Lima Barreto


Afonso Henriques de Lima Barreto, mais conhecido como Lima Barreto, foi um jornalista e escritor brasileiro, nascido em 1881 no Rio de Janeiro. De família humilde, era mestiço e foi alvo de preconceito racial durante toda sua vida. Escreveu romances, crônicas, contos, sátiras e artigos em revistas.

Lima Barreto

Hoje, Lima Barreto é reconhecido como um dos grandes autores nacionais, mas não foi tão celebrado assim enquanto vivo e parte de suas obras foi publicada somente depois de seu falecimento. Em seus textos, criticava a sociedade carioca e brasileira em geral, bem como se utilizava de experiências próprias em alguns de seus livros, que são considerados quase autobiográficos.

A vida de Lima Barreto

Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no Rio de Janeiro em 13 de maio de 1881. Era filho de um tipógrafo e uma professora de primário, ambos filhos de escravos. Ficou órfão de mãe aos 6 anos de idade, quando seu pai arrumou um emprego em um asilo de loucos na Ilha do Governador para poder sustentar os 4 filhos.

Foi apadrinhado pelo Visconde de Ouro Preto, que ajudou o afilhado em seus estudos. Estudou no colégio Dom Pedro II, aonde se formou no curso secundário. Ingressou na faculdade de Engenharia, na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, mas nunca se formou.

Em 1904, é obrigado a abandonar o curso de Engenharia, pois seu pai foi internado com problemas mentais. Assim, Lima Barreto passou a ser o responsável pelo sustento da família. No mesmo ano, ele presta concurso para trabalhar como escriturário no Ministério da Guerra e acaba sendo aprovado.

Nessa época, colaborava com quase todos os jornais da cidade – mas ainda como estudante ele já escrevia para a publicação Quinzena Alegre e a Revista da Época. Passa a colaborar com o Correio da Manhã, um jornal bastante prestigiado, em 1905.

“Recordações do Escrivão Isaías Caminha”, seu primeiro romance e um de seus livros mais reconhecidos, foi parcialmente publicado em 1907 na revista Floreal, fundada por ele mesmo. Só dois anos depois essa obra seria editada e publicada integralmente por uma editora.

Mesmo com seu trabalho como escritor e jornalista, seu sustento e o dos irmãos vinha do emprego como funcionário público. Era simpático ao anarquismo e escreveu para vários veículos socialistas. Escreveu para diversas publicações famosas da época, como as revistas Careta, Fon-Fon e Brás Cubas.

Sua principal obra, “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”, foi publicada no Jornal do Commercio, em 1911. Pagou a edição do livro do seu próprio bolso, que saiu em 1915.

Tinha problemas com o alcoolismo e a depressão, o que fez com que levasse uma vida isolada, cheia de altos e baixos. Em 1914, foi internado por 60 dias em um hospício para tratar o alcoolismo. Aposentou-se do emprego no Ministério da Guerra em 1918.

Foi internado novamente em 1919, e retratou sua experiência no livro “Cemitério dos Vivos”. Morreu no dia 1º de novembro de 1922 aos 42 anos, no Rio de Janeiro, vítima de um ataque cardíaco em decorrência do alcoolismo. Foi enterrado no Cemitério de São João Batista.

Estilo e suas principais obras

A obra de Lima Barreto é bastante característica:

O estilo de sua escrita não respeitava os padrões literários da época em que viveu; não seguia o formalismo, era coloquial e despojado, ainda que bem escrito e fluente.

Abordava temas como desigualdades e preconceitos sociais e raciais e injustiças, além de críticas a respeito da República Velha (1889-1930).

Sua obra traz registros críticos de fatos nacionais históricos, como a política para valorizar o café, a campanha contra a febre amarela, o papel do Brasil na Primeira Guerra, entre outros acontecimentos.

Além de tratar de fatos históricos, abordava também os costumes sociais. Demonstrava em seus livros imenso carinho pelo Rio de Janeiro e seu povo sofrido.

Por apresentar características do modernismo e do realismo, é considerado um escritor de transição entre os dois estilos.

Principais obras do autor

  • Recordações do escrivão Isaías Caminha, de 1909;
  • Numa e a ninfa, de 1915;
  • O Triste fim de Policarpo Quaresma, de 1915;
  • Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá, de 1919;
  • Clara dos Anjos, de 1948 (obra póstuma);
  • Cemitério dos Vivos (1956)

Os romances “Recordações do Escrivão Isaías Caminha”, “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”, “Vida e Morte de M.J.Gonzaga de Sá” e “Cemitério dos Vivos” trazem claramente traços autobiográficos, refletindo experiências do autor, como o preconceito e sua internação.

Em História e sonhos, lançado em 1920, publicou contos. As sátiras ‘Os bruzundangas’, de 1923, e ‘Coisas do Reino do Jambom’, de 1953, foram lançados após sua morte. ‘Sátiras e outras subversões: textos inéditos’ e ‘Cartas de um matuto e outros causos inéditos’, ambos publicados em 2016, são as obras póstumas mais recentes de Lima Barreto.