Socialismo segundo Weber e Durkheim


O SOCIALISMO SEGUNDO WEBER

A discussão de Weber sobre o socialismo está presente em seu livro clássico Economia e sociedade, mas está sintetizada também em uma conferência que ele realizou em 1918 para um círculo de oficiais do exército austríaco.

Ao final da referida conferência, Weber fez comentários sobre o Manifesto comunista, de Marx e Engels. Primeiro, contestou a tese de que a concorrência entre os empresários bloquearia o desenvolvimento. Para exemplificar, lembrou dos cartéis que então se formavam, amenizando os conflitos e a concorrência entre os empresários individuais. Con­testou, em seguida, a tese da uniformização da classe operária, mos­trando o surgimento de uma nova categoria de funcionários na empre­sa, justamente aqueles técnicos diplomados, por exemplo, nas esco­las de comércio (são as escolas de administra­ção de hoje). Mas, final­mente, ele reconheceu que os “operários serão sempre socialistas num sentido ou em outro”.

Socialismo segundo Weber e Durkheim

O SOCIALISMO SEGUNDO Durkheim

O primeiro contato de Durkheim com o tema do socialismo foi Logo no início de sua carreira intelectual, no final dos anos 1880, quando imaginou escrever uma tese sobre o tema das relações entre o individualismo e o socialismo. A questão que o preocupava, então, era: o excesso de individualismo ameaçava a coesão social. A razão desse individualismo estava na divisão do trabalho e era característico das sociedades mo­dernas.

O socialismo, para Durkheim, teria sido criado como uma resposta aos problemas de coesão social e aos graves conflitos entre patrões e trabalhadores. Era, portanto, uma ideia ou uma doutrina moral, mas não um sistema social, nem mesmo uma saída para os problemas econômicos de sua época. Foi nesse sentido que ele o analisou, reconhecendo-lhe qualidades essenciais.

Para o mestre francês, antes de ser um sistema econômico ou político, o socialismo apresentava-se es­sencialmente como uma questão de reforma moral.

Partindo desse ponto de vista, Durkheim afirmava que o socialismo se orientava para o futuro. Não era uma ciência ou uma sociologia em miniatura, dizia ele, contrapondo-se ao socialismo científico de Marx e Engels. Era um fato social (ver Conceito sociológico no final desta unidade) como outro qualquer e devia ser estudado friamente, sem preconceitos e por meio de um método sociológico15. Mas – era igualmente um “grito de dor” de homens que viviam “nosso mal-estar coletivo”. Por esse motivo, suscitava o interesse, exatamente como fazia um médico, quando ouvia um “gemido do doente” (ver Leitura sociológica a seguir).

O socialismo, Durkheim afirmava, tem sempre por objetivo a melhoria das condições de vida dos traba­lhadores. Ele concordava com Marx em dois pontos: as condições de vida eram de fato ruins, e o socialismo era uma resposta possível a elas.

Contudo, enquanto Marx acre­ditava que o socialismo era uma resposta inevitável da classe ope­rária ao capitalismo, Durkheim via nele a possibilidade de reforma e de integração de todos os membros da sociedade em torno de valores comuns. Essa é a diferença entre os dois clássicos.

Durkheim discutiu, em segui­da, as teorias socialistas então em voga, afirmando que elas se rela­cionavam às funções econômicas e aos órgãos diretores e conscientes da sociedade. Essas teorias eram estudadas como um fato social, na verdade, fatos ideológicos (porque são ideologias socialistas) cuja função seria guiar os indivíduos e cuja existência seria reflexo de problemas econômicos concretos. Não havia, portanto, como pensar o socialismo como um acontecimento revolucionário. Mas, como sistema social, o socialismo poderia ser resultado de um processo democrático e partilhado de construção de uma nova cidadania que superasse o egoísmo dos indivíduos e mesmo aquele da classe operária. Em conclusão, o socialismo era apenas um sistema social que organizaria a sociedade sob valores mais solidários.