Cadeias Alimentares, Pirâmides Alimentares e Sucessão Ecológica


Cadeias alimentares

O Sol representa a principal fonte de energia do pla­neta Terra. Da energia luminosa que aqui chega, somente 5% é aproveitada pelos seres vivos, na fotossíntese, e o resto é irradiado. Os seres fotossintetizantes são classifi­cados como autótrofos e encontram-se na base das cadeias alimentares que compõem os ecossistemas. O homem moderno utiliza, nos afazeres do dia-a-dia, a energia presente nos combustíveis fósseis, no carvão, no petróleo, no gás natural, mas é necessário lembrar que a energia contida nesses recursos advém do Sol. Há mi­lhares de anos organismos vivos realizam seus processos metabólicos na assimilação da energia e, graças à fossili­zação, ela ficou aprisionada nas camadas inferiores da Terra.

Pirâmides Alimentares e Sucessão Ecológica

Denominamos cadeia alimentar o processo de trans­ferência de energia alimentar por uma série de organis­mos que consomem e são consumidos.
A energia assimilada pelas plantas fotossintetizantes, denominadas produtoras, é utilizada na construção dos seus tecidos, na respiração e uma pequena parcela (10% do total) é armazenada em seus órgãos.

Os organismos que compõem as comunidades presen­tes nos ecossistemas podem ser enquadrados em níveis tróficos, que representam um grupo de organismos que obtêm energia a partir de uma fonte comum. Os diferentes níveis tróficos existentes são nomeados conforme o número de etapas pelas quais a energia teve de passar para chegar até eles. Os produtores ocupam o primeiro nível trófico, os animais herbívoros ou consumidores primários estão no segundo nível trófico, os consumidores secundários ficam no terceiro nível trófico, etc.

Podemos dizer que as cadeias são de dois tipos bási­cos:
•         cadeia de pastagem, cuja base é uma planta, em seguida um herbívoro e assim sucessivamente;
•         cadeia de detritos, que se inicia com matéria orgânica não-viva servindo de alimento para mi­crorganismos e segue para os detritívoros e seus predadores.

Na cadeia de pastagem, os consumidores primários -que estão no segundo nível trófico – são menos eficientes na obtenção de energia, pois os tecidos vegetais são mui­to mais difíceis de serem digeridos e consomem mais ener­gia do que os tecidos de natureza animal, representantes da fonte alimentar dos consumidores secundários.

Uma outra característica marcante das cadeias é a quantidade de energia transferida entre os níveis. Quan­to mais longe um organismo estiver do produtor, menor é a parcela de energia recebida. Por isso a quantidade de energia presente no primeiro nível trófico nutre mais her­bívoros.

Pirâmide de energia

Essa pirâmide representa o fluxo unidirecional da energia na cadeia alimentar, portanto ela nunca será in­vertida. A base da pirâmide é representada pelos pro­dutores, que assimilam a energia luminosa – fotossíntese – e transferem parte dela para o nível trófico se­guinte. O único problema é onde encaixar os decompositores, pois eles atuam em todos os níveis tróficos, então podemos colocá-los sobre o retângulo dos produ­tores ou em separado.
Pirâmide  de  biomassa

Uma parcela da energia recebida do nível anterior é transformada em matéria orgânica. A exemplo da pirâ­mide de energia, a representação é feita com retângulos sobrepostos e centralizados, com mesma altura. Porém a largura depende da quantidade de biomassa presente. Para haver um melhor entendimento do con­ceito anterior, serão utilizados os termos produ­tividade bruta para representar o total de ener­gia obtida e produtividade líquida para indicar a quantidade de energia disponível para o nível seguinte.

A produtividade primária bruta, por exemplo, é de­terminada pela quantidade de matéria sintetizada pela planta em um certo período de tempo. Quando descon­tarmos a quantidade de matéria consumida pela respira­ção aeróbica, teremos a produtividade primária líquida. Nos animais, devemos contabilizar, além da respiração, a quantidade de matéria liberada nas fezes e a perda de energia na forma de calor, como ocorre nos homeotérmicos.

Pirâmides ecológicas

Existem três tipos de pirâmides ecológicas: pirâmi­de de energia, pirâmide de números e pirâmide de biomassa. A pirâmide de biomassa pode apresentar-se inverti­da, como é o caso típico da pirâmide dos ecossistemas aquáticos, em que a quantidade de fitoplânctons (produ­tores) é menor que a de consumidores primários (zooplânctons). A pirâmide de  números acontece quando o homem atua de forma irresponsável em um ecossistema e provoca a redução drástica de um dos participantes, toda a teia sofre com essa interferência, como sofreria a teia elaborada pela aranha se um de seus elos se rompesse.

Essa cadeia indica a quantidade de indivíduos pre­sentes em um determinado nível trófíco. Numa cadeia de predadores, a tendência é diminuir a quantidade de organismos a cada nível que se sobe. Já nas cadeias de parasitas, a grande tendência é a diminuição de tamanho e aumento na quantidade de organismos. A pirâmide de números também pode apresentar-se invertida: A garça ocupa dois níveis tróficos nessa teia. As ca­deias presentes não são muito longas por causa da ener­gia, que pode ser liberada na forma de calor, conforme a Segunda Lei da Termodinâmica.

Sucessão ecológica

Quando Charles Darwin chegou às ilhas vulcânicas de Galápagos, ficou impressionado com a variedade de seres que habitavam esse arquipélago. O que despertou a curiosidade de Darwin foi como tais seres consegui­ram chegar àquelas ilhas tão distantes do continente.

Teias alimentares

Os manguezais prendem o dióxido de carbono, impedem as erosões e oferecem abrigo aos peixes. As teias alimentares são diferentes das cadeias alimen­tares – sequências lineares de dispersão de energia -, pois são formadas por várias cadeias entrelaçadas. Imagine­mos uma teia confeccionada por uma aranha: cada elo da malha representa uma cadeia diferente e o ponto de partida são os produtores.

Como é possível que, nessas pequenas ilhas, que ainda recentemente, geologicamente falan­do, eram recobertas pelas águas do oceano, ilhotas formadas por lavas basálticas e que dife­rem, por consequência, do continente sul-americano, além de estarem situadas sob um clima particular; os habitantes indígenas sejam dife­rentes em número e em espécies daqueles do continente americano e que reagindo, por con­sequência, um sobre o outro de maneira dife­rente, tenham sido criados a partir do tipo ame­ricano?

As sucessões ecológicas podem ser de dois tipos:
•         primária – ocorre em ambientes nunca habitados;
•         secundária – ocorre em ambientes já explorados e, por isso, desenvolve-se mais rapidamente.

Sucessão ecológica primária

A sucessão primária pode ser caracterizada nas ilhas vulcânicas, que são um exemplo típico de ocupação de um ambiente pelos seres vivos. A ocupação da rocha nua é extremamente difícil por causa da grande variação da temperatura e da falta de água retida. Os desbravadores desse ambiente inóspito são os Viquens, denominados “vegetação” pioneira. Os liquens -enquadrados no reino Fungi – são formados por algas (fotobiontes) e fungos (micobiontes), numa relação obri­gatória de mutualismo.

O estágio inicial de todas as sucessões ecológicas é denominado de ecese. Depois, é seguido pela seres (estágio seral, séries ou será). O último estágio é conhecido por clímax. Os sorédios – estruturas reprodutivas dos liquens – são transportados, por exemplo, pelo vento, caem na rocha nua e liberam ácido liquênico, promovendo a degradação da rocha, fornecendo sais minerais e retendo água para a realiza­ção da fotossíntese pelas gonídias. Com o passar do tempo, forma-se um substrato favorável ao desenvolvimento de pequenos musgos, que chegam por meio de esporos. Os liquens formadores desse substrato vivo começam a desapare­cer por um processo de competição. É o nascimento do estágio seral.

Esse estágio é marcado pela constante substituição de comunidades. No processo de crescimento, surgem plantas vasculares, samambaias, gramíneas e pequenos animais em busca de refúgio e nidificação. Quando esse ecossistema atinge a maturidade, chega-se ao chamado equilíbrio dinâmico da comunidade: o clímax. Observe o quadro a seguir.

Sucessão ecológica secundária

A sucessão ecológica secundária substitui a suces­são ecológica primária. O exemplo mais tradicional é a transformação de um lago em uma floresta. No início a água é bem limpa e transparente, mas com o passar do tempo, graças à ação da chuva, o lago vai diminuindo de profundidade e aumentando as relações ecológicas. A competição por alimento e oxigénio passa a ser muito grande e os peixes morrem. Ocorre invasão de plantas aquáticas e diminuição do volume de água. O lago passa a ser um pântano, que, aos poucos, seca. Começa a su­cessão secundária e surge uma floresta, que, em breve, atinge seu clímax.

O homem utiliza sistemas artificiais para conseguir maior rentabilidade, graças a um aumento de produtivi­dade. Esses sistemas artificiais são as monoculturas uti­lizadas na agricultura. Elas são mantidas fora da comu­nidade clímax e são suscetíveis ao ataque de pragas e à ação de competidores.

A fragilidade se deve à redução da biodiversidade, pois as teias alimentares são simples, formadas por pou­cas cadeias. Nesse contexto os insetos e os fungos são os mais favorecidos, pois o alimento é abundante e não existem predadores. A distância dos fungos às plantas é pequena, o que facilita a disseminação. O agricultor ten­ta amenizar esses conflitos utilizando pragaticidas e fun­gicidas, porém a alternativa mais correta é o controle biológico.