Polônio: Principais características


Depois de muitos anos de trabalho e dedicação incansáveis às pesquisas que desenvolvia em parceria com seu marido, a cientista e química polonesa radicada na França, Marie Curie, anuncia à comunidade científica que havia descoberto um novo elemento químico: o polônio, cujo nome lhe foi assim conferido em homenagem à sua terra natal, a Polônia.

Polônio

O casal Marie Curie e Pierre Currie foram os grandes cientistas responsáveis por desenvolver o conceito de “material radioativo” e “radioatividade“. Além do polônio, foram ambos os responsáveis por isolar e descobrir a existência de um outro importante elemento químico, o rádio. A princípio, o próprio polônio era conhecido como “rádio F”. Os dois cientistas, na verdade, investigavam um material geológico bastante peculiar, conhecido como “pechblenda”. Essa rocha é sabidamente uma abundante fonte de urânio e, foi justamente ao constatar que uma vez que seu urânio era extraído a sua radioatividade aumentava consideravelmente que os dois cientistas detectaram a possibilidade de haver um novo elemento a ser descoberto na constituição dessa rocha.

O polônio e sua incidência na natureza

O polônio é considerado pelos químicos e cientistas de um modo geral como um elemento bastante raro na natureza. A sua ocorrência é ligada sempre aos minérios de urânio, constituindo quase sempre uma porcentagem de aproximadamente 100 microgramas a cada tonelada. Ou seja: em uma tonelada de urânio, apenas 100 microgramas desse material é composto por polônio. Essa informação, quando colocada em uma perspectiva de percentual de matéria, nos dá a dimensão exata de quão raro é esse elemento químico: basicamente é uma relação de 1 a cada 10.000.

Mais recentemente, precisamente no ano de 1976, o cientista Robert Gentry descobriu e afirmou, em um ensaio que foi publicado pela revista Sciente em outro do mesmo ano, que também existe uma incidência de polônio nas pedras de granito encontradas nas profundezas da formação geológica terrestre. Na realidade, cerca de quarenta anos antes dessa descoberta, uma outra experiência já havia demonstrado que uma outra substância, denominada de “bismuto natural” (Bi-209) ao ser bombardeada com nêutrons produz em consequência uma outra substância semelhante, denominada de “Bi-210″, que por sua vez é considerada a “mãe do polônio”. Essa experiência levou os cientistas a concluírem que, a bem da verdade, é possível criar polônio em quantidades de miligramas mediante este procedimento, aplicando dessa vez um fluxo altíssimo, bastante elevado, de nêutrons que podem ser encontrados, por exemplo, em reatores nucleares.

Principais características

O polônio é um elemento bastante radioativo, e é passível de ser facilmente dissolvido em ácidos diluídos. Entretanto, só é levemente solúvel em álcalis. Sua constituição química, na realidade, assemelha-se fortemente a outros dois elementos: o bismuto e o telúrio, muito embora seja bem mais eletropositivo que o telúrio e o selênio que são, por sua vez, elementos que pertencem à mesma família que o polônio.

Ele é um uma substância que, na química, é conhecida como um “metal volátil”. Isto porque possui um baixo ponto de fusão. Em uma temperatura de 326 k, passadas 45 horas, praticamente 50% de sua massa acaba por se evaporar. A deterioração de apenas meio grama de polônio é capaz de liberar uma grande quantidade de energia, que pode chegar a alcançar de maneira bastante rápida uma temperatura acima de 750 k.

Polônio: suas utilizações

O polônio tem sido usado de um modo geral em algumas espécies de dispositivos que tem como função eliminar as cargas estáticas que são produzidas nas indústrias de laminação de papel ou de plástico, além da fiação de fibras sintéticas na indústria de fabricação e tecidos, por exemplo. Ele também é utilizado na fabricação de escovas especiais que são utilizadas na hora de remover a poeira acumulada em filmes fotográficos. Nesses casos, o polônio é selado, controlando o perigo de radiação.

Ele também pode ser utilizado como gerador termoelétrico, que são, por sua vez, utilizados na fabricação de alguns tipos de satélites artificiais. Outra utilização bastante controversa dessa substância é a sua inserção, junto ao tabaco, ao arsênico e a naftalina, nos cigarros industrializados. Ele é reconhecidamente uma das principais causas de câncer para quem fuma.

Precauções em seu manuseio

O polônio é sabidamente um material de altíssimo teor tóxico e radioativo, portanto seu manuseio e frequente manipulação, quando realizados sem que as devidas precauções sejam tomadas, podem incidir em um grande risco de contaminação por radiação para aquele que o estiver manipulando. Ainda que o volume dessa substância seja ínfimo, como é o caso da maior parte das experiências que o empregam e que acabam por utilizar miligramas ou microgramas de sua composição, faz-se absolutamente necessária a utilização de equipamentos de segurança especialmente desenvolvidos para evitar a contaminação por radiação. Os danos que ocorrem são diretamente ligados a absorção dessa energia irradiada pelo polônio que, pro sua vez, é proveniente da desintegração das chamadas “partículas alfas”, tão presentes em sua constituição físico-química.