O Humanismo


O Humanismo é uma corrente filosófica e artística que teve lugar no período de transição da Idade Média para a Idade Moderna. No âmbito da literatura fez a transição do trovadorismo para o classicismo. Está diretamente ligado à Renascença, movimento que surgiu em Florença, na Itália, e se alastrou pela Europa.o-humanismo

O Humanismo marca a transição do pensamento teocentrista, presente na Idade Média, para o antropocentrismo, tendo o homem como centro das reflexões e formulações filosóficas.

O movimento humanista recorre à antiguidade clássica para erguer seus próprios valores, dando fomento a um avanço científico, motivado pela sede de conhecimento e compreensão melhor do homem e do mundo.

O avanço do movimento humanista é proporcional à perda de poder da Igreja Católica, que impunha um sistema de pensamento com base na não contestação de verdades absolutas, justificadas na “vontade divina”.

O humanismo rompe com esse sistema e valoriza o pensamento, a razão, a investigação, a descoberta e a produção de novos conhecimentos.

O movimento surge num momento em que as forças sociais se realinham. Surge uma classe capitalista, basicamente mercantilista, ascendem ao poder os príncipes nas grandes cidades italianas e surgem os conflitos de classes, ao mesmo tempo que a riqueza começa a mudar de mãos, saindo da propriedade exclusiva da Igreja Católica, dos senhores feudais, da monarquia e da nobreza para abastecer uma nova classe capitalista.

Surgem, nesse período, os primeiros bancos e uma nova organização econômica.

Ainda que seja um movimento que iniciou o rompimento da sociedade europeia com os valores medievais, o Humanismo é chamado de Segunda Idade Média. Como não poderia ser diferente, teve início na Itália, onde eram mais evidentes os sinais de mutações drásticas no desenho social, por meio do poeta Francesco Petrarca. O movimento teve em Dante Alighieri, autor da “Divina Comédia”, um dos maiores clássicos da literatura, um de seus principais expoentes.

Encontrou em Gil Vicente, teatrólogo português, seu principal artesão na arte dramática. Ao ponto de ter dado origem ao que foi batizado de “teatro vicentino”, um compêndio de comédias, autos e farsas, redigidos em castelhano e português, num total de 44 obras, marcadas pela abordagem cômica, farsesca e satírica, mas com forte inclinação moral em favor da doutrinação cristã, característica muito presente, também, na “Divina Comédia”, de Alighieri.

Enquanto as digressões morais de Alighieri, na Divina Comédia, são, ao mesmo tempo, mais diretas e alegóricas, Gil Vicente recorre a tipos comuns, como a alcoviteira, a beata, o fanfarrão, o judeu ganancioso, o médico incompetente, a adúltera e o pároco corrupto para instrumentalizar valores e ensinamentos morais, como no famoso “Auto da Barca do Inferno“.

Conexões históricas

Há uma grande confusão, e é até bastante natural que aconteça, entre Humanismo, Renascimento e Iluminismo.

O que diferencia, mas não separa, o Iluminismo do Humanismo é o caráter ideológico e político do primeiro, ante o caráter meramente filosófico, artístico e cultural do humanismo.

O humanismo se debruça sobre valores morais, sobre a ciência, sobre a religião e refinamento do conhecimento. Ambos os movimentos andam em paralelo às mudanças no desenho econômico da Europa entre o século XIV e XVIII, mas a verdade é que o Iluminismo, assim como o Movimento Renascentista se alimentam, na verdade, do pensamento humanismo, que um traço histórico, presente mesmo na Antiguidade Clássica.

A verdade é que os períodos onde valores humanistas floresceram acabaram marcados por grandes avanços políticos, econômicos e sociais. Valores como a busca incansável pelo conhecimento, a verdadeira virtude associada ao saber e o racionalismo estiveram fortemente presentes em Sócrates e Platão, cujos valores morais nasciam da comprovação e não do mero reconhecimento.

Posteriormente, também em Atenas, surgiram os estoicos, que aprofundaram princípios humanistas, reconhecendo a razão como base da percepção e o homem como centro das formulações filosóficas.

Não é de se estranhar que o Renascimento esteja tão impregnado pelos estudos da Antiguidade Clássica e recuperação dos seus valores, bem como de seus principais pensadores.

Principais autores do Movimento Humanista

Percebe-se, claramente, que o movimento humanista do final da Idade Média é, essencialmente, literário, se debruçando sobre o ser humano numa abordagem racional, tendo como matéria o universo composto pela psique, emoções e valores morais dos personagens.
Destacaram-se, além de Petrarca, Alighieri e Gil Vencente:

– Giovanni Bocaccio (1313-1375) – Poeta humanista, tido como decano da prosa italiana, Boccacio é o autor da famosa novela “Decamerão”, além de Mulheres Famosas, Teseida e Filocolo.

– Erasmo de Roterdã (1466-1536) – Autor de “O Elogio da Loucura”, publicado em 1509, na qual defende que o pensamento humano deve ser livre, preconizando pensadores iluministas, nasceu na Holanda e foi o autor de Colóquios Familiares, Os Pais Cristãos e Preparação para a Morte.

– Fernão Lopes (1390-1460) – Foi quem deu início ao humanismo português ao ser nomeado cronista-mor da Torre do Tombo, no ano de 1418. É considerado o fundador da historiografia portuguesa.

– Michel de Montaigne (1533-1592) – Criador do gênero literário chamado de ensaio pessoal, autor da obra Ensaios, de 1580, Montaigne foi um humanista francês.