esse tipo de ruptura propositalmente, para trazer um efeito de ironia. É o caso da famosa passagem de Machado de Assis: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis” – “quinze meses” e “onze contos de réis” não são semelhantes semanticamente, mas foram utilizados justamente para mostrar a visão do narrador-personagem a respeito de sua relação com Marcela.

Portanto, se não houver uma intenção específica semelhante a essa de Machado de Assis, o melhor é evitar a aproximação de termos semanticamente não correlacionados em um mesmo período.