Cladística


Cladística, também conhecida como sistemática filogenética, é o termo que atribui um método que busca analisar as relações evolutivas entre todos os grupos de seres vivos, além de esclarecer sua genealogia. Dentro da Biologia este é um dos muitos métodos criados para facilitar o estudo e a classificação das espécies. cladistica

Origem

A cladística foi criada por um estudioso alemão, Willi Henning, nascido em 20 de abril de 1913 na cidade de Dürrhennersdorf, na Saxônia. Em 1950 ele escreveu um livro sobre seu novo método, chamado “Grundzüge einer Theorie der Phylogenetischen Systematik”. Na época, entretanto, a Alemanha não era tão reconhecida no cenário científico, o que fez com que as ideias de Henning não ganhassem muita popularidade ou reconhecimento imediatamente.

Quinze anos depois Henning publicou uma nova versão de seu sistema, e não só em alemão, mas também traduzido para o inglês em pouco tempo: o “Phylogenetics Systematics”. Finalmente, a obra ganhou o destaque que viria a ter pelas próximas décadas, sendo utilizada como base para muitos estudiosos de ramos avançados da Biologia.

Como funciona

A cladística classifica todos os seres vivos unicamente em suas relações evolutivas. Para isso, a classificação é feita de modo hierárquico, separando as espécies em grupos ou táxons e baseando-se apenas no princípio filogenético.

Dentre os grupos que serão classificados, existem diversas espécies diferentes, que podem ser semelhantes ou se diferenciarem significativamente. Porém, cada grupo precisa ser monofilético; ou seja, cada grupo deve ter um único ancestral em comum para todos os integrantes. Todos os descendentes do grupo devem ter vindo desse ancestral, que será o mais antigo daquele grupo. É possível identificar grupos não monofiléticos, que não entrarão na classificação, mas chegaremos a isso em breve.

Dito isso, o que vai colocar as espécies em um mesmo grupo é a presença de alguns caracteres em comum. Esses caracteres podem ser primitivos (ancestrais) ou derivados (evoluídos). Os caracteres nada mais são exceto algumas características padrões que se encontram em todas as espécies do grupo, mesmo que sejam espécies antigas e fossilizadas.

• Caracteres primitivos
O que define um caractere como primitivo/ancestral é quando ele está presente em absolutamente todas as espécies daquele grupo, sejam elas plantas ou animais. Por exemplo, o caractere “quatro membros” é um fator ancestral dos mamíferos, e pode ser encontrado em proto-mamíferos ou até em répteis semelhantes a mamíferos. Entretanto, esse tipo de caractere não é de grande serventia quando estão sendo analisados os organismos (micro seres) de cada espécie. Se formos analisar o grupo dos mamíferos, por exemplo, o caractere primitivo “quatro membros” não vai adiantar na busca entre qual espécie se relaciona com qual, já que organismos não tem membros. Nesses casos, os estudiosos nomeiam esses caracteres como plesiomórficos. Se o caractere for compartilhado por todos os componentes do grupo, o nome passa a ser simplesiomórfico.

• Caracteres derivados
No caso do caractere derivado, ou seja, aquele que surge a partir da evolução, é dado o nome de apomorfia, ou autapomorfias caso esteja presente apenas no grupo que estiver sendo estudado. Por exemplo, o caractere “bípede” está presente entre os hominídeos, mas não entre todos os primatas, o que o torna uma autapomorfia. Há ainda a sinapomorfia, que une dois grupos distintos; por exemplo, o fator “perda da cauda” é uma sinapomorfia por unir os hominídeos aos grandes primatas.

Para que um grupo seja considerado monofilético, como vimos mais acima, ele deve ser composto por um complexo de sinapomorfia, ou seja, uma sequência de caracteres que engloba todos os descendentes de um ancestral em comum. Se um grupo puder ser identificado, porém, por um conjunto de caracteres plesiomórficos e apomórficos, então ele passa a ser parafilético: quando os componentes têm semelhanças com alguns dos descendentes de um ancestral comum, mas não todos. Por fim, quando os integrantes de um grupo são distintos entre si e descendem de um ancestral também distinto, é dado o título de grupo polifilético.

O monofiletismo é fundamental para que o método de Henninng tenha sucesso, no que diz respeito à identificação da afinidade evolutiva entre grupos biológicos.

A sistemática filogenética se diferencia de outras correntes de sistemáticas no ramo da Biologia justamente por utilizar apenas caracteres derivados (apomórficos) que estão presente em mais do que um grupo. Ou seja, é possível afirmar que caracteres em estados primitivos (as plesiomorfias) não podem ser usados para definir grupos, e que caracteres derivados que aparecem em um único grupo (autapomorfias) nem mesmo entram na análise.

O mais complicado na aplicação deste método é conseguir identificar se um caractere é apomórfico (portanto, utilizável) ou plesiomórfico. Para fazer isso, existem dois meios principais:

• Através da inferência direta, com dados paleontológicos que tratam diretamente sobre o estado primitivo
• Ou através do uso de um “grupo-irmão externo” (também chamado de outgroup) na análise, aplicado próximo aos grupos que já estão sendo estudados, mas ao mesmo tempo distinto deles