Técnicas de estrutura da narrativa


A narrativa faz parte do contexto social e cultural da nossa sociedade e está muito mais presente do que possamos imaginar. Ao contarmos uma história estamos produzindo uma narrativa, por exemplo. Desde pequenos somos apresentados a pequenas narrativas, nos livros de histórias infantis. O ato de narrar, oralmente ou de maneira escrita, nos permite propagar histórias no tempo, disseminar culturas, entre tantas outras atribuições.

Técnicas de estrutura da narrativa

Nesse artigo você conhecerá, especificamente, as técnicas de estrutura da narrativa. Fique atento!

O mais habitual são as narrativas lineares, ou seja, em ordem cronológica dos fatos. Nesse caso não há elementos que desviem a atenção do leitor para fatores secundários, intromissões ou flashback. Logicamente que essa não é a única forma de narrar. Autores como Machado de Assis em Memórias Póstumas de Brás Cubas, por exemplo, contam histórias iniciando do fim, transgredindo o modo mais comum de narrar, mas, com toda certeza, não o único.

Outra possibilidade é a narrativa em paralelo, bem comum no gênero literário de novela. Vidas secas de Graciliano Ramos é um exemplo, com episódios contados sucessivamente com mais pontos de vista de uma mesma narrativa. Desse modo dois mais enfoques são contados simultaneamente, entretanto o núcleo de personagens é reduzido para que o leitor não se perca. Uma variação da narrativa em paralelo é a que se desenvolve em diferentes eixos temporais, alternando entre passado e presente.

Divisão e técnicas do texto narrativo

De forma geral o texto narrativo é divido em introdução, desenvolvimento e conclusão. Os elementos explorados são o tempo, lugar e os personagens. Variadas circunstâncias levam ao clímax da história, ou seja, o seu conflito, seu ápice.

Dessa forma, resumindo, a narrativa exige quatro elementos:

  • Local;
  • Personagens;
  • O fato;
  • O momento.

Mas por quê? Pois não há fato sem personagem e sem o fato não há o que narrar. Já o enredo gira em torno desse fato acontecido. Para toda essa composição ocorrer, é necessário um cenário descrito na narrativa a fim de contextualizar e influenciá-la.

A narrativa pode ocorrer em primeira ou terceira pessoa. Em primeira pessoa o fato é narrado por um participante da história, ou seja, ele se envolve nos acontecimento enquanto também é narrador. Nessa modalidade a narrativa é mais pessoal e mais próxima do leitor. Nesse Podem existir toques dos sentimentos desse narrador, enriquecendo a história.

Em terceira pessoa o narrador conta do ponto de vista de quem observa a história, ou seja, é uma narrativa distanciada. Os verbos ficam na terceira pessoa e o narrador é chamado onisciente.

Outro ponto crucial à narrativa é a interpretação. Ela consiste em apresentar simultaneamente a comunicação verbal ou não verbal entre duas entidades que não utilizam o mesmo código. A interpretação gera ambiguidades, afinal é resultado do processo mental do leitor e dos comentários tecidos após a leitura.

Agora vamos à estrutura da narrativa. Ela é composta pela intriga, ação principal e ação secundária.

  • Intriga: é o conjunto de acontecimentos que sucedem de acordo com a casualidade em busca de um desenlace. É uma ação fechada.
  • Ação principal: é um ato que reúne o conjunto de sequências narrativas. É a parte mais relevante na narrativa.
  • Ação secundária: é ligada à ação principal, mas com menor importância. Pode depender da principal para se efetivar.

Já o enredo é encadeado pelas ações dos personagens, com a finalidade de criar emoções e sentidos para o espectador. Também chamado de trama ou intriga, é a estrutura da narrativa, que a sustenta e desenrola os acontecimentos. Pode ser ainda, os relatos das situações vividas pelas personagens ordenadas lógica e temporalmente. O enredo se baseia em um conflito que gera a intriga da história. Existem diferentes maneiras de organizar um conflito.

O enredo normalmente segue essa linha:

  • Situação inicial: tanto espaço quanto personagens são apresentados para o leitor;
  • Quebra da situação inicial: algum fato muda a situação apresentada anteriormente;
  • Apresentação do conflito: nasce uma questão a ser resolvida, ela rompe com a estabilidade de acontecimentos entre os personagens;
  • Clímax: é a parte de maior tensão dentro da narrativa;
  • Epílogo: por fim, existe a solução desse conflito.

Ferramentas de composição da narrativa

Contextualização: é compartilhar as informações essenciais para o entendimento bem como apreciação de uma história. É o pano de fundo que encaminha o leitor, sua percepção da história. Logo ele tem a possibilidade de analisar e interpretar o que acontece na sequência a partir da apresentação de um apanhado de fatos relacionados às personagens, ambiente e história que passa;

Ação: acontecimentos concretos ou ações dos personagens. Tem o intuito de caracterizar uma personagem por meio do seu comportamento bem como desenvolver a história.

Descrição: são as informações detalhadas sobre determinado aspecto da história: um personagem, sensação, percepção ou cenário. De extrema importância para o leitor, afinal quanto mais ampla a descrição, melhor ele consegue imaginar a história.

Diálogo: troca de ideias entre dois ou mais personagens, sem a intermediação do narrador. Dá a sensação que a cena ocorre em tempo real.