Química orgânica: como tudo começou


A química orgânica é uma área de conhecimento dentro da química que se dedica ao estudo dos compostos orgânicos e da síntese destes em laboratórios. São considerados compostos orgânicos todos aqueles que possuem cadeias de carbono em sua formação. A química orgânica estuda os tipos de ligações que estes compostos realizam, a classificação dos elementos químicos e das cadeias carbônicas.

Origem dos estudos em química orgânica.

O termo química orgânica foi utilizado pela primeira vez em 1777 pelo químico sueco Torben Orlof Bergman. Neste período, a química orgânica se referia ao estudo de compostos retirados diretamente da natureza. Dentre estes,podemos citar os muitos corantes que eram utilizados no período, como aqueles extraídos de madeiras como o Pau Brasil ou de vegetais como a beterraba.

Química orgânica

A teoria que fundamentava a química orgânica neste período era a “Teoria da Força Vital”, desenvolvida por Jons Jacob Berzellius. Segundo esta teoria, os compostos orgânicos não poderiam ser sintetizados em laboratório, pois precisariam de uma força maior, ou seja, a vida, para que existissem.

Porém, os estudo sobre as ciências químicas e sua aplicabilidade no dia a dia das comunidades é intensificado com a Revolução Industrial. Com o advento da indústria, em especial na Inglaterra, novos meios de produção começaram a ser desenvolvidos, o que também resultou em novas técnicas de produção.

O uso do ferro e de outros metais para o desenvolvimento das máquinas tornou necessário a investigação do desenvolvimento de ligas metálicas. As ligas metálicas são combinações de metais que, juntos, apresentam mais funcionalidades a serviço da indústria, como maior melabilidade, conductibilidade, dureza e outras características.

Estas investigações acabaram por levar a outros caminhos,que fizeram surgir técnicas que tornaram possível recriar, em laboratório, elementos que antes eram encontrados apenas na natureza.

O primeiro elemento que foi recriado em laboratório foi a ureia. No ano de 1828 o químico Friedrich Wohler desenvolveu uma amostra de ureia em laboratório a partir do aquecimento do cianato de amônio. Este procedimento ficou conhecido como síntese e Wohler e pôs fim a teoria da força vital.

Entre os anos de 1854 e 1862, o químico Pierre Eugene Marcellin Berthelot investiu suas pesquisas na busca pela síntese do acetileno, obtendo sucesso ao final da pesquisa. Em 1866, o mesmo cientista consegue realizar a polimerização do acetileno em benzeno, através do processo de aquecimento. O sucesso de suas pesquisas funcionam como um marco definitivo para o fim da teoria da força vital.

Química orgânica: como tudo começou e os corantes na indústria.

Durante o século XIX, uma das primeiras aplicabilidades das descobertas no campo da química orgânica foi na área de corantes para a indústria têxtil.

Em 1856, o químico inglês William Perkin desenvolveu, em laboratório, o primeiro corante sintético, denominado mauveína. A partir desta descoberta, Perkin desenvolveu vários outros corantes,além de perfumes, que colaboraram para o desenvolvimento da indústria.

Após as aplicações na indústria têxtil, começaram a surgir aplicações na área da saúde, no que hoje é denominado como indústria farmacêutica. Um marco nesta indústria foi a sintetização do ácido acetilsalicílico, feito pela indústria Beyer, na Alemanha.

A importância do conhecimento químico foi tão significativa que passaram a surgir escolas especializadas, em especial na Alemanha, a partir de 1897.

Classificações dentro da química orgânica.

A química orgânica acabou por tornar-se um grande campo de pesquisa nas ciências químicas, com problemáticas e nomenclaturas próprias.

Em química orgânica, as classificações são feitas a partir da quantidade de elementos de carbono que há em cada cadeia, o tipo de ligação e a função orgânica do composto.

Prefixos: são colocados conforme o número de carbonos que há na cadeia, conforme a lista abaixo:

Met = 1 carbono

Et = 2 carbonos

Prop = 3 carbonos

But = 4 carbonos

Pent = 5 carbonos

Hex = 6 carbonos

Hept = 7 carbonos

Oct = 8 carbonos

Non = 9 carbonos

Dec = 10 carbonos

Undec = 11 carbonos

Dodec = 12 carbonos

Tridec = 13 carbonos

Tetradec = 14 carbonos

Pentadec= 15 carbonos

Hexadec = 16 carbonos

Heptadec = 17 carbonos

Octadec = 18 carbonos

Nonadec = 19 carbonos

Eicos= 20 carbonos

Os infixos são as palavras que adicionamos ao nome do composto, relativo a quantidade de ligações.

Uma ligação simples = an

Uma ligação dupla = em

Duas ligações duplas = dien

Três ligações duplas = trien

Uma ligação tripla = in

Duas ligações triplas = diin

Três ligações triplas= triin

Uma ligação comum e uma ligação tripla = enin

Por fim, há os sufixos, que indicam qual a função orgânica do composto, conforme a lista a seguir:

– Hidrocarbonetos

Ácidos carboxílicos

Cetonas

Aldeídos

Álcoois

Ésteres

Aminas.

Para definir o nome e a classificação de um composto orgânico, devemos seguir as nomenclaturas que foram descritas acima.

Química orgânica hoje:

A química orgânica foi fundamental para o desenvolvimento científico e industrial durante o século XX. Em especial, a descoberta do petróleo e a possibilidade de fracioná-lo em porções menores tornou o progresso da humanidade extremamente rápido.