Cuidados paliativos


Pessoas que enfrentam um câncer necessitam de uma atenção ainda mais detalhada. Devido à intensidade da doença e de seus efeitos eclodirem em diversos aspectos da vida do paciente, a assistência aos pacientes com câncer precisa ser ampla e compreender todas as características afetadas pela descoberta da doença, especialmente quando o paciente está em fase terminal.

Cuidados paliativos

Promover e preservar a qualidade de vida para um quadro incurável depende da prestação dos cuidados paliativos. Com a ajuda de uma equipe multidisciplinar, esses cuidados vão desde a aceitação da doença e da morte como um estágio final da enfermidade até medidas para se ter uma terminalidade tranquila e sem nenhuma preocupação.

O que são os cuidados paliativos?

Esses cuidados são um pouco mais complexos do que um tratamento ou uma terapia para quem enfrenta um câncer. Diferente de casos que ainda há chances de cura, um paciente terminal já não detém de opções disponíveis para reverter a situação da doença porque ela já se agravou a tal ponto do organismo não corresponder aos tratamentos prescritos. E é aí que esses cuidados entram em vigor.

Essas medidas não visam a cura do câncer, mas sim na qualidade de vida em sua fase final. Dois enfoques são trabalhados: alívio dos sintomas ou de outras manifestações que a anomalia pode causar ao corpo e na prevenção dessas crises através de técnicas para preservar o tempo de vida até onde for possível.

Esses cuidados normalmente começam quando os pacientes já recebem o resultado de expectativa de vida de até, pelo menos, 6 meses. Métodos curativos não são abordados nessas ações, mas a equipe multidisciplinar foca em procedimentos que tratam sobre a aceitação, a tranquilidade e apoio da família e também de amigos, em tomada de decisões significativas nessa etapa e outras diretrizes que são relativamente importantes para que o paciente se sinta bem nesse período final da vida.

O único problema do paliativismo é que alguns médicos deixam que esse procedimento se inicie muito tarde. Embora o conforto precise ser maior já bem próximo do fim de expectativa de vida do paciente, os cuidados paliativos podem ser feitos já no momento do diagnóstico e prosseguindo durante o tratamento até a fase final. Qualquer tipo de apoio, seja ele clínico, espiritual, psicológico e social precisam ser abordados no processo mediante a trajetória de vida do indivíduo.

Como funcionam esses cuidados?

Embora se trate de uma enfermidade, os médicos devem participar do processo, mas não são o enfoque principal das medidas. A atenção se volta ao atendimento social e emocional do paciente e da família e por isso, a equipe se expande para outros profissionais especializados:

• Enfermeiros: são os que acompanham cada ação ou alteração que ocorre ao paciente e que tomam iniciativas imediatas antes dos médicos realizarem alguma ação maior;

• Nutricionistas: pacientes com câncer passam a desenvolver algumas intolerâncias alimentares, perdem o apetite ou desenvolvem dificuldade para se alimentar devido aos efeitos colaterais da doença. Os nutricionistas podem acompanhar perda ou ganho de peso, direcionar dietas e acompanhar outros aspectos relacionados à nutrição do corpo;

• Farmacêuticos: fazem a administração de remédios que precisam ser consumidos durante os tratamentos;

• Psicólogos: são parte importante entre o paciente e a família. Em relação ao paciente, os psicólogos ajudam a compreender que a morte é parte inclusa da vida e sua aceitação é um ponto-chave para uma partida mais acalentadora, prevenir incidências de ansiedade, depressão ou raiva. Com a família, o apoio psicológico trabalha com a perda de um ente querido, o amparo com o paciente frente a crises emocionais pela doença e outras possíveis dificuldades emocionais;

• Fisioterapeutas: um fisioterapeuta pode ser útil porque alguns tipos de câncer podem prejudicar a locomoção e a capacidade motora dos pacientes. Exercícios, alongamentos, atividades de descompressão do corpo e outras táticas são desenvolvidos por esses profissionais;

• Ministros ou evangelistas: dependendo da crença ou religião do paciente e de seus familiares, os cuidados paliativos também podem ser feitos com a ajuda de pessoas ligadas a questões espirituais relacionadas às crenças do indivíduo. A fim de garantir maior aceitação e autonomia para se ter uma fase final tranquila, essas pessoas também influenciam na melhora emocional.

Mesmo que os cuidados paliativos estejam sendo administrados, não é recomendado parar o tratamento no decorrer do processo. O ideal é que as duas medidas sejam interligadas para que o paciente perceba e se sinta mais confortável e em paz. Esses cuidados geralmente ocorrem em hospitais e grandes centros médicos, pois o contato com a equipe multidisciplinar é mais próxima. Contudo, não há restrições do paciente receber a equipe em casa, embora muitos hospitais ofereçam centros especializados em paliativismo e que retratam assuntos ainda bem mais delicados como sexualidade, ocorrência de linfedemas, infecções, entre outros.

Ou então o paciente, em consenso com a família, pode optar por um hospice que também ofereça esses cuidados de forma mais direta e eficaz.