Trajetória e Legado de Chico Mendes


Chico Mendes (1944 – 1988) – Francisco Alves Mendes Filho – foi um sindicalista que trabalhou em defesa da preservação da Floresta Amazônica e direitos dos nativos da região.

Filho do seringueiro Francisco Alves Mendes e Maria Rita Mendes, cresceu Xapuri, no Acre. Aos nove anos de idade, já atuava ao lado do pai na extração de látex das seringueiras. Como não haviam escolas na região, foi alfabetizado apenas aos 19 anos.

Indignado com as más condições de trabalho e de vida dos moradores da região, tornou-se defensor da floresta e dos direitos dos seringueiros. Organizou trabalhadores para preservar e o ambiente e proteger suas famílias contra a violência e destruição dos fazendeiros.

Chico Mendes

Trajetória de Chico Mendes

Em 1975, começou a atuar como sindicalista e foi nomeado secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasileia. No ano seguinte, começou a trabalhar em defesa da posse de terra para os nativos da região amazônica através dos “empates”, barreiras feitas com o próprio corpo pelos nativos nas áreas ameaçadas contra a destruição de serralheiros e fazendeiros. Os protestos sempre tinham caráter pacífico.

Em 1977, foi um dos fundadores do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri e eleito vereador da Câmara Municipal da cidade pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro), na época, único partido de oposição ao Regime Militar que era permitido. No período, enfrentou as primeiras ameaças de morte dos fazendeiros e problemas com o próprio partido, que não se solidarizava à sua luta.

Ainda como vereador, em 1979, lotou a Câmara Municipal ao promover debates entre lideranças sindicais, populares e religiosas, o que, obviamente, não agradou o governo militar. Foi torturado secretamente e, como não tinha apoio partidário, não denunciou os fatos.

Em busca de suporte político, Chico Mendes ajudou a criar o Partido dos Trabalhadores (PT) e tornou-se um dos dirigentes no Acre.

Um ano depois da tortura, foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional, sob a acusação de participar da morte de um fazendeiro da região que havia sido mandante do assassinato do presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Brasileia.

Em 1982, assumiu a presidência do Sindicato dos Trabalhadores de Xapuri e foi acusado de incitação de posseiros à violência. Mendes acabou absolvido por falta de provas.

Concorreu como candidato a deputado federal pelo PT do Acre em 1986, mas não foi eleito.

Evidência Internacional

Sua luta ao lado dos seringueiros pela preservação da floresta amazônica cresceu e atingiu proporções nacionais e internacionais. Em 1987, discursou na reunião do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Miami, nos Estados Unidos, onde denunciou a devastação florestal e pediu o fim do financiamento para a construção da BR – 364, que atravessaria Rondônia até o Acre. O objetivo da rodovia seria escoar a produção da Amazônia e Centro-Oeste para o Oceano Pacífico, em um porto no Peru. O BID decidiu suspender o financiamento e exigiu do governo brasileiro um relatório sobre o impacto ambiental na região.

Após o discurso, Chico Mendes recebeu uma comissão da Organização das Nações Unidas (ONU) em Xapuri, que presenciou a devastação florestal e o drama dos seringueiros, expulsos de suas casas pelos fazendeiros.

O Senado norte-americano, que também recebeu o ativista para uma palestra, recomendou a diversos bancos que também financiavam projetos na região amazônica que fiscalizassem os danos ambientais e, caso necessário, interrompessem sua atuação. Ainda em 1986, Chico Mendes recebeu o Prêmio Global 500 de Preservação Ambiental da ONU.

 O último ano de Chico Mendes

Já em 1988, é criada a União Democrática Ruralista (UDR) no Acre. Chico participa da criação da primeira reserva extativista do Acre. O fazendeiro Darly Alves da Silva tem suas terras desapropriadas e o sindicalista volta a receber ameaças de morte, desta vez por prejudicar o desenvolvimento da região, e pede proteção policial.

No 3º Congresso Nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Mendes volta a denunciar as ameaças que recebia constantemente. A tese que apresenta pelo sindicato de Xapuri, “Defesa do Povo da Floresta”, é aprovada por unanimidade e ele é eleito suplente na direção da CUT.

Em 22 de dezembro, Chico Mendes é assassinado ao sair de sua casa, com tiros de escopeta. Na época, era casado com Ilzamar Gadelha Mendes e tinha 3 filhos.

Mais de 30 entidades sindicalistas, religiosas e políticas criam o Comitê Chico Mendes, para pressionar órgãos oficiais a punir o crime. Os fazendeiros Darly Alves da Silva e Darcy Alves Ferreira foram condenados, em 1990, a 19 anos de prisão pela morte do ativista. Em 1993, Darly consegui fugir e se escondeu em um assentamento do Incra com identidade falsa. Foi recapturado em 1996 e condenado a mais dois anos e oito meses de detenção por falsidade ideológica.

 Legado

Em 1989, a ONG Tortura Nunca Mais criou o prêmio Medalha Chico Mendes de Resistência, que homenageia pessoas e grupos que lutam pelos direitos humanos.

Em 2007, é criado o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), mediante a lei 11.516, de 28 de agosto de 2007. O instituto é vinculado ao Ministério do Meio Ambiente como parte do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) e tem como objetivo proteger o patrimônio natural e promover o desenvolvimento socioambiental através da administração das Unidades de Conservação (UCs) federais.