Surrealismo


Caracterizado por obras bizarras e bem diferentes de outros conceitos já abordados, o Surrealismo foi uma vertente artística que surgiu em Paris na década de 1920. O grande foco do movimento artístico era explorar o irracional, adotando conceitos que causavam forte impacto no público e gerar uma combinação do abstrato com o inconsciente de forma que impressionasse quem o contemplava.

Surrealismo

O movimento do Surrealismo foi exercido tanto na parte artística como na literária com participações de artistas e poetas consagrados como Antonin Artaud, Salvador Dalí, Max Ernst e o principal representante e idealizador do movimento, André Breton. Esse último era um forte crítico e defensor da vertente porque acreditava que as influências das teorias psicanalíticas de Sigmund Freud auxiliavam artistas a explorarem o imaginário de forma mais forte e torná-lo mais palpável através de textos, pinturas e também do cinema.

O início e as fundamentações do movimento/h2>

O movimento surrealista surgiu na década de 20, mas só foi atingir seu auge quatro anos após suas primeiras manifestações com a apresentação do Manifesto Surrealista feito por André Breton. Antes disso, artistas, poetas e outros autores praticaram trabalhos que serviriam de inspiração para projetos ainda mais desenvolvidos e ambientados dentro do movimento.

A estética dessa vertente, além de Freud, era seguida fortemente pelo pensamento de Pierre Reverdy. Segundo ele, uma imagem surge através de duas realidades que se encontram e criam uma nova forma e não na base de comparações. Essas realidades, por estarem distantes e não terem um contato contínuo, possibilitam a descontextualização sobre a forma de ver o mundo e torna possível novos olhares de maneiras inusitadas e impressionantes.

A partir desse pensamento, se tem três características básicas para que o Surrealismo pudesse atingir proporções consideráveis:

• O estilo é a combinação do representativo, ou seja, o irreal é representado de maneira livre e sem preconceitos. A combinação entre sonho e realidade é permitida, mas deve incentivar a construção de um diálogo com outras maneiras de ver o mundo;

• Não se devem guiar as manifestações surrealistas pela base da razão. O imaginário não possui regras, não possui limitações e nem é obrigatório ser algo lógico;

• Recursos podem ser utilizados para que as representações surrealistas sejam compreendidas. O humor, a reflexão (excluindo a razão) e a alucinação são as ferramentas mais usadas pelos surrealistas. Em contrapartida, qualquer princípio ou regência relacionado à família, honra, dever, proteção ou religião não é aproveitado por serem fatores que limitam a capacidade criativa.

Um detalhe interessante a ser abordado é que essa manifestação nem sempre precisa se concentrar numa fonte consciente. Isso quer dizer que obras podem fazer sentido ou não, se for o caso. Entretanto, se a arte consegue se comunicar com o público de forma a criar reflexões acerca do que é a realidade absoluta, a libertação do homem e o papel do inconsciente para a capacidade de criar novas obras, então é algo a ser aproveitado dentro da vertente.

Essa rigidez contra os padrões foi sentida com mais nitidez na arte, com técnicas de onirismo e de escrita automática. Essas e muitas outras obras e peças como o cubismo, a peça As Mamas de Tirésias e a obra O Castelo dos Pirineus foram outros exemplos da manifestação artística.

Formas de manifestação e relação com o dadaísmo

O dadaísmo foi um conceito bastante influente para o surgimento do Surrealismo. A necessidade de se definir o modernismo após eventos que abalaram o planeta, como é o caso da Segunda Guerra Mundial, atiçou muitos artistas, escritores e cineastas a adotarem esse conceito em seus trabalhos para que a sociedade se livrasse do fascismo e conquistasse independência, inclusive à arte.

O cubismo e o expressionismo foram grandes exemplos nessa contextualização. A escrita automática, a colagem e outras metodologias foram muito praticadas, especialmente por Salvador Dalí, que foi inspirado a pintar uma de suas mais famosas obras, A Persistência da Memória.

A amplitude da manifestação chegou aos ares políticos, com a criação do grupo Os Surrealistas. Encabeçados por André Breton, o grupo surgiu em 1947 com o intuito de quebrar paradigmas quanto ao conservadorismo nas expressões artísticas. O grupo surgiu em Portugal e muitos artistas se tornaram adeptos do grupo que chegou a ter somente uma exposição em 1949. Quadros foram pintados e expostos em Portugal como protesto contra o regime político do país que instaurava a censura artística na época.

No entanto, a exposição foi barrada, mesmo com a tentativa de realizar mais duas amostras. O movimento surrealista então perdurou por mais 6 anos, com o fim do grupo e com a divulgação das últimas obras inspiradas pela manifestação. A obra de Vespeira e Fernando Azevedo, O Chiado, foi a última pintura associada ao movimento, mas que serviu de inspiração para outros artistas que viriam apresentar seus trabalhos após o fim da vertente. Outros artistas, como Salvador Dalí, passaram a fazer trabalhos individuais em conceitos próprios e isolados da ideia.