Filo Platelmintos: Características, Classes Tubelária, Trematoda e Schistosoma mansoni


O Filo Platyhelminthes é considerado um grupo chave na compreensão da transição dos metazoários radiais para os bilaterais, com um papel importante nas teorias evolutivas. O grupo tem como característica o achatamento dorsoventral, simetria bilateral e cefalização. Outras características como: cílios sem centríolos acessórios, células epidérmicas e gastrodérmicas multiciliadas e protonefrídios com 8 a 16 microvilosidades nas células terminais e dois cílios são consideradas sinapomorfias (características derivadas compartilhadas com outros táxons) do grupo. Os Platyhelminthes são representados atualmente por 45 mil espécies de animais terrestres, de água doce ou marinhos, de vida livre ou simbiontes. O grupo foi recentemente dividido em quatro classes: Turbellaria, Trematoda, Cestoda e Monogenoidea.

Filo Platelmintos

Todavia, a substituição da mesogléia gelatinosa por um parênquima mesodérmico celular forneceu a base para um organização mais complexa.
O sistema nervoso dos platelmintes é ganglionar, indicando tendência á cefalização do sistema nervoso, que atinge o máximo no homem.
O processo de cefalização começa a ocorrer nos bilatérias, e os platelmintos são o primeiro grupo de animais a apresentar simetria bilateral. Os bilatérias possuem uma região anterior do corpo, que é a primeira a entrar em contato com estímulos do meio, ao contrário do que ocorre com os radiados. O corpo dos bilatérias apresenta uma região anterior e uma posterior, e uma superfície dorsal e outra ventral, o que não acontece com o dos radiados.

Turbelária

O nome turbelária se justifica pelo “turbilhão” que o movimento do epitélio ciliado das planarias provoca na água, quando elas nadam. A Classe Trematoda (trematódeos) é formada por animais de hábitos parasitários endoparasitas ou ectoparasitas. Entre os endoparasitas, duas espécies devem ser mencionadas: a Fasciola hepática e o Schistosoma mansoni.

Esses parasitas apresentam duas ventosas: uma ao redor da boca e outra na região ventral, que servem para fixação no animal parasitado. Nas Clases Trematoda e Cestoda, os animais adultos não apresentam cílios. Estes aparecem apenas na fase larval. Tanto os Trematoda como os Cestoda apresentam, revestindo o corpo, uma cutícula de proteção muito resistente.

O Schistosoma mansoni provoca no homem a esquistossomose ou barriga d’água (ascite) muito comum no Brasil. Esse trematódeo parasita as veias do intestino, afetando o fígado e as veias urinárias. No ciclo do Schistosoma existem dois hospedeiros: o homem, onde se desenvolvem as formas adultas, e os caramujos planorbídeos aquáticos, onde os miracídios (larvas ciliadas) evoluem a outras formas larvais, chamadas cercarias, as quais penetram ativamente pela pele de pessoas que tenham contato com a água contaminada.

Schistosoma mansoni é dióico. O macho tem o corpo curto, com uma canal que abriga a fêmea, mais esguia e longa, na época do acasalamento. Os vermes adultos vivem e se acasalam nas veias do fígado do hospedeiro. Após o acasalamento, os ovos são liberados; dotados de um espinho, esses ovos são capazes de chegar ao intestino, perfurando-o; a seguir vão para a luz intestinal, de onde são eliminados com as fezes. Se os ovos caem na água, o miracídio é liberado e penetra no caramujo do género Biomphalaria, que é, em geral, o hospedeiro intermediário. No caramujo os miracídios sofrem transformações, resultando em cercarias com cauda bifurcada, que abandonam o caramujo e nadam na água do rio ou lago onde vivem os caramujos. Se alguém se banhar nesse lago ou beber sua água, as cercarias penetrarão ativamente pela pele, produzindo uma coceira característica. Após a penetração, as larvas caem na corrente sanguínea e chegam às veias do fígado, onde crescem e transformam-se em vermes adultos.

A esquistossomose, doença provocada pela infestação por Schistosoma, causa, no homem, complicações intestinais, crises hemorrágicas, destruição de células hepáticas e disfunção do fígado, que muitas vezes fica com seu volume muito aumentado. Para o combate ao verme, o ciclo vital precisaria ser interrompido em algum ponto.

Acima, ciclo do verme trematódeo Schistosoma mansoni. Abaixo, algumas maneiras de prevenir a esquistossomose. Devido à presença do sistema reprodutor feminino e masculino no mesmo indivíduo, a Fasciola hepática é hermafrodita; a espécie Schistosoma mansoni, entretanto, apresenta sexos separados, sendo, portanto, dióica.