Importância do Solo para as Plantas e Caminho das Seivas no Vegetal


O solo é a principal fonte de água e sais minerais para a maioria das plantas, sendo ainda o substrato para o crescimento de seus extensos sistemas de raízes, garantindo-lhes a fixação. Ele é um complexo conjunto físico-químico, composto de partículas minerais que se originaram da decomposição de rochas. A essas partículas estão associados microrganismos, vivos e mortos, havendo ainda uma ampla rede de canalículos e câmaras, ocupados por água e ar.

Importância do Solo

O solo é portanto um sistema no qual as partículas minerais e orgânicas guardam estreita relação de interdependência com a comunidade de bactérias, algas, fungos, liquens, protozoários, vermes, insetos e raízes. Aí são trocadas substâncias entre esses componentes, efetivando-se a reciclagem de matéria orgânica e inorgânica. Por isso, a utilização do solo e os cuidados com sua preservação devem sempre levar em conta seus aspectos físico-químicos, especialmente a textura ou granulação, a composição química, o pH e a compactação.

A água se encontra no solo como uma fina película ao redor das partículas sólidas, sendo chamada água de adsorção (não confundir com absorção). Ela ocupa ainda os pequenos espaços entre as partículas, constituindo a água capilar. Quando todos esses espaços estão ocupados pela água, fala-se que o solo está saturado. Nessas condições, todo líquido que nele penetrar tende a escoar, circulando rapidamente por causa da ação da gravidade. Trata-se da água gravitacional, que penetra mais profundamente no solo, mantendo o lençol freático.

A excessiva circulação (percolação) da água gravitacional é denominada lavagem ou lixiviação. Quando é intensa e contínua, pode ser muito prejudicial às plantas, pois são arrastados íons Ca++, K+ e Mg++, em solução, substituídos por H+. O solo fica então ácido, devendo seu pH ser corrigido pela adição de calcários, a chamada calagem. A lixiviação intensa provoca ainda alta concentração de alguns óxidos de ferro e alumínio em camadas superficiais, que se tornam compactas, impermeáveis, formando o laterito, um solo estéril.

Diferentes solos têm diferente capacidade de retenção de água capilar, em função de sua textura, isto é, do tamanho de suas partículas. Nos solos arenosos, de partículas grandes, existe menor superfície interna entre as partículas do que naqueles de partículas pequenas, como os argilosos. Consequentemente, estes últimos têm maior capacidade de retenção de água.

Feita a absorção pela epiderme da raiz, as soluções com os solutos minerais podem seguir dois caminhos até o lenho:
a)      Através de espaços intercelulares (meatos), as soluções atingem as células de passagem da endoderme e, daí, o lenho (apoplasto).
b)      Passando de célula a célula, através de suas paredes, até atingir o lenho. Esse percurso é mais demorado, dependendo de osmose e transporte ativo (simplasto).

Esses dois caminhos, A e B, correspondem ao chamado transporte horizontal e, uma vez atingido o lenho, inicia-se o deslocamento vertical da solução absorvida. A concentração de sais no solo, o oxigénio, o gás carbónico e a temperatura são alguns dos fatores que influem na absorção. Sabemos, por exemplo, que as plantas não absorvem água muito fria. Solos com temperaturas entre 2 e 4°C, mesmo saturados de água, causam a chamada seca fisiológica. Não se trata de uma seca física, pois existe água, a qual, no entanto, a planta não consegue absorver.

O Caminho Das Seivas

Os nutrientes minerais presentes no solo são absorvidos pelas plantas em solução aquosa, por meio de pêlos absorventes. Trata-se das longas expansões filamentares das próprias células epidérmicas da raiz, na zona pilífera. São portanto unicelulares e estendem-se em grande área de solo junto à planta, infiltrando-se nos espaços microscópicos entre as partículas.

Os feixes vasculares são constituídos de vasos lenhosos e liberianos. Os vasos lenhosos transportam a solução mineral absorvida do solo, e que, na planta, constitui a seiva xilemática, normalmente ascendente. Os vasos liberianos transportam uma solução orgânica, a seiva floemática, contendo especialmente os produtos da fotossíntese e cio metabolismo da planta. É uma seiva normalmente descendente.

A demonstração experimental mais simples do caminho por onde circulam as seivas é a retirada de um anel cortical (externo) do caule de uma planta lenhosa, dicotiledônea. Esse anel de Malpighi removido apresenta uma camada suberificada, parênquima e vasos liberianos. Depois de algumas semanas, a seiva elaborada que desce pelo líber (periférico), não podendo mais passar para as raízes, acumula-se parcialmente no bordo superior do corte em cicatrização, tornando-o mais grosso. A seiva bruta continua subindo normalmente pela região central do caule (lenho). Se o anel de Malpighi for feito no caule principal, as raízes morrem por falta de alimentos orgânicos e, em seguida, morre a planta toda.