Ciclo de Formação dos Vegetais


Ação das auxinas

A ação das auxinas se relaciona com o fototropismo, com o geotropismo, com a dominância apical e, em cer­tas dosagens, atua como herbicida. Mas não é só isso. As auxinas estão presentes também em outras atividades fisiológicas da planta, como a formação dos frutos, o crescimento em espessura do caule e das raízes, a abs-cisão foliar (quando estimula a síntese de etileno), a dis­tensão celular (juntamente com a giberelina), a forma­ção de raízes adventícias e a inibição do brotamento.

Ciclo de Formação dos Vegetais

Como pode ser percebido, muitas vezes, a auxina não age sozinha. Tudo indica que ela pode estimular a sínte­se de outros hormônios (mensageiros secundários), que podem, juntamente ou não, estimular certos tecidos ou órgãos da planta.

O morango normal apresenta pequenos frutos (aquênios) em sua superfície. Se a sua formação for impedida pela remoção das estru­turas florais, ele não se desenvolve. Por outro lado, se as estruturas florais forem removidas e aplicadas auxinas sobre o receptáculo, o morango se desenvolve (sem aquênios).

Crescimento em espessura

As angiospermas dicotiledôneas e as gimnespermas têm o crescimento secundário determinado pela produ­ção de vasos condutores adicionais, graças ao estímulo das auxinas sobre o câmbio.

Abscisão foliar

A queda de folhas envelhecidas ou de frutos madu­ros é denominada de abscisão e decorre da baixa produ­ção de auxinas por esses órgãos. Simultaneamente à que­da na concentração de auxinas ocorre um aumento na concentração do hormônio etileno, o qual estimula a ação de enzimas que provocam a dissolução dos tecidos do pecíolo, formando a camada de abscisão. Tudo indica que a parede celular da célula vegetal apresenta recep­tores que percebem estímulos hormonais ou ambientais (recepção) e induzem a produção de mensageiros secundários no citoplasma (transdução de sinal), os quais, por sua vez, ativam as respostas celulares (resposta).

Formação de frutos

Após a fecundação, as sementes em desenvolvimen­to produzem auxinas, que vão atuar no desenvolvimento do ovário (ou receptáculo floral) e na formação do fruto (ou pseudofruto). Se for aplicada auxina nas flores antes da fecundação, os ovários se desenvolvem, formando fru­tos sem sementes – é a partenocarpia. Uma auxina sintética denominada de “agente laran­ja” foi utilizada pelos norte-americanos na Guerra do Vi-etnã, na década de 1960, como desfolhaste, visando a facilitar a localização dos inimigos e destruir suas co­lheitas.
Distensão ou  alongamento celular
 
A distensão ou alongamento celular é verificada, por exemplo, na formação de tecidos condutores e de sus­tentação, cujas células são bastante longas. Sabe-se que, aqui também, a auxina não age sozinha, mas sim com a giberelina, outro hormônio vegetal.

Formação de raízes adventícias

A aplicação de auxina em estacas estimula a formação de raízes adventícias, facilitando a propagação da planta. As giberelinas são formadas nos meristemas, nos plastídios de folhas jovens e frutos imaturos e seu trans­porte ocorre pela plasmalema, processando-se com aju­da de carreadores. Suas principais ações no vegetal, de modo resumido, são:
•         estimular o alongamento do caule;
•         estimular o alongamento celular;
•         promover o desenvolvimento do fruto;
•         estimular a floração;
•         promover a quebra da dormência nas sementes;
•         estimular a síntese de enzimas que efetuarão a fragmentação do amido da semente, transforman­do-o em açúcares simples, que serão utilizados
pelo embrião em desenvolvimento.
 
Inibição do brotamento

Sabe-se que a aplicação de auxina nos tubérculos de batata, durante o período de estocagem, evita o brota­mento de suas gemas.

Giberelinas

As giberelinas são assim denominadas em função do fungo Gibberella fujikuroi, atualmente identificado como Fusarium heterosporum ou moniliforme, do qual foram isoladas pela primeira vez. A elas pertence o ácido gibe-rélico (GA3), fungo que ataca plantas de arroz e provoca nelas um alongamento anormal, tornando-as frágeis e quebradiças. No entanto, mais tarde, evidenciou-se que as giberelinas estão amplamente distribuídas também nas plantas superiores e ligadas a fatores de crescimento.

Citocininas

Citocininas têm esse nome porque promovem a divi­são celular (citocinese). Com aplicação simultânea de auxina, elas provocam divisões celulares em tecidos ve­getais, como tecido medular isolado do caule de tabaco. Por outro lado, numerosas substâncias de ação semelhan­tes às citocininas têm sido isoladas de tecidos vegetais, como a zeatina de grãos imaturos de milho.

Calos vegetais, oriundos de tecidos lesados de plan­tas, colocados em meio de cultura, crescem de modo desorganizado. Se o meio de cultura receber uma mistu­ra adequada de auxina e citocinina, o crescimento torna-se organizado. Esse conhecimento tem permitido que plantas inteiras sejam obtidas a partir de uma única cé­lula vegetal.

Os principais locais de produção de citocininas são as raízes e as sementes em germinação. Seu transporte no caule ocorre pelos vasos do xilema e, também, pelo floema. Nesse caso, de célula a célula de forma apoiar. Além do estímulo à divisão celular, as citocininas atuam
•         no crescimento das folhas e no retardamento da senescência (envelhecimento e degeneração) das folhas;
•         na estimulação da floração;
•         no desenvolvimento de frutos;
•         na germinação das sementes.

Ácido abscísico

O ácido abcísico (ABA) é considerado um inibidor do crescimento e do desenvolvimento vegetal. Seus efei­tos são: indução da dormência de gemas e de sementes e indução de fechamento dos estômatos. Até pouco tempo, era atribuída a ação da queda pe­riódica das folhas, abscisão foliar, a esse hormònio. Po­rém, atualmente, sabe-se que essa função é do etileno.

Etileno

O etileno é um gás, o único hormònio gasoso, e, por isso, sua via de transporte é o sistema de espaços inter-celulares. A formação permanente de pequenas quanti­dades de etileno parece ser necessária para o desenvol­vimento normal de plantas superiores. De modo seme­lhante aos demais hormônios, também mostra uma mul­tiplicidade de ações. Assim, ele influencia a germinação das sementes, o desenvolvimento de gemas, a formação de flores, o amadurecimento de frutos, a formação de raízes, a abscisão foliar e fenómenos de crescimento.

O etileno é produzido praticamente por todos os ór­gãos da planta, menos pelas sementes. Sabe-se que regiões lesadas das plantas liberam maior quantidade de etileno. Para um acelerado amadurecimento de mamões, por exemplo, podem-se fazer riscos com um objeto pontia­gudo em frutos ainda verdes e, em seguida, envolvê-los com jornal. As lesões provocadas liberam o gás eteno, que fica armazenado no jornal, provocando o amadure­cimento mais rapidamente.