Etapas, Formas e Características da Polinização e Fecundação


Polinização e Fecundação

Antes de estudarmos o processo de polinização, iremos observar a for­mação dos óvulos e os tipos de óvulos. Com base nesses conhecimentos, poderemos compreender como ocorre a polinização e, consequentemente, a fecundação.

Formação do Óvulo

Características da Polinização e Fecundação

O óvulo é a parte fértil do gineceu. No interior do óvulo se desenvolvem os gametas femininos, os quais posteriormente fecundados formarão a semente. O óvulo se forma no interior do ovário, por meio das seguintes etapas:
1.     Inicialmente, dentro do ovário forma-se um pequeno aglomerado de célu­las, no qual se encontra a célula-mãe do saco embrionário.
2.     A célula-mãe (2n) sofre meiose e origina quatro novas células haplóides (n), chamadas megásporos.
3.     Três desses megásporos se degeneram e desaparecem, restando apenas uma única célula.
4.     Por mitose, o megásporo origina oito núcleos: uma oosfera, duas sinérgides, três antípodas e dois núcleos polares. Esses oito núcleos fazem
parte do saco embrionário do óvulo.
5.     Ao redor do saco embrionário, formam-se camadas de proteção e nutrição do óvulo (primina e secundina).

Saco embrionário: Formado por sete células: uma oosfera, três antípodas, uma célula grande (mesocisto) com dois núcleos polares e outras duas.
Funículo: pedúnculo que liga o óvulo à placenta. Hilo: porção terminal do funículo. Chalaza: região basal da nucela, de onde se diferenciam a primina e a secundina.
Micrópila: pequena abertura do óvu­lo deixada pela primina e secundina.
O óvulo é formado pelas seguintes partes: Tegumento: duplo, formado por duas camadas protetoras: primina (exter­na) e secundina (interna). Nucela: tecido nutritivo que envolve o saco embrionário.

Tipos

A classificação dos óvulos ba­seia-se nas posições da micrópila e do hilo. São três tipos:
Ortótropo ou átropo: a micrópi­la, o hilo e a placenta estão em uma mesma linha reta. Ocorre em gimnospernas.
Anátropo: a micrópila fica virada paVa baixo. Ocorre em angiospermas.
Campilótropo ou curvo: óvulo retorcido. Ocorre em angiospermas da família Cruciferae, como a alface.

Heterostilia

Dicogamia: é a diferença da época de maturação entre androceu e gineceu. Chama-se protandria quando o androceu amadurece an­tes e protoginia ou metandria quando o gineceu amadurece antes.

Polinização cruzada ou indireta

É a polinização entre flores dife­rentes, sendo mais vantajosa sob o ponto de vista evolutivo, devido à variabilidade genética. Nesse processo, intervêm agentes polinizadores, que determinam o tipo de polinização cruzada.

Os vegetais, ao contrário da mai­oria dos animais, não conseguem ir em busca de alimentos, abrigo ou parceiros para a reprodução. Para se reproduzirem, tiveram de desen­volver meios específicos, para que a polinização se concretizasse. Os ve­getais fanerógamos (com flores) desenvolveram esses meios, apre­sentando vantagens sobre os vege­tais que não apresentam flores.

A polinização é o transporte do grão-de-pólen da antera ao estigma do carpelo e pode ser de dois tipos:
1. Autopolinização ou direta – o grão-de-pólen poliniza o estigma da mesma flor. A autopolinização diminui as pos­sibilidades de recombinação ge­nética, por esse motivo existem mecanismos que a impedem. São: Heterostilia: as anteras se loca­lizam em um nível inferior ao estig­ma.

Dicogamia/Dioicia: os indivíduos são dióicos, portanto suas flores apresen­tam apenas um sexo (díclinas).
Djoicia/Hercogamia: a própria flor apre­senta uma barreira natural, como uma pétala ou sépala, que impede a auto-polinizacão.

E a polinização realizada pelo vento, comum entre as gramíneas (angiospermas) e gimnospermas. As flores polinizadas pelo vento são pouco vistosas, geralmente aperiantadas, ou seja, sem perianto (cálice e corola), relativamente inodoras, sem néctar, geralmente são de sexos sepa­rados. Normalmente, possuem estames bem expostos, para que o pólen possa ser apanhado pelo vento. Apre­sentam o estigma bastante grande e produzem um grande número de grãos-de-pólen.

A polinização por meio do vento é, no entanto, um pouco ineficiente, sendo eficaz apenas em situações em que um grande número de indivíduos crescem próximos uns dos outros. É o tipo de polinização realizada pelas aves, principal­mente pelos pássaros. As flores apresentam um perianto bastante vistoso, principalmente vermelho, cor que os inse-tos não percebem com facilidade. Na Europa, por exemplo, onde não há pássaros polinizadores, não há também flores nativas dessa cor. As flores ainda são geralmente inodo­ras, pois o olfato das aves é pouco desenvolvido.

Apresentam nectários e o número de grãos-de-pólen é bem menor do que nas flores anemófilas. Alguns exemplos de flores polinizadas pelas aves: brinco-de-pnncesa, eucalipto, hibisco, cactáceas, algumas orquí­deas, entre outras. É a polinização realizada por morcegos. As flores são grandes, fortes, possuem quantidade abundante de néctar e o perianto não é vistoso, pois esses animais ten­dem a se alimentar à noite. O aroma das flores é o princi­pal fator de atração.

Polinização ornitófila

Entmêla

Polinização feita por insetos, principalmente abelhas, borboletas e mariposas. As flores também apresentam um perianto vistoso, porém menos que o das plantas poli­nizadas pelos pássaros. No caso dos insetos, geralmente o perianto é de cor azul ou amarela, pois os insetos reco­nhecem bem essas cores. O perfume dessas flores é bas­tante forte, pois o olfato dos insetos é muito apurado, sendo portanto mais importante do que a coloração das flores. Alguns insetos ainda preferem flores brancas, mas que também tenham um odor bem intenso.

Após a polinização, inicia-se o processo de fecunda­ção. Veja, a seguir, a descrição deste processo.
1.        O grão-de-pólen, aderido ao estigma, germina e o seu conteúdo (intina, cito­plasma e os dois núcleos) sai pelos poros da exina, formando o tubo polínico ou gametófito masculino.
2.   O crescimento do tubo polínico em direção ao óvulo é estimulado pelas se­creções químicas produzidas pelo próprio óvulo. O tubo penetra pela micrópila e atinge o saco embrionário.
3.   Inicia-se a descida dos dois núcleos do grão-de-pólen. O núcleo vegetativo, responsável por orientar o cres­cimento do tubo polínico, é o primeiro a descer por ele e logo se degenera. Em seguida, o núcleo generativo desce para atingir o óvulo.
4.   O núcleo generativo, por meio de uma mitose, divide-se em dois nucleogametas  (núcleos  espermáticos), prontos para fecundar o óvulo.
5.   Inicia-se a dupla fecundação, na qual um dos núcleos espermáticos (n) fecunda a oosfera (n), originan­do o zigoto (2n), e o outro fecunda
os dois núcleos polares (n), for­mando uma célula triplóide (3n), que em alguns vegetais originará o albúmen ou endosperma, res­ponsável por nutrir o zigoto.

Após todo esse procedimento, a flor geralmente perde as pétalas, sépalas, estames e carpelos. O óvulo, já fecundado, irá originar a semente, e o ovário desenvolvido formará o fruto.