Ligação iônica e covalente: qual é polar?


As moléculas surgem de uniões feitas por átomos, que são chamadas de ligações químicas. Através dessas ligações são criados conglomerados atômicos que servirão para constituir a estrutura básica de um composto ou substância. Por existirem centenas de elementos químicos com átomos que se unem, há também uma grande diversidade de substâncias.

Ligação iônica e covalente: qual é polar?

Há uma analogia muito comum entre professores para exemplificar as ligações químicas. Os elementos são como letras de um alfabeto, que, ao se unirem umas às outras, baseando-se numa determinada ordem ou regra, formam diversas substâncias com uma natureza distinta dos elementos separados. Ao ligarmos átomos distintos, teremos agrupamentos que formarão moléculas ou aglomerados organizados. Esses resultados apresentam-se como palavras que se formam através do ordenamento de letras isoladas.

É interessante notar que, assim como na escrita, nas ligações é necessária uma ordem preestabelecida. Se formos escrever sem uma ordem, teríamos um texto sem sentido. Por exemplo, “atgo” não me diz nada, mas se eu agrupar numa ordem específica terei o nome de um animal de estimação: gato. Assim também são as ligações químicas, que necessitam de regras gerais, pois a ligação entre os átomos obedece uma ordem natural, que envolve energia, contato, afinidade etc.

Uma ligação iônica acontece quando átomos se unem e compartilham (doam ou recebem) elétrons um do outro. A união se dá justamente pela partilha, que faz com que se transformem em íons, que, normalmente, possuem um alto ponto de ebulição e fusão. A eletricidade pode ser conduzida quando o os compostos iônicos estão no estado líquido ou estão dissolvidos, mas jamais conduzirão se estiverem em estado sólido.

Uma ligação pode ser polar ou apolar, dependendo de sua constituição básica. Nas ligações covalentes e iônicas, a semelhança gera confusão em muitos alunos. É comum que uma ligação seja entendida como polar, quando na verdade não é, e vice-versa. Antes de entrarmos propriamente nesse assunto, convém contextualizar a matéria, resumindo a definição de cada um dos conceitos apresentados.

Definições básicas

A ligação covalente se dá quando átomos de eletronegatividade semelhantes estão envolvidos. A eletronegatividade é a capacidade que alguns átomos, que participam de ligações, têm de atrair outros para próximo de si. Entre os elementos tidos como os mais eletronegativos estão o oxigênio (O), nitrogênio (N), flúor (F), cloro (Cl), carbono (C), fósforo (P), hidrogênio (H), iodo (I), enxofre (S) e bromo (Br).

Nessa ligação existem elétrons compartilhados com mais de um átomo, que formam juntos uma ligação sem perder nenhum elétron. A união entre os átomos pelas ligações covalentes dá origem a uma molécula.

Na ligação iônica existe uma atração eletrostática entre dois íons de cargas opostas. Um metal libera um elétron, o que se dá devido a sua baixa eletronegatividade, e, através dele, surgem íons de cargas opostas, chamados cátions (positivo) e ânions (negativos). A transferência de elétrons na ligação é definitiva, diferentemente do que acontece na ligação covalente, na qual não perde nenhum elétron.

A polaridade é definida pela capacidade que as ligações têm de atrair cargas elétricas. De acordo com o tipo de ligação, a polaridade é alterada. Então chegamos à pergunta: em relação às ligações iônicas e covalentes, elas são polares?

Ligações polares e apolares

As ligações iônicas possuem cargas negativas (ânions) e positivas (cátions), representadas pelos sinais δ- e δ+. A existência de polos opostos faz com que a ligação seja instável, então as substâncias iônicas reagem com outros compostos. Um exemplo desse processo acontece com o sal de cozinha. O cloreto de sódio (Na+Cl-) é o composto do sal, e se origina da ligação iônica dos átomos de cloro e sódio. Dessa forma, podemos dizer que toda ligação iônica é polar.

Ao contrário do que muitos estudantes pensam, isso não faz da ligação covalente apolar. É verdade que a maioria dos compostos covalentes são apolares, pois pode haver a formação de polos opostos. Se a ligação for covalente, mas com átomos de eletronegatividades iguais, ela será apolar.

Um exemplo é o C3H8 (Propano), no qual a ligação é formada por elementos iguais, com a mesma escala de eletronegatividade. Os elétrons são compartilhados, em partes iguais, pelos átomos presentes na ligação. Ou seja, é uma ligação covalente apolar.

A apolaridade é possível quando os átomos possuem eletronegatividades diferentes. Nesse caso não há uma partilha igual de elétrons, pois o átomo que possui uma eletronegatividade maior atrai os elétrons da ligação para perto dele. É daí que se forma o polo negativo, que estará próximo da maior eletronegatividade, e o polo positivo, que ficará na região do átomo com menor eletronegatividade.

Um exemplo de ligação covalente polar é a do ácido clorídrico. O átomo com maior eletronegatividade nesse caso é o cloro, o que faz com que ele atraia os elétrons da ligação presentes na molécula H-Cl. O átomo de hidrogênio é menos eletronegativo (ou, como dizem em algumas situações, “mais eletropositivo”), portanto é o polo positivo da ligação. O estudo e compreensão das ligações covalentes apolares é essencial para o entendimento dos fundamentos da geometria molecular.