Resumo sobre Mário Lago


Mario Lago foi um poeta, radialista, advogado, compositor e ator brasileiro. Enfim, ele era um artista completo, tendo destaque em todas essas áreas. Lago nasceu no Rio de Janeiro, na Rua do Resende, no dia 26 de novembro de 1911.

Conheça mais sobre a história de Mário Lago

Ele era o único filho de um maestro, violinista e compositor de sucesso, Antônio Lago, que vinha de uma família de músicos, e de uma jovem que também tinha a música nas veias, Francisca Maria Vicência Croccia Lago. Nasceu e foi criado na Lapa, depois cursou Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na qual se formou em 1933, mas nunca chegou a exercer este ofício. Trabalhou, também, como jornalista e estatístico por um período breve. Desde pequeno sempre foi fascinado pela arte, mas também gostava muito de política, da boemia e de sua família. Enquanto estava cursando Direito tornou-se marxista e por escolher fazer parte do Partido Comunista, que vivia na ilegalidade no país a maior parte do tempo. Ele foi preso sete vezes, nos anos de 1932, 1941, 1946, 1949, 1952, 1964 e 1969.

Mário Lago

Lago casou-se com Zeli, que era filha de Henrique Cordeiro, um militante comunista. Os dois se conheceram em uma manifestação política e ficaram juntos até a morte dela, que ocorreu em 1997. Eles tiveram cinco filhos: Antônio Henrique, Graça Maria, Mário Lago Filho, Luís Carlos e Vanda. O artista faleceu em 30 de maio de 2002.

A carreira célebre de Mário Lago

Lago teve seu primeiro poema publicado quando tinha apenas 15 anos de idade. Depois de se formar na Universidade, ele começou a produzir, dentro do gênero conhecido como teatro de revista, no qual ele criava, compunha e interpretava. Após isto, ele estreou na música popular, pois compôs a marchinha chamada “Menina, Eu Sei de uma Coisa”, juntamente com Custódio Mesquita, que foi gravada por Mário Reis no ano de 1935. Três anos depois, Orlando Silva gravou sua composição chamada “Nada Além”, também em parceria com Custódio Mesquita.

Que atire a primeira pedra quem nunca ouviu falar que Amélia é que era mulher de verdade, pois esta é uma das músicas mais conhecidas de Lago, chamada de “Ai que Saudades da Amélia”, interpretada por Ataúlfo Alves. Além desta, no âmbito musical, o artista fez sucesso também com “Atire a Primeira Pedra”, também interpretada por Alves. Outras composições dele foram “É Tão Gostoso, Seu Moço”, cantada por Nora Ney, “Número Um” cantada por Benedito Lacerda, o samba chamado “Fracasso” e a marcha carnavalesca denominada “Aurora”, escrita junto com Roberto Roberti, mas que ficou conhecidíssima na voz de ninguém menos do que Carmem Miranda.

Além de compor músicas, Lago fez muito sucesso também como ator. Começando no rádio, no qual interpretou Herodes na telenovela “A Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo”, que era especial da Semana Santa, no dia 27 de março de 1959 e também foi roteirista da radionovela “Presídio de Mulheres”. Mas o sucesso chegou mesmo quando este grande artista começou a fazer parte do elenco das novelas da Rede Globo. Ele participou de várias durante anos, como “Selva de Pedra”, “O Casarão”, “Nina”, “Elas por Elas”, “Barriga de Aluguel”, “Brilhante”, “Pecado Capital”, entre muitas outras, pois foram mais de trinta em anos de trabalho na emissora, recebendo por muitas vezes o prêmio de Melhor Ator. Como intérprete, ele não ficou apenas no rádio e na televisão, estendendo seu trabalho para o teatro e para a grande telona do cinema, tendo trabalhado em um dos filmes brasileiros mais aclamados de todos os tempos e uma obra-prima do Cinema Novo, o “Terra em Transe” de Glauber Rocha.

Mario Lago também é autor de vários livros. A obra “Chico Nunes das Alagoas” foi lançada em 1975, em 1976 ele lançou “Na Rolança do Tempo”, em 1977 “Bagaço de Beira-Estrada”, já em 1986 o autor publicou “Meia Porção de Sarapatel”. Sua vida e obra são tão fascinantes que ele ganhou até mesmo uma biografia escrita por Mônica Velloso, chamada de: “Mário Lago: boemia e política”, que foi lançada no ano de 1988. Já em 2001 o artista recebeu uma grande honra, o Troféu Domingão do Faustão pelo conjunto de sua jornada nas artes. No ano seguindo este prêmio passou a se chamar Troféu Mário Lago e a partir de então ele é concedido aos destaques da teledramaturgia todos os anos. Lago também recebeu a Ordem do Mérito Parlamentar do presidente da Câmara, que na época era Aécio Neves.

Este grande artista representou no teatro até o fim de sua vida. Mario Lago subiu ao palco pela última vez em janeiro de 2002, poucos meses antes de falecer. Já a última novela na qual atuou foi “O Clone”, em 2001, e para conseguir atuar ele precisava aspirar oxigênio no intervalo das gravações. Também nunca deixou de compor, somando cerca de 200 músicas gravadas. Seu corpo está no Cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro.