Características, Classificação e Fisiologia dos Mamíferos


Mamíferos

Os mamíferos apresentam grande diversidade e ocupam todos os ambientes terrestres. Tigre, golfinho e coala são exemplos de mamí­feros. Os mamíferos são reunidos na classe Mammalia. Apresentam características exclusivas (apomorfias) que os distinguem dos demais vertebrados, como:
• corpo total ou parcialmente coberto de pelos, constituídos de queratina compactada que, além da proteção, funcionam como isolante térmico;
•         dentes diferenciados em caninos, pré-molares e molares, relacionados a diversas funções, como rasgar, cortar, triturar, etc.;
•         presença de diafragma, uma membrana muscu­lar que separa o tórax do abdômen e auxilia os movimentos respiratórios;
•         ossos dos membros inferiores dispostos de modo a exigir pouco esforço muscular para a sustenta­ção do corpo e para a marcha;

Classificação e Fisiologia dos Mamíferos

•         encéfalo bem mais desenvolvido;
•         glândulas mamarias (dão nome ao grupo) que produzem leite para alimentação dos filhotes;
•         glândulas sebáceas e sudoríparas – as sebáceas localizam-se na base (raiz) do pelo e produzem uma secreção oleosa que lubrifica a pele e tam­bém os próprios pelos. As sudoríparas estão dis­tribuídas pela pele, concentradas em algumas regiões do corpo e não se relacionam com os pelos. Produzem o suor, útil na regulagem tér­mica do corpo. Alguns mamíferos, como o cão e o gato, não as apresentam. Ao sentirem calor, esses animais lambem os pêlos e as patas para se refrescar.

Assim como as aves, os mamíferos apresentam, ain­da, coração com quatro câmaras, endotermia e gordura subcutânea.

Classificação

Os mamíferos atuais são divididos em três subclas­ses: Prototheria, que inclui os monotremados; Metatheria, que engloba os marsupiais; e Eutheria, que abrange os placentários verdadeiros.

Prototheria – monotremados

Os monotremados (mono – um; trema – orifício) são mamíferos destituídos de placenta e que põem ovos (ovíparos). Seus representantes são o ornitorrinco (“nariz de ave”) e a equidna, encontrados na Austrália e na Tasmânia. Ornitorrincos são excelentes nadadores e escavado­res eficazes; eles abrem longos túneis nas margens dos rios, onde fazem seus ninhos.

O ornitorrinco tem o bico semelhante ao dos patos, membranas interdigitais nas patas e o corpo coberto por pêlos curtos. Apresenta cloaca e seus ovos têm casca semelhante a dos répteis. Os filhotes alimentam-se do lei­te que escorre pelos pêlos da barriga da mãe, uma vez que ela não tem mamilos verdadeiros.

Metatheria – marsupiais

Esse grupo engloba os cangurus da Austrália e os gambás da América do Sul. São dotados de uma placenta rudimentar, que obriga o nascimento prematuro dos filho­tes, e de uma bolsa na região abdominal, o marsúpio, onde o filhote permanece após o nascimento e completa seu desenvolvimento graças às glândulas mamarias ali exis­tentes.

Eutheria – placentários

O embrião completa seu desenvolvimento no interior do útero materno, ao qual se liga pela placenta. Por meio dela, recebe nutrientes e oxigénio da mãe e elimina gás carbónico e excreções. A pele apresenta epiderme queratinizada, com pêlos, glândulas sudoríparas, sebáceas, mamarias e outros ane­xos, como unhas, garras, chifres e cascos. O esqueleto é formado principalmente por tecido ósseo, com alguns componentes cartilaginosos.

Principais ordens dos mamíferos placentários

Insectivora – Pequeno porte. Os animais dessa ordem são considerados os mais primitivos placentários. Atualmente, há o musaranho (ilustração) e a tou­peira, principalmente de vida subterrânea, os quais vivem no hemisfério norte.

Carnívora – Dentes caninos pontiagudos, garras e intestino curto. Exemplos: cão, onça, lobo, urso, leão, leopar­do e tigre. Uma subordem importante é a dos pinipídeos, que inclui foca (foto), leão-mari-nho, lontra e ariranha.

Primata – Exemplos: ser huma­no, lêmure (foto), társio e macaco.

Sirenia – Ausência das patas posteriores, lembran­do as mitológicas sereias. Exemplos: peixe-boi e manati (foto).

Chiroptera – Mãos transformadas em asas, com membrana entre os dedos e entre a mão e a late­ral do corpo. Há espécies que se alimentam de sangue e outras comem insetos. Exemplo: morcego.

Rodentia – Herbívoros com dois incisi­vos. Exemplos: rato, camun­dongo, capivara, esquilo, castor e chinchila.

Lagomorpha – Herbívoros com quatro inci­sivos. Exemplo: coelho e le­bre.

Proboscidea – Exemplo: Elefante. Incisivos desenvolvidos – as presas. Lábio superior e nariz fun­didos, formando a tromba. O elefante indiano é domes-ticável. O africano (foto), mais agressivo, não se dei­xa domesticar. Outras dife­renças enter eles são a ore­lha (maior no africano) e o formato da cabeça.

Edentata ou Xenarthra – Dentes pouco de­senvolvidos ou ine­xistentes. Exemplos: tatu, preguiça (foto) e tamanduá.

Artiodactyla- Casco com número par de dedos. Exemplos: boi, búfalo, veado (foto), camelo, porco, javali, carneiro e cabra.

Perissodactyla – Casco com número ímpar de dedos. Exemplos: anta, zebra (foto), cavalo e rinoceronte.

Cetácea- Exclusivamente aquáticos. Descendem de ances­trais terrestres. Exemplos: baleia, golfinho, boto, orca e cachalote. A baleia azul é o maior animal que já existiu, com mais de 30 me­tros de comprimento e cerca de 135 toneladas.

Fisiologia  dos  mamíferos

Sistema digestório – completo. Boca com lábios e dentes especializados em diversas funções (heterodontes). O estômago pode ser simples (na maioria) ou composto (nos ruminantes). O tubo digestivo termina em ânus, exceto nos monotremados, que apresentam cloaca. Nos ruminantes, o estômago é dividido em quatro compartimen­tos: rume (ou rúmen) – maior parte do estômago, onde vivem bac­térias anaeróbicas e protozoários ciliados; retículo (ou barrete) -onde ocorre a ação dos microrganismos e de onde o alimento retorna à boca para nova mastigação (ato de ruminar). Novamente engolida, a massa alimentar retorna ao retículo e vai para o omaso (ou folhoso), onde ocorre absorção de água. Daí, segue para o abomaso (ou coagulador), o verdadeiro estômago, comparável ao dos não-rumi-nantes. A principal fonte de aminoácidos e vitaminas para os rumi­nantes são os microrganismos que passam para o abomaso, onde são digeridos.