Ascaridíase, Ancilostomíase e Ancilostomídeos: Ciclo de Vida, Transmissão e Causadores


Ascaridíase

Ascaridíase ou Ascaríase é o parasitismo desenvolvido no homem por um grande nematóide da espécie Ascaris lumbricoides, pertencente à família Ascarididae, designados também simplesmente por Ascaris. Popularmente os ascaris são conhecidos como lombrigas ou bichas. São vermes longos, cilíndricos e com extremidades afiladas, principal­mente na extremidade anterior. Machos e fêmeas apresentam diferenças morfológicas (dimorfismo sexual): as fêmeas são maiores e mais grossas, com a parte posterior retilínea ou ligeiramente encurvada, e os machos, menores, apresentam um enrolamento ventral, espiralado, na ex­tremidade caudal, onde está presente um par de espículas copulatórias. As fêmeas podem atingir de 30 a 40 centímetros de comprimento e os machos de 15 a 30 cen­tímetros. Atualmente, a taxa de morbidade anual global de infecções por Ascaris é estimada em l bilhão de pessoas, e a taxa de mortalidade chega a 20 000 pessoas.

Ascaridíase, Ancilostomíase e Ancilostomídeos

Ancilostomíase ou  amarelão

O Ascaris pode ocorrer em pessoas de qualquer idade, mas é mais frequente em crianças de cinco a nove anos.

Ciclo vital de Ascaris lumbricoidos

Vermes adultos (1) vivem no interior do intestino delgado. A fêmea pode produzir aproximadamente 200 000 ovos por dia, os quais são eliminados com as fezes. (2) Ovos não-fertilizados podem ser inge­ridos, porém não causarão a infecção. Ovos fertilizados se tornam infectantes após dezoito dias de sua eliminação pelo hospedeiro (3), dependendo das condições do ambiente (solo úmido e temperatura amena). Depois que os ovos embrionados são ingeridos (4), as lar­vas eclodem (5), invadem a mucosa intestinal e chegam, através do sistema circulatório, aos pulmões. (6) A larva amadurece nos pul­mões (entre dez e quatorze dias), penetra nas paredes do alvéolo, sobe pelos brônquios e traqueia e são ingeridos. (7) De volta ao intestino delgado, desenvolvem-se em vermes adultos (1). Entre dois e três meses após a ingestão dos ovos embrionados, ocorre a postura de ovos pela fêmea adulta. Adultos podem viver de um a dois anos.

Os ancilostomídeos são pequenos nematóides da fa­mília Ancylostomatidae, cujos géneros de importância médica no Brasil são Ancylostoma e Necator, que me­dem cerca de 10 milímetros. Calcula-se, atualmente, em 800 milhões o número de pessoas infectadas no mundo. No Brasil, estimativas apontam entre 23 e 24 milhões de infectados. Cada indivíduo pode hospedar mil ou mais vermes do amarelão, podendo perder para eles até 200 mililitros (um copo) de sangue por dia. O resulta­do disso é uma grave anemia, que pode levar o organis­mo a muitas complicações e até à morte.

A doença também é conhecida como opilação ou mal-da-terra, ou ainda como doença do Jeca-Tatu, per­sonagem criado pelo escritor brasileiro Monteiro Loba­to, que mostra a ação espoliativa exercida pelos ancilos­tomídeos: roubando-lhe o já escasso alimento, retiram-lhe as forças e incapacitando-o para o trabalho. O ama­relão ilustra bem a catástrofe do ciclo pobreza-desnutri-ção-doença no Brasil e em outros países pobres.

Causadores

Os agentes etiológicos do amarelão são duas espécies que causam o mesmo mal: Ancylostoma duodenale e Necator americanus, vermes monogenéticos ou monóxenos exclusivos do ser humano. Vivem aderidos à muco­sa do intestino delgado, de onde retiram o sangue com auxílio de dentes ou lâminas presentes na boca.

Ancylostoma duodenale e Necator

americanus.

Normalmente, pela penetração ativa de larvas filarióides infectantes. Intestino delgado. O ciclo pulmo­nar pode ocorrer na maioria dos casos.

Sintomas

Anemia, dores abdominais, falta de ar e febre.

O Ancylostoma duodenale (1) tem dois pares de dentes, e o Necator americanus (2) apresenta um par de lâminas cortantes.

Ciclo vital dos ancilostomídeos

Os ovos dos ancilostomídeos são eliminados com as fezes do indivíduo parasitado. Caindo em local úmido, com temperatura entre 25°C e 35°C, os ovos embrionam e, 24 a 48 horas depois, liberam as larvas rabditóides. No solo, elas se alimentam e transformam-se em larvas filarióides, as formas infectantes. Essas larvas podem penetrar na pele de uma pessoa, principalmente nos pés descalços, e alcançar a circulação sanguínea. Chegando ao coração, são levadas aos pulmões onde, rompendo os capilares san­guíneos caem no interior dos alvéolos pulmonares, nos quais sofrem mudas. Sobem, então, pelas vias aéreas, al­cançam a faringe e são deglutidas, indo se instalar no in­testino delgado. Aí as larvas tornam-se adultas e iniciam a eliminação dos ovos, fechando o ciclo. Uma fêmea pode eliminar de 10 000 a 20 000 ovos por dia.

Profilaxia

Andar calçado, higienizar a água e os alimentos, promover educa­ção sanitária e frequentar instala­ções sanitárias adequadas. Ovos embrionados são eliminados com as fezes (1) e, encontrando condições favoráveis, libertam a larva rabditóide em um ou dois dias. Depois de cinco ou dez dias, passam à forma filarióide infectante (larva de terceiro estágio) (3). Essas larvas podem sobreviver de três a quatro semanas em condições favoráveis de umidade e temperatu­ra. Em contato com humanos, as larvas penetram pela pele (4) e, através da corrente sanguínea, chegam ao coração e aos pulmões. Ali, penetram nos alvéolos, sofrem mudas e, sobem pelos brônquios, chegando na traquéia. Se deglutidas, atingem o intestino delgado, onde se tornam adultos e se reproduzem (5). Os adultos podem vi­ver até dois anos no intestino humano. Infecções por Ancylostoma duodenale podem também ocorrer por via oral, transplacentária e transmamária. Necator americanus, no entanto, requerem obrigato­riamente o ciclo pulmonar para completar o seu desenvolvimento.