Dominância incompleta e codominância


O estudo da genética permite compreender como as características de seres vivos são transmitidas através das gerações. Esta área da ciência estuda os mecanismos da hereditariedade – estrutura celular, replicação, mutação, seleção natural e a transformação das características herdadas em proteínas.

Dominância incompleta e codominância

A evolução científica possibilita, hoje em dia, o melhoramento genético de diversas espécies, preservação de espécies ameaçadas de extinção, aconselhamento genético, terapia genética, entre outras aplicações no campo da biotecnologia.
Para compreender melhor como ocorre a transmissão de características hereditárias, é preciso recapitular conceitos básicos, como genótipo e fenótipo; cromossomos, alelos, heterozigoto e homozigoto.

O termo fenótipo corresponde a características fisiológicas, morfológicas e comportamentais do indivíduo tais como tipo sanguíneo, cor da pele, formato do rosto, tipo de cabelo, entre outras. Genótipo é um termo relacionado aos genes do indivíduo, os quais não podem ser modificados. Os genes de um ser vivo são transmitidos pelos reprodutores, os quais determinam as características da prole.
O fenótipo é determinado pelo genótipo.

Por exemplo, os cabelos castanhos de uma pessoa (fenótipo) resultam dos genes transmitidos pelos pais. É possível alterar o fenótipo sem modificar o genótipo. A cor dos cabelos é um exemplo clássico. A pessoa com cabelo castanho claro pode tingi-lo de preto, porém, ao crescer, a raiz do cabelo continuará com a cor herdada dos pais, ou seja, castanho claro.

Homozigoto e heterozigoto

Outros conceitos que devem ser revistos para entender o processo de dominância incompleta e codominância são: cromossomos, alelos, heterozigoto e homozigoto. O cromossomo é uma sequência de DNA que contém os genes. Seres que se reproduzem sexualmente possuem dois conjuntos de cromossomos completos, originários do óvulo e do espermatozoide. O ser humano possui 23 pares de cromossomos, sendo 22 pares autossômicos e um par de cromossomos sexuais (identificados com as letras X e Y, sendo que XX corresponde ao sexo feminino e XY ao sexo masculino).

Os genes de cromossomos homólogos, localizados na mesma posição, são denominados por alelos. Um par de alelos define, por exemplo, a cor dos cabelos. O alelo do pai pode ser A (cabelo escuro) e o da mãe a (cabelo claro), resultando no par de alelos Aa. Ou seja, existe o alelo dominante e o alelo recessivo, identificados, nos estudos por letras maiúsculas e minúsculas, respectivamente.
Quando o par de alelos é exclusivamente dominante (AA) ou recessivo (Aa) o indivíduo é classificado como homozigoto. Se o par de alelos é diferente (Aa) o indivíduo é heterozigoto. A dominância e a recessividade genética referem-se a interação entre os alelos.

Dominância incompleta

A expressão dominância incompleta explica o processo de desenvolvimento de um fenótipo intermediário em seres vivos heterozigotos, resultante da interação dos alelos de indivíduos homozigotos. Dois exemplos clássicos de dominância incompleta referem-se a flores da planta boca de leão e as galinhas da raça andaluzia.

A planta boca de leão que produz flores vermelhas e brancas é uma planta homozigótica, cujo par de alelos poderá produzir o pigmento vermelho ou não produzir qualquer pigmentação, resultando em flores brancas. A planta heterozigótica tem apenas uma alelo funcional, o qual é incapaz de produzir a quantidade necessária para flor nascer vermelha. Com isso, a planta gera uma flor cor-de-rosa.

O cruzamento de uma galinha da raça andaluzia, com penas brancas, e outra com penas pretas, irá gerar galinhas de cor cinza-azulada. Estas galinhas heterozigóticas, cruzadas entre si, produzirão indivíduos de penas brancas, penas pretas e penas cinza-azulada. A dominância incompleta gera o fenótipo intermediário.

Codominância genética: novo fenótipo

O que representa a codominância? A codominância ocorre quando os dois alelos de indivíduos heterozigotos são ativos e formam o fenótipo, ou seja, o fenótipo não resulta de um processo de dominância ou recessividade. Os alelos do indivíduo heterozigótico são ativos e independentes. Com isso, o fenótipo do descendente possui características dos fenótipos dos reprodutores homozigotos. Não se trata de um fenótipo intermediário, mas um fenótipo com as características dos dois alelos. O descendente não possui as características dos reprodutores, mas tem um fenótipo próprio.

Um exemplo de codominância é o sistema sanguíneo ABO, formado por três alelos: IA, IB e i, que determinam os tipos de sangue A, B, AB e O. O fenótipo corresponde ao nome do grupo sanguíneo. O genótipo refere-se à interação dos alelos.
O genótipo IAIA ou IAi formam o sangue tipo A. Quem tem sangue do tipo A pode receber sangue dos tipos A e O e doar para os grupos A e AB. Sangue tipo B resulta do genótipo IBIB ou IBi. Neste caso, o indivíduo poderá receber sangue dos tipos B e O e doar para quem tem sangue B ou AB.

O sangue do tipo O é gerado pelo genótipo ii. O indivíduo só pode receber sangue do tipo O, mas doa para todos os grupos (A, B, AB e O). E o sangue AB? É formado pelo genótipo IAIB. Não existe dominância, neste caso, mas codominância, com o desenvolvimento de um fenótipo diferente, o AB. Indivíduo com este tipo sanguíneo recebe todos os tipos de sangue, porém, só poderá doar para quem possui sangue tipo AB.
Vale ressaltar que, além de analisar o sistema ABO, a classificação do tipo sanguíneo, para efeito de doação ou recepção, leva em conta também o fator Rh.

A codominância pode ser observada também em bovinos. O gado da raça shorthorn é outro exemplo de codominância genética. Do cruzamento de um animal de pelagem vermelha com outro de pelagem branca nasce um descendente com pelagem vermelha e branca. Não existe um fenótipo intermediário entre as duas cores ou a dominância de uma sobre a outra. As duas cores estão presentes nos pelos do descendente, o que caracteriza a codominância.

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