Embriologia: Gastrulação, Neurulação e Formação da Notocorda e Mesoderma


O blastocisto apresenta uma camada externa de cé­lulas – trofoblasto – e uma massa interna responsável pela formação do embrião – embrioblasto. No sétimo dia, ocorre a nidação, que consiste na implantação do blastocisto no revestimento uterino.m No estudo da Zoologia, é possível perceber a exis­tência de duas opções de gástrula: a diblástica – forma­da por ectoderma e endoderma – e a triblástica – for­mada por ectoderma, mesoderma e endoderma. A fecundação representa o encontro dos gamelas mas­culino e feminino para, na sequência, ocorrer a cariogamia, formando o zigoto.

Embriologia

Gastrulação

Terminado o processo da segmentação, tem início a gastrulação, em que há formação da cavidade gástrica e dos folhetos embrionários. A gastrulação do anfioxo ocorre por embolia. Nesse processo, as células do pólo vegetativo da blástula so­frem um achatamento e invaginam-se, reduzindo a blastocele, até alcançarem o pólo animal. Com o passar do tempo, a blastocele não é mais evidenciada e surge uma nova cavidade, o arquêntero ou intestino primitivo. O arquêntero mantém comunicação com o meio externo por meio de um orifício denominado de blastóporo.

Os animais podem ser classificados conforme a de­rivação do blastóporo: se este origina a boca, o animal é protostômio; se forma o ânus, é deuterostômio (equi-nodermos e cordados). Durante o percurso realizado na tuba uterina, ocorre a segmentação ou clivagem. A célula-ovo sofre a primeira clivagem e origina dois blastômeros. As mitoses, então, sucedem-se até se for­mar um maciço de células denominado de mórula. As células da mórula secretam um líquido que é ar­mazenado na cavidade interna do blastocisto (blástula).

Terminada a gastrulação, as células do embrião se­param-se em duas camadas básicas para formar os fo­lhetos germinativos ou embrionários. A mais externa é denominada de ectoderme e a interna, de endoderme. Quando a gástrula apresenta somente esses dois folhe­tos, é classificada como diblástica e encontrada nos cnidários.

As células do arquêntero passam a formar o revesti­mento do tubo digestório e, em alguns animais ditos tri-blásticos, as células do dorso do arquêntero (endoder­ma) começam a diferenciar-se no terceiro folheto embri­onário – mesoderme. São triblásticos os animais perten­centes aos filós Platyhelminthes, Aschelminthes, Mollus-ca, Annelida, Arthropoda, Echinodermata e Chordata. O folheto embrionário mesoderme é de grande im­portância para a complexidade corporal dos organismos. Ele forma a maioria dos tecidos e produz substâncias indutoras, para que células dos outros folhetos embrio­nários sofram diferenciação.

Neurulação

O terceiro estágio da embriologia recebe o nome de organogênese. Nele, ocorre o processo de constituição dos tecidos e órgãos a partir dos folhetos embrionários -ectoderme, mesoderme e endoderme -, que se formam durante a gastrulação. Na organogênese do protocordado anfioxo, o primeiro estágio é a neurulação e, em seguida, ocorre a forma­ção dos tecidos que compõem o organismo. A gástrula do anfioxo tem o formato semelhante ao de um balão. Em determinado momento do desenvolvi­mento embrionário, algumas células começam a entrar em processo de divisão e, quase simultaneamente, ocor­re a formação da notocorda, da mesoderme e do tubo neural.

parada do arquêntero. Ela fica posicionada entre a ecto­derme e a endoderme e, por meio de sucessivas divi­sões, os dois folhetos germinativos começam a se sepa­rar. Está formada a mesoderme, que delimita uma cavi­dade fechada, o celoma enterocélico. A mesoderme, que se classifica como parietal ou somática, ao entrar em contato com a ectoderme, forma a somatopleura. Tam­bém chamada de visceral ou esplâncnica, a mesoderme entra em contato com a endoderme, formando a esplancnopleura.

Formação do tubo neural

Conforme demonstrado por Spemann, nos experimen­tos com embriões de anfíbios, ocorre um achatamento das células da ectoderme, processo induzido pelas célu­las do teto do arquêntero. As células da placa neural sofrem uma invaginação (dobramento), formando uma depressão, e dão origem ao sulco neural, cujas bordas, chamadas de cristas neurais, aproximam-se e fecham os bordos, formando o tubo neural. Concomitantemente à formação do tubo neural, a eva-ginação central do cordomesoblasto origina a notocorda, um bastão fibroso que se dispõe paralelamente à porção dorsal do embrião.
Nos Chordata vertebrata, a notocorda vai sendo gra-dativamente substituída por células do tecido ósseo con­juntivo. A coluna vertebral vai sendo formada e o tubo neural, na sua porção posterior, é englobado para consti­tuir a medula espinhal.

Formação da notocorda e da mesoderme

As células do teto do arquêntero, ou porção dorsal, denominada de mesentoderme, iniciam o processo de diferenciação. Algumas células se diferenciam em me­soderme e um outro grupo forma a endoderme. A me­sentoderme sofre duas evaginações laterais e uma cen­tral, formando o cordomesoblasto.
As expansões laterais assumem um formato de bolsa ou de uma pequena vesícula, que apresenta uma cavida­de central. As células constituintes da bolsa continuam a se dividir até formar uma grande vesícula, que sofre um estrangulamento no ponto de contato ou no ponto de partida. Terminada a mesoderme da notocorda e do tubo neu-ral, ocorre o processo de formação dos outros tecidos e órgãos.