Resumo Graça Aranha


José Pereira da Graça Aranha foi um escritor e diplomata brasileiro nascido em São Luís do Maranhão, em 21 de junho de 1868. Filho de nobres e com alto potencial intelectual, graduou-se em direito pela Faculdade de Recife.

Resumo Graça Aranha

Durante a sua graduação, ele foi um dos seguidores do grande filósofo, porta, crítico e jurista brasileiro Tobias Barreto, cujas ideias o influenciaram profundamente na sua carreira. Nessa fase, Aranha teve um dos seus primeiros trabalhos escrevendo o prefácio do livro Concepção monística do universo, de Fausto Cardoso.

Logo depois, Graça Aranha obteve o cargo de Juiz de Direito no Rio de Janeiro. Tempos depois, ele ocupou a mesma função na cidade de Porto Cachoeiro, no Espírito Santo, e, tempos mais tarde, obteve a nomeação como participante na carreira diplomática na Europa.

Além disso, Graça Aranha foi um dos grandes fundadores da Academia Brasileira de Letras, onde tornou-se titular ocupando a cadeira de número 38 mesmo sem ter lançado nenhuma obra. Porém, teria revelado a Machado de Assis e a Joaquim Nabuco alguns trechos do seu primeiro grande livro Canaã.

No ano de 1922, Aranha aderiu a corrente do Modernismo e rompeu as suas ideias tradicionalistas literárias que eram acompanhadas em torno de Coelho Neto. Essa decisão causou muito escândalo na época, tanto que chegou a conclamar os acadêmicos para modernizarem as suas instituições. Um dos seus discursos mais polêmicos sobre essa posição foi onde o autor disse a seguinte frase “Se a academia não se renova, então morra a academia.” Tempos depois, Graça Aranha desligou-se da vida acadêmica.

A decisão de Aranha chamou a atenção e causou impacto na maioria dos intelectuais e da sociedade. Por ser um autor que começou a sua carreira completamente detentor de ideias conservadoras, chegar a ponto de transformar a sua visão literária rompendo todos os padrões foi extremamente chocante para a época. Por esses e tantos outros motivos, Graça Aranha até hoje é prestigiado em meio aos intelectuais.

Na época em que Graça Aranha atuou como diplomata na Europa, ele trouxe consigo de volta ao Brasil diversas correntes novas do campo filosófico e da esfera cultural. O autor se atualiza artisticamente e adere à fase literária pós-simbolista que começava a circular pelo continente europeu.

Graça Aranha procurou trazer essas novas ideias para a literatura brasileira, tanto que em 1922 foi convidado a participar da Semana de Arte Moderna. O autor realizou um discurso de apresentação no Teatro Municipal de São Paulo onde criticou com firmeza instituições e academias que ditavam regras estéticas.

Principais obras do escritor

Ainda nessa mesma cidade de Porto Cachoeiro, Graça Aranha obteve todos os elementos necessários para criar a sua principal obra-prima como escritor. Em 1902, o autor lançou o livro Canaã, que é um dos raros exemplares da literatura simbolista brasileira e na qual obteve muito sucesso na época pela história envolvente que o livro aborda.

No ano de 1911, o autor publicou a peça chamada Malazarte. O texto foi escrito simultaneamente em português e francês, sendo levado aos canários encantadores de Paris. Através da peça, Aranha procurava criar uma simbologia brasileira baseada nos modelos de Ibsen.

O autor também foi responsável por grandes obras que ficaram abertas para a história brasileira. Entre as mais conhecidas obras, estão Correspondência entre Machado de Assis e Joaquim Nabuco, no qual desenvolve exemplar análise crítica dos autores e também ficou conhecido pelo romance A Viagem Maravilhosa.

Graça foi autor de uma palestra intitulada como “O Espírito Moderno”, na própria Academia Brasileira de Letras no ano de 1924. Nesse discurso, o autor marcou a sua ruptura definitiva com os padrões conservadores da literatura. A sua trajetória foi interrompida pela sua morte no Rio de Janeiro em 26 de janeiro ano de 1931. Porém, anos depois, fora publicado postumamente a autobiografia O Meu Próprio Romance.

O livro Canaã

A principal obra de Graça Aranha sem dúvidas é o romance Canaã. Lançado em 1902, a história conta sobre a vida de imigrantes europeus que se instalaram em uma colônia alemã no Brasil. O livro obteve sucesso literário no país, pois o autor na obra traz detalhes e aspectos de realidades do interior brasileiro.

A colônia de imigrantes europeus mencionada no texto era instalada no estado do Espírito Santo. Os grandes protagonistas da história são Mikau e Lentz, que representam duas visões completamente distintas sobre a nova terra em que habitam. Mikau é o personagem que acredita ter alcançado a terra prometida, ou mais conhecida como Canaã, que dá o nome da história. Canaã refere-se à cidade a passagem bíblica no Antigo Testamento em que Deus havia oferecido ao patriarca Abraão.

Ao contrário de Lentz, que possui uma visão preconceituosa sobre o lugar, o personagem acredita na superioridade da raça ariana e que os mestiços que habitam o país tem como característica serem ociosos e preguiçosos.