Cultura Nok africana


Ao falar sobre a história do continente africano, principalmente quando saímos daquela tradicional região historicamente muito conhecida que abrange o Egito e todos os países banhados pelo Mar Mediterrâneo, é importante frisar que grande parte das informações pode não ter a exatidão perfeita. E os motivos para esta aproximação de informações são muitos: falta ou destruição de documentos ou outros escritos que comprovem as histórias, variedade de mitos e contos até mesmo fantasiosos de pessoas que moram nas regiões, dificuldade em explorar sítios arqueológicos que poderiam fornecer informações precisas, entre outros.

De qualquer forma, é importante conhecer mais daquele que é considerado o continente berço do homem moderno: a África. Uma das mais importantes civilizações antigas do continente africano é a civilização Nok. A cultura Nok africana é o conjunto de objetos e obras encontrados numa região do atual território da Nigéria, próximo à aldeia chamada Nok. A escassez de informações é tão grande que não é possível determinar nem qual foi o nome correto desta civilização, uma vez que o nome “Nok” é dado em alusão ao nome da aldeia onde foram encontrados os primeiros destes objetos.

Cultura Nok

A civilização Nok floresceu entre os séculos V a.C e II d.C. Não se sabe ao certo como e por que ela foi destruída, mas os objetos que restaram contam um pouco do que foi a cultura Nok africana e como isso pode ter influenciado em todo o conhecimento que se tem sobre o continente africano.

Os objetos feitos com terracota

Utilizando-se de barro, cerâmica, bronze e ferro fundido, os membros da civilização Nok desenvolveram um estilo próprio ao criar objetos que hoje são considerados como sagrados para grande parte das pessoas que moram na região centro-norte da Nigéria. O principal objeto produzido pela cultura Nok africana foi a Cabeça de Jemaa. Encontrado em 1942, este objeto demonstra os principais traços da arte Nok:

• Preferência por representações humanas: os Nok gostavam de criar objetos relacionados aos próprios seres humanos. Os traços são marcantes e, segundo especialistas, retratam de uma forma única os traços das pessoas que formavam as tribos da região. No entanto, na grande maioria das vezes, os rostos não eram recriados com fidelidade. É comum encontrar cabeças humanas feitas de terracota, mas com formatos distorcidos, como queixos avantajados e com desproporcionalidade entre a cabeça e outras partes do corpo;

Reprodução de animais: a arte Nok africana envolve a criação de objetos que representavam os animais que viviam entre os humanos. A grande diferença entre os objetos que mostravam pessoas e os que mostravam animais é a reprodução fiel (aqui, ao dizer fiel, leia-se o mais próximo que podiam chegar de uma reprodução fiel feita à mão) do animal na maioria das vezes. Especialistas acreditam que os Nok não reproduziam os humanos com perfeição de propósito, pois acreditavam que isso poderia influenciar negativamente a vida das pessoas envolvidas;

• Variedade de formas geométricas: os Nok criaram objetos de várias formas geométricas. Já foram encontrados rostos humanos na forma circular, cilíndrica, triangular, entre outras. Estudiosos afirmam que esta variedade é fruto da imaginação das pessoas que criavam tais objetos e que isso acontecia para evitar que os rostos fossem cópias fieis de pessoas reais.

A cultura Nok africana e a manipulação do ferro

Além dos objetos produzidos a partir de terracota e outros materiais relacionados à pedraria, os membros da civilização Nok podem ter começado a utilizar siderurgia ainda na segunda metade do primeiro milênio a.C. Esta afirmação é feita com base na descoberta de fornos muito antigos na região onde a civilização Nok floresceu e permaneceu por muito tempo. Além disso, alguns objetos encontrados e creditados aos Nok possuem traços de ferro e outros metais, como bronze, o que ajuda a entender melhor como era o processo de fabricação de tais objetos e como era a cultura deste povo.

Hoje, além dos objetos que mostram uma arte apurada e peculiar, sabe-se que a cultura Nok africana era muito voltada às entidades que eles cultuavam – e que muitas pessoas da região ainda cultuam – e que sua vida baseava-se apenas na criação de alguns produtos agrícolas, como o inhame, e produziam óleo de palma. A pecuária não era uma grande atividade econômica, embora – segundo muitos objetos encontrados – os animais tivessem grande importância no dia a dia dos membros da civilização.

O que se sabe atualmente sobre a cultura Nok africana ainda é pouco, mas ajuda a preencher algumas lacunas na antiga história do continente africano. A língua, as artes e as técnicas para forjar ferro influenciaram muitos outros povos que passaram pela região da bacia do rio Níger. Mas assim como outras tantas regiões do continente africano, a região dos Nok mostra quão rica e diversa foi a história do continente e quanto foi perdido por conta da colonização predatória dos europeus nesta região tão importante do globo terrestre.