Comensalismo, uma relação ecológica interespecífica


Dentro das relações entre os seres vivos, existem várias formas diferentes de determinados seres se beneficiarem de outros seres, sejam estes animais ou vegetais. Trabalhando de maneira abrangente, essas relações podem ser intraespecíficas ou interespecíficas. Para cada uma delas, existem categorias diferentes que podem ser trabalhadas.

As relações específicas são aquelas que acontecem entre animais de mesma espécie. É importante lembrar que a mesma espécie não significa o mesmo tipo de animal. Ou seja, enquanto felino é um tipo de animal, o leão é uma espécie. Logo, as relações intraespecíficas são aquelas entre leões, por exemplo, e as relações interespecíficas seriam entre um leão e um jaguar, por exemplo, apesar de os dois serem da categoria dos felinos.

Pois bem, agora que separamos as duas categorias de relações dentro do universo dos seres vivos, precisamos entender que mesmo no caso de cada uma delas, existem subdivisões para separar melhor o reino animal. Dentro das relações interespecíficas, existem aquelas chamadas harmônicas e as chamadas desarmônicas. Como o próprio nome demonstra, em uma delas há um benefício não predatorial para um ou ambos os lados. Já no caso das relações desarmônicas, normalmente uma espécie é consumida pela outra, da forma mais comum que a cadeia alimentar é desenvolvida.

Comensalismo, uma relação ecológica interespecífica

E agora que fizemos essa introdução, finalmente podemos ir para o comensalismo.

O comensalismo no reino animal

Categorizada como uma relação interespecífica harmônica, o comensalismo acontece quando uma espécie sobrevive a partir da ajuda de outra espécie que é indiferente a essa ajuda, ou seja, não recebe nenhum tipo de prejuízo ou benefício nesta situação.

O próprio leão que utilizamos como exemplo anteriormente é um bom exemplo de ser vivo que proporciona relações de comensalismo. Após se alimentar com a carne de uma caça, sobram restos que ele deixa de lado, sendo que eles se tornam, então, indiferentes para sua sobrevivência. Estes restos são devorados por hienas e abutres, que se beneficiam do esforço do leão sem precisar dar nada em troca. Vale lembrar que, apesar dessa ser uma relação de comensalismo, no caso das hienas e abutres, ela teria outra relação que pode ou não ser harmônica, embora ele tenda a ser mais de disputa do que de apoio mútuo.

O comensalismo e o inquilinismo

Existem certas discussões dentro do campo da biologia sobre a separação entre o comensalismo e o inquilinismo. Para alguns, as duas relações são idênticas, sendo que, em alguns casos, é realmente difícil distinguir as diferenças entre uma e outra.

Na prática, o inquilinismo acontece quando o indivíduo realmente depende do outro para sobreviver, ou seja, ele se hospeda em outro organismo e se aproveita de seus recursos mesmo sem causar prejuízos. No caso de espécies como as epífitas, que dependem da sombra que as árvores oferecem para crescerem e se reproduzirem, é fácil identificar que esta é uma relação de inquilinismo.

Já no caso das rêmoras, que ficam nadando o tempo todo próximas à boca dos tubarões, é mais difícil de identificar se a situação é de inquilinismo ou comensalismo. Na prática, essa é considerada uma relação de comensalismo, embora muitos possam considerar que também seria de inquilinismo, já que as rêmoras ficam o tempo todo próximas ao tubarão.

Justamente para resolver estes tipos de impasses e dar um norte para solucionar essa questão, ao se questionar entre as diferenças do inquilinismo e do comensalismo, basta se perguntar: uma espécie conseguiria sobreviver sem depender da outra? Se a resposta for sim, podemos considerar esta relação como um comensalismo. Se a resposta for não, será o inquilinismo. Ou seja, apesar de ser uma forma de uma espécie mais fraca se beneficiar da mais forte, o comensalismo não é o único jeito que as espécies têm de sobreviver, enquanto no inquilinismo, sem alguma espécie mais forte, não haveria condições próprias de sobrevivência.

Outros exemplos de comensalismo

Ainda para ficar mais claro como funciona o comensalismo, podemos citar um exemplo com a própria espécie humana. Após nos alimentarmos, inevitavelmente criamos dejetos, que são direcionados para lixões. Nesses lixões, existem muitos animais como urubus, que se alimentam a partir daquilo que jogamos fora e que para nós é indiferente se estarão ali ou não.

Mas nem todas as relações de comensalismo estão ligadas à alimentação. Dentro dos mares, existe o caso do peixe palhaço, que tem cores muito vivas e, por isso, acaba atraindo muitos predadores. Para se proteger de maneira mais segura, eles acabam se escondendo dentro dos tentáculos das anêmonas do mar, que são aquelas algas gigantes.

Já para as zebras, ao fugirem da caça dos leões, se mantêm próximas às manadas de elefantes, que por seu tamanho e agressividade, acabam assustando os leões. Porém, vale lembrar que neste caso especificamente, as zebras se mantém próximas dos elefantes, mas apenas em alguns momentos, pois eles podem se tornar agressivos mesmo sem nenhuma ameaça aparente.