Características, Classificação, Fisiologia e Reprodução das Aves


São animais que apresentam o corpo coberto de pe­nas, fundamentais ao voo, ao isolamento térmico – são os primeiros endotérmicos – e à proteção contra o des-secamento. São exemplos as galinhas domésticas, os pa­tos, as emas, os tucanos, os gaviões, os pinguins, as co­rujas, os papagaios, etc. As aves descendem dos répteis e apresentam carac­terísticas muito comuns a eles, como:
•         pele seca, queratinizada, sem glândulas, exceto a glândula uropigiana, situada na base da cau­da e que secreta uma substância oleosa destina­ da a impermeabilizar penas e bico;
•         ovo amniótico com casca e fecundação interna;
•         excreção de ácido úrico – uricotélicos;
•         patas com escamas córneas reptilianas.

Fisiologia e Reprodução das Aves

Em comparação aos répteis, sob aspectos evolutivos, as aves apresentam:
•         coração com quatro cavidades, dois átrios e dois ventrículos completamente separa­dos;
•         endotermia, isto é, a manutenção da tem­ peratura corpórea é feita pelo calor gerado por seu próprio metabolismo;
•         ausência de dentes, embora certos quelônios também não os apresentem;
•         penas revestindo o corpo.

As aves são classificadas em dois grandes grupos: as carinatas e as ratitas.

As carinatas apresentam um prolongamento no osso esterno, a quilha ou carena, onde se inserem os podero­sos músculos peitorais, fundamentais ao batimento das asas. Muitas podem voar, embora algumas não o façam habitualmente, como as galinhas, que têm voo curto, e os pinguins, cujas asas são adaptadas à natação.

As ratitas não apresentam carena ou quilha no es­terno, sendo incapazes de voar. São exemplos a ema, o avestruz e o quivi.

Adaptações ao voo

Várias são as adaptações que permitem a uma ave voar:
•         aumento da superfície do corpo proporcionado pela presença de asas e penas;
•         a forma aerodinâmica do corpo;
•         esqueleto leve, com alguns ossos cheios de ar, denominados ossos pneumáticos;
•         ausência de dentes;
•         ausência de intestino grosso, o que evita o acú­mulo de fezes;
•         ausência de bexiga urinária e excreção de áci­do úrico, o qual requer menor quantidade de água para ser eliminado; o ácido úrico é eliminado continuamente com as fezes, numa constituição pastosa e de coloração branca;
•         reprodução envolvendo postura de ovos amnióticos;
•         outras estruturas auxiliares – presença de mem­brana nictitante, protegendo a superfície dos olhos e o sistema nervoso, com centro de equi­
líbrio e de coordenação motora desenvolvido.

A pele das aves é queratinizada, seca e impermeá­vel, o que dificulta a perda de água e permite a adapta­ção em diversos ambientes terrestres secos. Não têm glân­dulas, exceto as uropigianas já citadas. As penas que revestem o corpo são formadas por queratina e apresentam um eixo oco (ráquis) com inú­meras ramificações laterais que se entrelaçam.

As penas, além do auxílio ao voo, funcionam como um “colchão-de-ar”, contribuindo para o isolamento tér­mico. Contribuem, ainda, como atrativo sexual em algu­mas espécies; habitualmente o macho apresenta pluma­gem exuberante. Sob a pele, as aves apresentam uma camada de gor­dura, que funciona como reserva energética e isolante térmico. O esqueleto é leve, com ossos em menor núme­ro e fundidos; alguns ocos e cheios de ar (pneumáticos).

Fisiologia das aves

Sistema digestório – completo. Apresentam um bico córneo, sem dentes na boca, estômago quí­mico (proventrículo) e mecânico (moela). Em algumas espécies, ocorre um papo que armazena alimento. O intestino termina em cloaca.

Sistema circulatório – fechado. A circulação é dupla e completa. O coração apresenta quatro câmaras, dois átrios e dois ventrículos completa-mente separados, o que impede a mistura de san­gue arterial e venoso. A eficiente oxigenação dos tecidos e, consequentemente, a intensa degrada­ção de moléculas orgânicas permitem a dissipa­ção de energia na forma de calor e a manutenção da temperatura alta e constante: geralmente aci­ma de 40°C. Curiosamente, a aorta das aves é voltada para o lado direito do corpo.

Sistema respiratório – pulmonar. A respiração é realizada por pulmões que apresentam superfície respiratória maior que a dos répteis. Os pulmões apresentam projecoes denominadas sacos aéreos, que aumentam a renovação de ar e facilitam a perda de calor. Os sacos aéreos, como se projetam por todo o corpo, comunicando-se inclusive com os ossos pneumáticos, au­xiliam consideravelmente na redução do peso da ave. Em lugar de alvéolos, como nos mamíferos, os pulmões das aves apresentam finíssimos duetos chamados parabronquíolos, onde ocorrem as trocas gasosas. Na traqueia, há uma estrutura denominada siringe, responsável pela pro­dução de sons.

• Sistema excretor – os rins são metanefros. Não apresentam bexiga urinária e eliminam ácido úrico (uricotélicos).

• Sistema nervoso – o encéfalo das aves é mais evoluído que o dos répteis. Os lobos ópticos atin­gem o desenvolvimento máximo. Apresentam
olhos com pálpebras, membrana nictitante e doze pares de nervos cranianos.

Reprodução

As aves são ovíparas, de fecundação interna e de­senvolvimento direto. Os machos apresentam dois testí­culos e as fêmeas, apenas o ovário esquerdo funcional.