José Saramago


O escritor mais premiado da língua portuguesa nasceu na aldeia de Alzinhaga, província do Ribatejo, Portugal em 1922. Sua família é camponesa, mas seus pais se mudaram para Lisboa quando tinha apenas dois anos de idade, onde cresceu.

José Saramago

José Saramago não conseguiu prosseguir com seus estudos de secundarista por motivos financeiros, mas sempre mostrou interesse sobre as informações e culturas. Começou a trabalhar muito jovem e em diversas profissões que foram desde serralheiro mecânico a jornalista. Seu primeiro livro foi publicado em 1947, o romance “Terra do Pecado”.

Vida e Carreira de José Saramago

Casou-se três vezes, sendo a primeira com Ilda Reis, que lhe deu sua única filha, Violante dos Reis Saramago. Se separou de Ilda em 1970 para viver um romance com Isabel da Nóbrega, também escritora, até 1986. Por fim, casou-se com Maria Del Pilar Del Rio Sanchez, com quem viveu até sua morte, em 2010.

Faleceu aos 87 anos em decorrência de uma leucemia. Seu velório teve honras de Estado e suas cinzas foram depositadas aos pés de uma oliveira, conforme era seu desejo. José Saramago fez diversos trabalhos aliados a seu oficio de escritor, até que em 1975 foi demitido do Diário de Lisboa e decidiu se dedicar apenas a literatura. Embora todos os seus livros tenham sido marcantes, sua marca literária só começou a surgir com “Levantando do Chão”, de 1980, onde se consagrou.

Em 1998 ganhou o primeiro prêmio Nobel de Literatura dado para um escritor da língua portuguesa. Também recebeu o Prêmio Camões, o mais importante destinado a escritores de português. Dentre outros grandes prêmios estão ainda o da Ordem Militar de Santiago da Espada, onde recebeu a honraria de ser nomeado Grande Colar da Ordem.

Livros de José Saramago

Sua linha literária é o estilo oral, mais preocupado com as tradições populares do que com a ortografia rígida. Usa da persuasão, intervenção, da retórica e da dialética para escrever suas histórias. Dessa forma, as frases são longas e a pontuação específica de seu modo de escrever.

Sua forma de escrever é única em toda linguagem atual e é considerado por muitos críticos como o mais talentoso romancista contemporâneo. Suas histórias proporcionam ao leitor inúmeras variações de sensações entre o que é real ou apenas uma reflexão do personagem.

Seus textos apresentam uma imagem dolorosa dos tempos, do indivíduo e da sociedade. Muitos deles causam um impacto tão profundo, que deixa o leitor “desmontado”. Saramago utiliza de todos os instrumentos para ser único, desde sua forma de escrever, seu direcionamento literário até as histórias que conta, tais como: “Levantando do Chão” 1980, “Memorial do Convento” 1982, “O Ano da Morte de Ricardo Reis” 1984, “História do Cerco de Lisboa” 1989, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” 1991, “Ensaio Sobre a Cegueira” 1995, “Ensaio Sobre a Lucidez” 2004, “Intermitências da Morte” 2005 e seu último livro “Caim” 2009.

Um dos seus livros mais conhecidos é Ensaio sobre a Cegueira, considerado um marco em sua carreira e também avaliado como o estopim que faltava para que o Prêmio Nobel lhe fosse concedido. Foi lançado no cinema sob a direção de Fernando Meireles e estrelado por Julianne Moore, Mark Ruffalo, Gael Garcia Bernal e Alice Braga.

Posições Pessoais, Religiosas e Políticas

José Saramago era membro do Partido Comunista Português, para então fundar a Frente Nacional Para Defesa da Cultura, ao lado de outros artistas e escritores. Em 2007 lançou a Fundação José Saramago, para de propagar os Direitos Universais dos Seres Humanos, além de levantar as questões sobre a natureza e sua devastação. Também foi diretor adjunto do jornal Diário de Notícias.

Sua atuação como diretor do jornal tinha como intuito principal o de servir como instrumento para a construção do socialismo, a partir do povo. Seus textos de primeira página, não eram assinados e vistos como editoriais do jornal, sempre em oposição a dirigentes capitalistas como Mario Soares, valorizando o que possuíam o ideal comunista.

Como ateísta e liberal, sempre esteve no meio de polêmicas religiosas e até acusações de ser antissemita, devido a sua posição contrária a Israel no conflito com a Palestina. Mas sua carreira teve como principal alvo a igreja católica, considerada uma instituição fascista por ele. Por ter nascido num país católico e cujas críticas a igreja ainda serem um tabu, Saramago se sentiu à vontade em abordar a Bíblia em parte de seu trabalho, sempre a colocando como um “manual de maus costumes”, baseados nos episódios de violência do Primeiro Testamento.

Apesar das críticas, José Saramago sempre considerou a Bíblia um livro admirável, sob o ponto de vista puramente literário. Ao escrever o livro “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, conseguiu piorar ainda mais a sua relação com a igreja, já que os católicos se sentiram ofendidos com seu ponto de vista sobre a vida de Jesus e o vaticano publicou uma crítica ao prêmio Nobel, por Saramago ser considerado por eles como um “comunista inveterado”.

Tudo só piorou com o lançamento de “Caim”, em 2009, recebendo várias manifestações críticas de praticantes e líderes da igreja.