São Tomás de Aquino


A Idade Média é conhecida como a “idade das trevas”, onde pessoas eram desumanamente torturadas, perseguidas e mortas. Onde a conquista de território era o que importava e batalhas sangrentas era um imperativo. Falando dessa maneira, pode até parecer que a Idade Média foi um período em que não houve nenhum avanço humano, mas isso não é verdade: em termos culturais e intelectuais, a Idade Média foi um período rico, com a criação de importantes obras literárias e mesmo de tecnologia, como o códex, antecessor de livro que permitiu o melhor manuseio do objeto.

Uma prova da riqueza intelectual desse período pode ser encontrada em São Tomás de Aquino. Mesmo sendo um pensador da Igreja, cujo pensamento está profundamente marcado pela Teologia, sua obra foi de extrema importância para os estudos filosóficos – apesar de o próprio não se considerar como um filósofo, definidos por ele mesmo como pagãos aquém da verdadeira e correta sabedoria encontrada na revelação cristã.

Tomás de Aquino

Neste artigo vamos fazer um passeio sobre a obra e o pensamento do São Tomás de Aquino. Mas antes, é necessário entendermos, mesmo que minimamente, o contexto em que o pensador nasceu e viveu, até para que possamos fazer considerações sobre sua obra.

Tomás vem do italiano Tommaso d’Aquino. Nasceu no Condado de Aquino, no Reino da Sicília, por volta de 1225. Filho mais novo e pertencente a uma família de nobres, os pais de Tomás optaram que o filho seguisse carreira como abade, ao contrário do resto da família, que se dedicava à carreira militar. No entanto, quando Tomás tinha apenas 5 anos, houve um conflito na região de Aquino entre o Imperador Henrique II e o papa Gregório IX, que obrigou que seus pais o matriculassem na atual Universidade de Nápoles. Além de estudar Aristóteles, Averróis e Maimônides, foi nesta mesma Universidade que Tomás teve o primeiro contato com João de São Juliano, pregador dominicano que tinha por missão recrutar seguidores para a Ordem dos Pregadores.

O plano de Tomás era se juntar à Ordem, indo primeiro para Roma e mais tarde para Paris. No entanto, seus planos foram frustrados por sua família, que era contra, deixando-o preso por anos em seu castelo. Foi somente em 1244 que Tomás conseguiu fugir do castelo (com a ajuda da mãe) e se juntar à Ordem dos Pregadores.

Assim, em 1245, Tomás foi enviado para a Universidade de Paris para estudar Artes. Nesta faculdade, ele teve uma carreira brilhante tanto como intelectual quanto como professor.

Passados alguns anos, em 1959, Tomás voltou à Nápoles, onde exerceu papéis como pregador geral, leitor conventual – responsável por formar os frades que não tinham acesso à Universidade -, e mesmo teólogo papal do papa Clemente IV. Em 1268, Tomás foi novamente convocado para ser regente mestre na Universidade de Paris. No entanto, desta vez ocupou o cargo por apenas três anos, pedindo afastamento em 1272 e retornando à Nápoles, morrendo em 7 de março de 1274.

Obra

Apesar de não se considerar um filósofo e mesmo renegar à Filosofia, a obra de São Tomás de Aquino foi fortemente influenciada pelos pensamentos de Aristóteles. A obra de Tomás teve uma enorme repercussão, influenciando não só a teologia cristã da Igreja Católica, mas também todo o pensamento filosófico ocidental subsequente.

Para São Tomás de Aquino, a Teologia era uma ciência que tinha na Escritura sagrada e nas tradições da Igreja Católica suas principais matérias-primas, sendo a fé e a razão as ferramentas necessárias para desvendar os ensinamentos teológicos.

Para entender a obra do autor, é necessário compreender o conceito de “Revelação” por ele empregado. Segundo São Tomás de Aquino, a verdade só é reconhecida através da fé (revelação sobrenatural) e da natureza (revelação natural), sendo que aquela é originada através do Espírito Santo e pode ser conhecida através dos ensinamentos reunidos na Escritura e espalhados pela tradição. Já a natureza pode ser alcançada através da percepção de sua própria natureza e do poder da razão.

Seguindo a linha de Santo Agostinho, São Tomás de Aquino acreditava que a guerra era algo permitido, desde que fosse por uma nobre causa. Em “Suma”, uma de suas principais obras, ele reúne três motivos que justificam este pensamento, a saber: a guerra deve ser por uma causa boa e justa, e nunca por poder ou dinheiro; deve ser declarada pro alguém que tenha competência para, como a autoridade de determinado Estado; e a paz deve ser a motivação central em meio a mortes e lutas.

Por fim, São Tomás de Aquino defendia que Deus existe fisicamente, sendo essa proposição confirmada por cinco argumentos: movimento, pois algumas coisas mudam sem serem capazes de provocarem o próprio movimento; causa, pois na cadeia de reações de causa-consequência, deve existir um ponto de origem, uma causa primeira; existência do necessário e seu contrário; gradação, pois se existem coisas tais como mais quente, mais frio, etc., deve haver um superlativo; e tendências ordenadas na natureza.

Para aqueles interessados em conhecer um pouco mais a fundo a obra de São Tomás de Aquino, suas principais obras são:

-Scriptum super sententiis;
-Summa contra gentiles;
-Summa theologiae;
-Quaestiones disputatae;
-In Boethium;
-Catena aurea.