Renascimento Artístico: a luz, a cor e a perspectiva


O Renascimento Artístico e Cultural, que chegou à Europa entre os séculos XV e XVI, rompeu com as tradições e os valores medievais e preparou o mundo para uma revolução tanto da literatura, quanto da política, religião e outras áreas sociais e culturais. Durante o século XI, o continente passava por um renascimento urbano e cultural, fato que culminaria em transformações graduais para as cidades italianas, principalmente a partir do século XII.

Da Itália, o Renascimento se popularizou por outros países, como Alemanha, Inglaterra e Países Baixos. Na Espanha e em Portugal, chegou com menor intensidade. Mesmo assim, influenciaria as visões de mundo dos artistas e da sociedade em geral.

Nessa época, os códigos cavalheirescos deram lugar à afetação da burguesia. Se a pintura medieval valorizava a simbologia, o rígido e o bidimensional, o movimento Renascentista buscava integrar o espaço tridimensional, o que era humano e natural. Já a perspectiva deveria passar a impressão de profundidade.

Renascimento Artístico

A criatividade que eclodiu com o Renascimento valorizava os valores greco-romanos e despertava a esfera antropocêntrica e materialista dos homens, ao afastar o fanatismo religioso e a valorização das obras em plano reto.

O Renascimento deu espaço para que os homens reproduzissem sentimentos e ideologias

Agora, a ideia era deslocar todas as características inspiradas no Divino para o que havia de mais Humano. Por isso, há uma corrente renascentista chamada de Humanismo, que se estende pela Europa Ocidental por, pelo menos, um século. O período não se caracteriza por apenas reproduzir as obras da Antiguidade Clássica, mas as utiliza como inspiração para recusar os valores medievais.

O Renascimento Artístico introduz, além do Antropocentrismo e do Humanismo, alguns fundamentos hedonistas, como a exaltação do indivíduo, a busca máxima pelo prazer, a supremacia individual dentro de um determinado grupo social, o racionalismo e o otimismo. As esculturas e as pinturas, portanto, passaram a se basear nos fundamentos racionais e matemáticos (tais como equilíbrio, harmonia e perspectiva) e nas observações de mundo.

Alguns dos artistas principais do movimento renascentista foram Michelangelo Buonarroti, Leonardo da Vinci e Rafael Sanzio. A expressão Renascimento é atribuída, muitas vezes, ao italiano Giorgio Vasari. Segundo alguns estudiosos, ele usara esse termo para ressaltar a beleza cultural e artística que perpassava pela Itália na época. Outros pesquisadores, contudo, reivindicam para o francês Jules Michelet a utilização da expressão.

Seja como for, a Itália nesse período foi beneficiada pela abundância de monumentos, estátuas e ruínas clássicas que inspiraram os artistas. O belo do ser humano ganhava destaque, os desenhos se destacavam pela nitidez e as ideias dos autores das obras se tornavam mais evidentes. A beleza dos trabalhos, contudo, não seria possível sem a ajuda dos mecenas que, com o objetivo de demonstrar o poder que exerciam, eram quem patrocinava as mais variadas formas de trabalho.

Na arquitetura, ao “beberem” nas fontes clássicas, os mestres perceberam que a geometria euclidiana estava presente na base de todas as construções. Por isso, a utilização da perspectiva para conseguir edificações harmônicas. Os palácios também foram edificados no formato plano e tinham o quadrado como base. Assim, criava-se um corpo com um pátio quadrangular no centro. Toda essa criação tinha como proposta propiciar luz ao ambiente interno.

De caráter humanista e individualista, o Renascimento dissolveu perspectivas medievais e afastou o misticismo religioso

Mesmo sendo antropocêntrica e racional, o Renascimento Artístico ainda guardou a ideologia cristã para as artes. Desse modo, as igrejas receberam um estilo novo, identificado pela racionalidade e funcionalidade, cruz grega ou plano centralizado.

O humanismo se expressou profundamente na escultura. Através da proporção geométrica e da perspectiva, as figuras humanas ganharam destaque em primeira perspectiva. A escultura também se torna independente. Assim, um monumento ao ser posto sobre a base, permite ser contemplado por vários ângulos.

Os itens que se destacaram dentro da escultura foram as expressões das figuras e a própria expressão corporal dos monumentos. Os corpos revelavam equilíbrio. Os músculos eram de proporções exatas e suavemente torneados. As expressões das figuras também se distinguiam por retratar os sentimentos humanos. Apesar de contrariar a moral cristã que predominava no período, o nu começa a ser reutilizado para revelar o naturalismo.

Duas inovações marcariam o Renascimento Artístico. O uso da perspectiva, por exemplo, dava aos artistas a opção de reproduzir os espaços reais. Noções de volume e profundidade, colaboradas com o uso do jogo de cor, evidenciava os elementos mais relevantes. Isso permitia que os elementos secundários ficassem obscurecidos. Variar as cores quentes e frias e manejar a luz criava volumes e distâncias. Além disso, a tinta a óleo oferecia maior qualidade às telas. Tudo para que as obras recebessem tons de realidade e ganhassem maior durabilidade.

A fase do Renascimento Artístico foi marcada pela valorização do homem individualista e o progresso da burguesia. Foi aí que surgiram os primeiros retratos de famílias e indivíduos. Isso não suprime, contudo, as produções de características religiosas.

Recebeu destaque nos Países Baixos a reprodução dos rostos naturais. As paisagens, a flora e a fauna também eram retratadas com exatidão extrema. Percebe-se, desse modo, que o Renascimento Artístico foi uma luz que permitiu aos homens expressarem seus sentimentos e ideologias através das obras, ao mesmo tempo em que se reproduziam os aspectos políticos, sociais, econômicos e culturais de vários séculos.