Filo Nematoda: Características, Divisão Corporal, Reprodução e Ciclo de Vida


Os nematodas são considerados por muitos autores como o grupo mais rico em espécies e mais abundantes na face da Terra. Estima-se que deva existir mais de um milhão de espécies de nematóides, das quais 1% estão descritas. Os nematodas são encontrados como parasitas no interior de plantas e animais vertebrados e invertebrados e de vida livre em ambientes de água doce e marinha.

Filo Nematoda

Os Nematoda (nema = fio), como o próprio nome diz, possuem corpo alongado, cilíndrico e fino, com as extremidades afiladas. Na extremidade anterior localiza-se a boca, geralmente circundada por lábios ou papilas sensoriais. Próximo à extremidade posterior, abre-se o ânus. Esses animais possuem, então, sistema digestivo completo, com boca e ânus, ao contrário dos cnidários e platelmintos.

O corpo dos nematodas é revestido por uma cutícula espessa e de estrutura complexa, formada por colágeno. Aparentemente, uma das principais características que permitiu às espécies do grupo dispensar e colonizar ambientes tão diversos foi a presença da cutícula não celular, secretada pela epiderme, também conhecida compo hipoderme. Essa cutícula apresenta uma excelente defesa contra a dessecação e as variações do ambiente externo, como o caso do suco gástrico de hospedeiros.

Outra peculiaridade dos nematodas é que eles não possuem células ciliadas nem flageladas, como ocorre em outros grupos animais. Até seus espermatozóides não possuem flagelos, deslocando-se por movimento amebóide. A monofilia dos nematodas é sustentada pelo compartilhamento de estruturas sensoriais características como, anfídios e fasmídios, espículas copulatórias e poro excretor ventral.

Os nematodas tem sexos separados, os machos são menores do que as fêmeas e possuem a porção posterior do corpo em forma de gancho. O sistema reprodutor masculino forma dutos que desembocam em uma região onde também termina o tubo digestivo. Essa região é denominada cloaca, que se abre para fora do corpo através do orifício cloacal. Nos machos, portanto, fala-se em cloaca, e não em ânus. Nessa região terminal do sistema reprodutor masculino, eles apresentam um par de estruturas rígidas, denominadas espículas, com função de unir o macho à fêmea no momento da cópula. Nas fêmeas existe um ânus na porção terminal, e a abertura genital localiza-se na linha mediana ventral, geralmente na porção média-anterior do corpo.

A fecundação é interna, e os ovos formados são armazenados no útero das fêmeas até o momento da postura. Completado o desenvolvimento no interior do ovo, o jovem eclode e é chamado larva, embora tenha quase todas as estruturas do adulto, exceto pela ausência de sistema reprodutor. O crescimento das larvas é acompanhado por mudas da cutícula: a cutícula antiga se separa da epiderme e uma nova se forma. Os adultos não apresentam mudas, embora possam aumentar de tamanho. Os nematódeos não possuem sangue, nem sistema circulatório.

Os nematodas apresentam pseudoceloma, que é um espaço que se apresenta parcialmente tomado por um complexo de membranas sem uma organização bem definida. Essas membranas suportam os órgãos reprodutores e o sistema digestório. Na condição de pseudoceloma, não são observadas membranas delimitadoras desse espaço, como ocorre em celomas verdadeiros.

Ciclo de Vida do Ascaris lumbrícoides

O Ascaris lumbricoides, cujo nome popular é lombriga, é um nematódeo parasita do intestino humano, que provoca a doença denominada ascaridíase.
O ciclo de vida da lombriga completa-se em apenas um hospedeiro, o homem, fato do qual deriva sua classificação como parasita monoxeno. Quando um parasita tem, em seu ciclo de vida , mais de um hospedeiro, ele é classificado como heteroxeno.

O homem adquire a ascaridíase ao ingerir ovos de lombriga em verduras mal-lavadas e água contaminada. Ao atingirem o intestino, esses ovos liberam uma larva, que perfura a parede intestinal e atinge a circulação sanguínea. Através da circulação, as larvas atingem o fígado, o coração e os pulmões. Nos pulmões, podem perfurar a parede dos alvéolos e subir pelos brônquios até atingir a faringe. São novamente deglutidas e, ao atingirem o intestino, dão origem ao verme adulto, que chega a ter cerca de 30 centímetros de comprimento.

Texto Complementar Divisão do Filo Asquelmintes

O grande Filo conhecido como Asquelmintes foi separado em oito filós, sendo eles Filo Nematoda, Rotifera, Acanthocephala, Nematomorfa, Gastrotricha,
Kinorhyncha, Loricifera, Tardigrada. Antigamente estes filos eram tratados como classes dentro dos asquelmintes, porém hoje ainda é utilizado de modo informal o nome asquelminte para se referir a estes organismos. Os asquelmintos são um grupo bem diverso compreendendo animais marinhos, água doce, terrestres, além de grupos de parasites. Nos asquelmintos é ausente um celoma bem desenvolvido, são animais de simetria bilateral, triploblásticos.

Uma breve descrição de alguns Asquelmintos

Filo Rotifera

Os rotíferos são organismos que fazem parte do plâncton e habitam a coluna d’água de ambientes de água doce, embora existam representantes marinhos e associados a vegetação aquática. São organismos oportunistas e muito importantes para a ciclagem dos nutrientes. O nome do filo deriva de uma estrutura geralmente presente na região anterior do corpo chamado de faixa circunapical, a movimentação dos cílios desta faixa foi uma sugestão aos descobridores destes animais que anteriormente já foi chamado de filo Rotatória. O sucesso destes organismos ainda está associado ao seu tipo de reprodução que pode ser dióica ou ainda partenogenética. Os organismos dióicos se reproduzem por cópula, enquanto as fêmeas partenogeneticas podem produzir tanto ovos que darão origem a fêmeas quanto a machos.

Filo Acanthocephala

Os acantocéfalos são organismos vermiformes alongados todos endoparasitas. São organismos que precisam de dois hospedeiros para completar seu ciclo de vida, as formas jovens vivem dentro de crustáceos e insetos, e quando adultos vivem no trato digestivo de vertebrados, principalmente peixes. Estes parasites recebem este nome por apresentarem uma probóscide espinhosa utilizada para se fixarem na parede do trato digestivo. São dióicos, com dimorfismo sexual, macho são menores e possuem uma bursa copulatória na região posterior. A larva destes parasites são chamadas de acantor, e passam por outros dois estágios a larva quando já está no hospedeiro intermediário se transforma em acantela e posteriormente se encista e é chamado de cistacanto. È um grupo de parasitos que quando presente em grandes quantidades podem causar lesões significativas no trato digestório de seus hospedeiros.