Células de Sertoli


As células de Sertoli são grandes células somáticas que ficam no interior do testículo. É um organismo que tem relação com várias células germinativas localizadas no túbulo seminífero, responsável por um grande número de funções essenciais para o correto funcionamento do sistema reprodutor masculino, principalmente para o desenvolvimento das células de espermatozoides.

Células de Sertoli

A atividade das células de Sertoli são reguladas pelo FSH, ou hormônio folículo estimulante, que é produzido pela glândula pituitária. Elas são usadas como forma de avaliar a eficiência da espermatogênese, já que possuem tantas funções importantes. Algumas das suas principais características são:

  • Apresentam formato piramidal;
  • Envolvem as células da linhagem espermatogênica parcialmente;
  • Suas bases aderem à lâmina basal dos túbulos;
  • Suas extremidades apicais estão localizadas nos túbulos seminíferos.

Elas são altamente especializadas e têm um papel muito importante no desenvolvimento e na maturação dos espermatozoides e de esperma nos testículos, processo complexo conhecido como espermatogênese, que começa durante a puberdade do homem e continua por toda sua vida. Em uma pessoa saudável, a produção de espermatozoides nunca para, mas costuma diminuir com a idade. É a espermatogênese que vai definir a quantidade de espermatozoides disponíveis e sua mobilidade, bem como a fertilidade geral do homem.

Algumas curiosidades sobre as células de Sartoli:

  • Não se dividem no período da vida sexual madura de um ser, tanto em humanos quanto em outros animais;
  • São muito resistentes a condições adversas, como radiação, infecções e desnutrição;
  • Após serem expostas a tais condições, apresentam uma taxa de sobrevivência significativamente melhor se comparadas às células que fazem parte da linhagem espermatogênica.

Se observarmos os limites dessas células na microscopia de luz, perceberemos que eles não são bem definidos, pois apresentam um número significativo de recessos laterais que envolvem as células da linhagem espermatogênica. Porém, ao fazermos a mesma observação na microscopia eletrônica, é possível notar que as células de Sertoli apresentam retículo endoplasmático liso em abundância, um aparelho de Golgi bem desenvolvido, pouco retículo endoplasmático rugoso, além de lisossomos e mitocôndrias em grande número. Já o perfil do núcleo tem formato triangular e apresenta reentrâncias.

As células de Sertoli são conectadas pelas junções de gap, que são junções comunicantes que tornam possível as trocas químicas e iônicas entres as células. Essa característica pode ser relevante na coordenação do ciclo do epitélio seminífero. Já as células desse tipo que se unem através de junções ocludentes que se localizam em suas paredes basolaterais, são responsáveis pela formação da chamada barreira hematotesticular. Abaixo da barreira ficam as espermatogônias, em um compartimento basal.

Na espermatogênese, algumas células originadas pela divisão de espermatogônias acabam atravessando essas junções e indo para o compartimento adluminal, localizado sobre a barreira. Dentro dele, em recessos das paredes e do ápice das células, permanecem as espermatides e os espermatócitos. Já os flagelos das espermatides vão formar tufos que vão até o lúmen dos túbulos. É possível que a liberação dos espermatozoides dos recessos se dê através de movimentos do ápice das células de Sertoli, com a ajuda dos microfilamentos e dos microtúbulos.

Funções

As células de Sertoli são essenciais para garantir que o sistema reprodutor masculino funcione corretamente. Elas desempenham inúmeras e variadas funções, sendo as principais:

• Ajudam na troca de metabólitos e nutrientes dos espermatócitos, espermatozoides e espermátides;

• Formam uma barreira que protege os espermatozoides em desenvolvimento de ataques imunológicos, chamada barreira hematotesticular;

• Fazem a fagocitose de restos de células, de gametas danificados e do excesso de fragmentos do citoplasma que acabam sendo liberados na espermiogênese;

• Sustentam e protegem as células de linhagem espermatogênica;

• Secretam hormônio antimulleriano (glicoproteína que atua no desenvolvimento embrionário, tornando possível a regressão dos ductos de Müller nos fetos do sexo masculino, levando a desenvolver estruturas que derivam dos ductos de Wolff) na sexta semana de gestação, período de diferenciação sexual do embrião;

• Secretam os hormônios inibina depois da puberdade, o que inibe a ação da hipófise de sintetizar e liberar FSH;

• Produzem a ABP (Proteína de Ligação com Andrógeno), o que aumenta a concentração da testosterona nos túbulos seminíferos – essa secreção é controlada pelo hormônio FSH e pela testosterona;

• Fazem a secreção contínua de um fluído rico em frutose nos túbulos seminíferos, que nutre e facilita a realização do transporte de espermatozoides até o interior dos ductos genitais;

• Suas junções formam uma espécie de barreira que impede que moléculas grandes passem entre elas, mecanismo que protege as etapas mais avançadas da espermatogênese de agentes nocivos e de substâncias do sangue.

Descoberta das células de Sertoli

Conhecida também como célula sustentacular, foi descoberta em 1865 pelo fisiologista e histologista italiano Enrico Sertoli (1842-1910). Ele identificou células ramificadas nos túbulos seminíferos do testículo humano e as descreveu. Hoje, essas células levam o seu nome, sendo chamadas de células de Sertoli. A partir dessa descoberta, ele passou a estudar a espermatogênese e a anatomia dos testículos.