Divisão Celular: Membrana Plasmática, Ribossomos, Retículo Endoplasmático e Citoplasma


Permeabilidade não Seletiva da Membrana Plasmática – Citoplasma

Introdução: A membrana plasmática regula a entrada e a saída de partículas presentes por meio da permeabilidade e digerindo-as no seu interior. Nosso organismo é constantemente invadido por bactérias e fungos, princi­palmente através de ferimentos na pele, muitas vezes pro­vocando infecções. Entretanto, na maioria das vezes nada nos acontece em virtude da ação de células sanguíneas especiais chamadas leucócitos ou glóbulos brancos, que fagocitam e destroem esses microorganismos.

Divisão Celular

O englobamento permite a entrada de macromolécu­las, como proteínas, polissacarídeos e ácidos nucléicos, que são desdobradas no interior da célula.
Nos processos de englobamento, sempre ocorre gasto de energia. Os tipos de englobamento mais comuns são: fagocitose, pinocitose e micropinocitose.

Fagocitose (do grego phagein: comer)

As células que realizam a fagocitose possuem deter­minados tipos de receptores proteicos na superfície da membrana plasmática, capazes de reconhecer e se ligar às partículas de interesse para as células. Quando ocor­re essa ligação, a membrana se eleva ao redor da partí­cula, envolvendo-a completamente e formando uma bolsa denominada fagossomo (do grego phagein = co­mer, soma = corpo), no interior do qual a partícula é dige­rida.

fagocitose de bactérias por leucócitos

Limpeza do organismo: como verdadeiros lixeiros, células chamadas macrófagos fagocitam restos de células mortas e outros materiais inúteis ao corpo. Regressão da parede uterina: alguns dias após o parto, o útero regride de 2 kg para aproximadamente 50 g (peso normal) por meio da ação fagocitária de cé­lulas semelhantes aos macrófagos, as quais digerem parte da parede uterina.

Pinocitose

A pinocitose é observada em muitos tipos de células. Comumente, serve para o englobamento de alimentos, como a incorporação de gotículas de lipí­dios pelas células do epitélio do intestino delgado dos mamíferos, porém, em certos casos, serve para englobar microorganismos patogênicos, como vírus.

Organoides Citoplasmáticos

Ribossomos

São pequeníssimos grânulos citoplasmáticos com a função de fabricar as proteínas necessárias ao organismo. São formados de ribonucleoproteínas (RNA ribossômico + proteínas) com aproximadamente 150 a 200 ângstrons de diâmetro, visíveis somente ao microscópio eletrônico.

Ocorrência

São encontrados em números variáveis em todos os ti­pos de células, dispersos no hialoplasma, aderidos às membranas do retículo endoplasmático e à membrana nu­clear. São observados também no interior das mitocôndrias e dos cloroplastos.

Visualização

Como possuem estrutura química ácida, os ribossomos podem ser corados por corantes básicos, por esse motivo fazem com que o citoplasma de algumas células apresente basofilia (afinidade por corante básico). Quando observados ao ME com grande aumento, veri­fica-se que são formados por duas subunidades de tama­nhos diferentes, dissociáveis (podem ser separadas).

Funcionamento

•   isolados no hialoplasma: não atuam na síntese proteica.
•   Polirribossomos ou políssemos: quando agrupados em fila indiana, passam através de uma molécula de RNAm (mensageiro) -fita em que está gravada a informa­ ção sobre a proteína a ser fabricada pelos ribossomos: quantos aminoácidos, quais e em que posições. Dessa forma, todos os ribossomos que estiverem passando pela fita de RNAm deverão seguir as mesmas instruções e pro­duzir moléculas de proteínas iguais.
•   Aderidos ao retículo endoplasmático: nesta situação, os ribossomos também conseguem ler a fita de RNAm. Entretanto, em vez de passarem pela fita, a fita é que passa através deles, para que possam fazer a leitura das informações.

Retículo Endoplasmático

É uma rede de tubos e bolsas presentes no citoplas­ma das células eucarióticas, formadas por membranas semelhantes à membrana plasmática.
O retículo endoplasmático (RE) é visível somente ao ME, sendo encontrado nas células eucarióticas tanto de animais como de vegetais, não estando presente nas bactérias e cianobactérias, ou cianofíceas (Reino Monera).

Tipos

•   Liso ou agranular – não possui ribossomos aderidos às suas superfícies.
•   Rugoso ou granular ou ergastoplasma ou substância basófila: possui ribossomos aderidos às suas superfícies. Nos neurônios, aparece em maior quantidade e forma a substância tigróide ou corpúsculos de Nissl, como será visto futuramente na Biologia E.

Funções

Rede de distribuição de substâncias: as substâncias existentes no interior do RE se deslocam sem se misturar com o hialoplasma. Como exemplo, temos a absorção de gorduras pelo REL (liso) nas células intestinais.

Produção de lipídios: é feita pelo RE liso. Assim, por exemplo, o colesterol e a lecitina – principais compo­nentes da membrana plasmática – são produzidos nessas estruturas, que também produzem os hormônios sexuais testosterona e estrógeno nas gônadas de vertebrados. Nas células do fígado, o REL absorve e destrói ou modifica substâncias tóxicas ao organismo, como medicamentos, álcool, etc. Produção de proteínas: em função da presença de ribossomos aderidos à superfície do RER (rugoso), ocorre boa parte da síntese de proteínas da célula. En­tre os vários tipos de proteínas, destacam-se as enzi­mas – devido à grande importância como biocatalisadores -, que aceleram as reações químicas nas células.

É encontrado nos eucariontes animais e vegetais, com algumas exceções, como nas hemácias dos mamíferos. Os procariontes não possuem o complexo de Golgi.

Citoplasma

No citoplasma, geralmente se encontra ao redor do núcleo, mas pode ser encontrado em outras partes. Nos vegetais, comumente são observados vários dictiossomos na mesma célula. Nas células secretoras dos ani­mais, o CG tem posição fixa entre o núcleo, que está na base da célula, e o polo secretor, que fica no ápice da célula.

Funções

•   Armazena proteínas, enzimas, lipídios e polissacarídeos, para posterior liberação.
•   Forma o glicocálix sintetizando mucopolissacarídeos.
•   Sintetiza a lamela média, produzindo pectato de cál­cio e pectato de magnésio para dar início à formação de uma nova parede celular.

Em 1898, o citologista italiano Camilo Golgi obser­vou que certas partes do citoplasma se coravam com sais de ósmio e prata, deduzindo que ali deveria existir alguma estrutura celular. Mais tarde, a microscopia eletrônica confirmou a existência dessas estruturas, reve­lando serem formadas por um conjunto de 4 a 7 bolsas achatadas, empilhadas, dilatadas nos bordos e recurva­das como uma ferradura. Cada uma dessas pilhas foi chamada de dictiossomo.

Formação da lamela média vegetal

•   Origina os lisossomos, que são vesículas repletas de enzimas digestivas hidrolisantes e que realizam a diges­tão intracelular. Até o momento, já foram identificadas mais de 50 enzimas digestivas diferentes nos lisossomos.
•   Origina o acrossomo, bolsa na cabeça do espermatozoide que contém hialuronidase, uma enzima diges­tiva capaz de fazer um orifício na membrana do óvulo para facilitar a fecundação.

Secreta enzimas digestivas pelas células do pân­creas: nas células dos acinos pancreaticos (parte exócrina do pâncreas que produz enzimas digestivas para o intestino delgado), o processo de secreção obedece à sequência:

a)    síntese de enzimas digestivas (zimogênio) no ergastoplasma;
b)    migração das vesículas do RER, contendo as enzi­mas, até o CG;
c)    armazenamento das enzimas no interior do CG;
d)    desprendimento de vesículas (bolsas) do CG, for­mando os grãos de zimogênio, que migram para o ápice da célula;
e)    eliminação das enzimas na cavidade da glândula – secreção celular;
f)    migração das enzimas através do canal da glândula até o intestino delgado, onde atuarão na digestão dos alimentos que ali chegam.

Existem células secretoras (com o formato de cálice) que produzem uma substância lubrificante chamada mucina. A mucina é formada pela união de glicídios com proteínas (glicoproteína). A síntese e secreção dessa substância é feita da seguinte maneira:

a)    síntese das proteínas no RER e simultâneo armaze­namento de glicídios no interior do CG;
b)    migração de vesículas do RER, contendo as proteí­nas, até o CG;
c)    união das proteínas com os glicídios no CG, formando a mucina (uma glicoproteína);
d)    desprendimento de vesículas do CG, formando os grãos de mucina, que migram para o ápice da célula;
e)    eliminação da mucina na superfície do epitélio intesti­nal e da traqueia – secreção celular.

Nesse caso, não ocorreu apenas o armazenamento de substâncias no CG, mas também a condensação das proteínas com glicídios para formar a mucina.
Pâncreas e suas células secretoras: os acinos pancreaticos produzindo e secretando enzimas digestivas. Secreta mucina nas células caliciformes do intes­tino e da traqueia: no epitélio intestinal e na traqueia,