Ciências Sociais e Ciências Naturais


O nome “Sociologia” indica que se trata do estudo da sociedade. Mas indica também (e mais importante) que as sociedades humanas podem (e devem) ser estudadas de maneira científica.
Surge daí uma questão central: o que significa esse estudo científico? Ou melhor, como se define a cientificidade da Sociologia? Para essas perguntas, há várias respostas possíveis, que estabeleceram diversas tradições na Sociologia.

Uma discussão muito conhecida sobre esse assunto é a seguinte: ou a Sociologia (e as Ciências Sociais e as Ciências Humanas) adota(m) critérios semelhantes aos das Ciências Naturais; ou a Sociologia (para ficarmos no nosso caso) adota parâmetros específicos em oposição às Ciências Naturais.

Ciências Sociais

Quais são os procedimentos das Ciências Naturais? Elas buscam regula ri d a d e s entre os fenômenos observa­dos. Dá-se o nome de leis naturais a essas regularidades. Por exemplo, a Lei da Gravitação Universal: dois corpos sempre se atraem com uma intensidade que varia de acordo com a massa de cada um deles e com a distância que os separa. Tais leis devem ser abstratas, ou seja, devem ser formulações gerais, em vez de referirem-se a casos específicos e concretos, e devem ser passíveis de verificação empírica. Por fim, além de explicarem a realidade, elas buscam prever acontecimentos.

No caso de a Sociologia adotar os mesmos critérios, ela precisa buscar (e encontrar) leis sociológicas. Elas podem ser diacrônicas (ver Conceito sociológico no final desta unidade), ou seja, leis que tratem de questões sociais ao longo do tempo; ou sincrônicas (ver Conceito sociológico no final desta unidade), que, deixando de lado a passagem do tempo, refiram-se à realidade social em um momento qualquer.

Para isso, o sociólogo examina a sociedade procurando distanciar-se do objeto. Esse distanciamento não é físico, mas intelectual, de modo a conseguir a objetividade necessária à pesquisa científica. O estabelecimento de leis sociológicas permite prever determinados processos, como a distinção da população entre “massa” e “elite”, ou a mudança das formas de pensar ao longo do tempo. Possibilita também intervir na prática, a fim de solucionar ou evitar problemas e dificuldades sociais.

As correntes que afirmam a oposição entre a Sociologia e as Ciências Naturais preocupam-se não com gene­ralizações que expliquem a sociedade e permitam previsões, mas com estudos aprofundados de casos específicos que compreendam as motivações subjetivas dos seres humanos envolvidos.

O que há de específico nessas correntes, então, é a utilização da subjetividade do pesquisador como instru­mento por excelência da pesquisa. Por meio da empatia com outros agentes sociais, os sociólogos são capazes de entender as intenções, as interpretações, os estados subjetivos que estudam e perceber as várias relações que os indivíduos estabelecem subjetivamente entre si. A objetividade das pesquisas é obtida por meio da crítica pública dos procedimentos utilizados e dos resultados obtidos. Ainda assim, são possíveis algumas generalizações, embora fracas e específicas a situações determinadas, como o aumento da burocracia do governo e das empresas privadas nas sociedades ocidentais ou o desenvolvimento da visão de mundo racional no Ocidente.

CONCEITO SOCIOLÓGICO

Concepção imanentista, imanente: é a concepção segundo a qual a realidade física em que se vive é a única exis­tente, não havendo outros níveis (planos, dimensões).

Diacrônicas, diacrônico: consiste na perspectiva analítica que leva em consideração a variável “tempo” ou, de maneira mais específica, considera a história de uma sociedade.

Explicações sobrenaturais: é a explicação que, para definir como funciona “este mundo”, recorre a uma realidade externa, a um “outro mundo” ou a uma “outra realidade”.

Explicação transcendental, transcendente: é a concepção de que existe uma realidade além da que vivemos. As explicações transcendentais são aquelas que se referem ao transcendente para explicar o mundo, ou seja, que afirmam que “este mundo” só é explicável pelo que acontece no “outro mundo”.

Materialismo: é o princípio filosófico que afirma que é possível explicar a realidade a partir da matéria.

Métodos quantitativos: são métodos que buscam generalizações por meio da análise padronizada de grande quantidade de indivíduos.

Modelo mecanicista, mecanicismo: é a concepção de que a realidade funciona de maneira mecânica e matemática, com princípios simples semelhantes à Física newtoniana.

Sincrônicas, sincrônico: é a perspectiva analítica que examina a sociedade em um momento específico, desconsi­derando-se a variável “tempo”.

Verificação empírica: são os procedimentos adotados para testar na realidade prática uma afirmação científica qualquer, isto é, para verificar se uma afirmação científica tem correspondência na realidade. Com isso, é possível controlar a veracidade das teorias científicas e modificá-las de acordo com os resultados das experiências ou dos procedimentos adotados.

Vontades absolutas, absoluto, absolutismo filosófico: consiste na perspectiva que busca realidades válidas por si mesmas, independentemente de considerações históricas, sociológicas e intelectuais. Em particular, busca responder às questões: “de onde viemos” e “para onde vamos”, ao investigaras causas primeiras e finais.