Plasmódios, Esquistossomose e Teníase: Ciclo de Vida, Transmissão e Causadores


Ciclo vital do Plasmódio

O ciclo vital do plamódio ocorre pela picada do mosquito, que injeta uma secreção anticoagulante, veí­culo para os esporozoítos atingirem a corrente sanguí­nea. Pela circulação chegam ao fígado e se instalam den­tro das células hepáticas, adquirindo a forma arredonda­da, denominada de merozoíto. Os merozoítos abando­nam o fígado e invadem as hemácias, células vermelhas do sangue, onde se reproduzem assexuadamente (esporulação), originando de 6 a 36 merozoítos. As hemácias infestadas arrebentam e liberam merozoítos e substânci­as tóxicas na corrente sanguínea, o que provoca os picos febris (de 39°C ou 40°C), seguidos de intenso calafrio e mal-estar geral. Algumas células sanguíneas não são des­truídas e guardam no seu interior formas denominadas de gametócitos. Ao picar um indivíduo contaminado, o mosquito Anopheles ingere os gametócitos, que atingem o estômago, transformando-se em gametas masculinos e femininos, realizando a fertilização e formação de um zigoto. O zigoto penetra na parede do estômago, sofre meiose e, em seguida, forma-se um oocisto que, por di­visão múltipla, origina, em seu interior, dezenas de es­porozoítos, que migram para as glândulas salivares do mosquito, de onde podem ser transmitidos a pessoas sa­dias, fechando o ciclo.

Plasmódios, Esquistossomose e Teníase

Esquistossomose

A esquistossomose, denominada também de bilharzio-se, é produzida por trematódeos do gênero Schistosoma que, para o homem, têm como principal agente etiológico a espécie Schistosoma mansoni. A esquistossomose ocorre na África, em áreas da Bacia do Mediterrâneo, no Próximo e Médio Oriente e no Pacífico Ocidental.

No Brasil, a doença é conhecida popularmente por xistossomose, xistosa ou doença dos caramujos. Tam­bém é conhecida como barriga d’água, em função da ascite (acumulo anormal de líquido no abdome) que acompanha as formas mais graves. O número de pessoas infectadas com esquistossomos em todo o mundo foi esti­mado em aproximadamente duzentos milhões de pessoas.

Causador

Schistosoma mansoni, platelminto digenético, que apresenta o corpo delgado e longo, de cor branca. Os machos medem cerca de l centímetro de comprimento por 0,11 centímetro de largura e têm aspecto foliáceo, revestidos externamente por uma cutícula resistente e espinhosa. A fêmea é tubular e, quando em cópula, ela fica abrigada em um canal ginecóforo, produzido pelo macho num verdadeiro “abraço protetor”.

Ciclo quartão, produzido pelo Plasmodium malariae, com acessos espaçados de 72 horas. Os picos febris correspondem à destruição das hemácias e liberação de merozoítos e substâncias tóxicas na corrente sanguínea.

Transmissão

A transmissão se dá por meio da penetração ativa das larvas – cercarias – na pele ou nas mucosas. O ho­mem comporta-se como hospedeiro definitivo no ciclo vital, pois nele os vermes adultos, macho e fêmea, habi­tam o sistema porta-hepático – vasos sanguíneos que fa­zem a comunicação entre o intestino e o fígado – onde se reproduzem. O hospedeiro intermediário é o caramu­jo de água doce, da família Planorbidae, de concha espiralada e plana, como os do gênero Biomphalaria, co­muns no Brasil.

Ciclo vital de  Schistosoma mansoni

O verme desenvolve sua fase adulta na luz dos va­sos sanguíneos do sistema portahepático do homem. As fêmeas chegam às paredes do intestino nadando contra o fluxo sanguíneo e ali põem seus ovos, que atravessam a mucosa intestinal e caem na luz do intestino, sendo eli­minados com as fezes do doente. Os ovos chegam às águas superficiais de lagoas e libertam uma larva ciliada, denominada de miracídio. O miracídio nada ativamente até encontrar de caramujo transmissor, penetra em seus tecidos e transforma-se em esporocisto. Os esporocistos sofrem poliembrionia e geram esporocistos-filhos e depois cercarias. Várias gerações de esporocistos po­dem suceder-se, todas elas produzindo durante algum tempo suas cercarias.

Teníase

As teníases são causadas por vermes da classe Cestoda (do grego kestos – cinto – e eidos, forma). Essa classe compreende animais de corpo geralmente em for­ma de fita, segmentado e provido anteriormente de um órgão de fixação (escólex), com estruturas adesivas de vários tipos. São todos parasitas obrigatórios e, como tal, exibem os traços marcantes de uma adaptação à vida pa­rasitária: ausência de tubo digestório e desenvolvimento extraordinário do aparelho reprodutor. São hermafrodi­tas e suas larvas apresentam seis acúleos (hexacantos).

De volta ao meio líquido, as cercarias que abando­naram o caramujo ficam nadando, quase sempre em di-reção à superfície, em busca da oportunidade de pene­trar ativamente na pele do homem (ou de outro animal suscetível). Os agora esquistossômulos, que não são destruídos na pele, chegam à circulação geral e vão ter ao coração, depois aos pulmões (onde também podem ser retidos e destruídos) e, em seguida, ao fígado. No sistema porta-hepático, os esquistossômulos desenvol­vem-se e tornam-se adultos. Macho e fêmea acasalam-se e migram para as vênulas da parede intestinal, fechando o ciclo.

O escólex (cabeça) da Taenia solium, apresenta ventosas e uma co­roa de espinhos denominada rostro; na Taenia saginata só estão pre­sentes as ventosas. A partir do escólex são produzidos os anéis ou proglotes, verdadeiras estruturas hermafroditas que, quando madu­ras e cheias de ovos, são eliminados do corpo.

Causadores

Há duas espécies de interesse médico que causam a teníase no homem, a Taenia solium e a Taenia saginata, cujos hospedeiros intermediários são o porco e o boi, respectivamente. Na teníase, o hospedeiro definitivo é o homem.

Transmissão

A transmissão se dá pela ingestão de carne de porco ou de boi contaminada com as larvas vivas das tênias, denomi­nadas de cisticercos. Quando isso ocorre, normalmente a carne está crua ou malcozida.

Ciclo da Taenia solium

O indivíduo adquire a verminose ao ingerir carne malcozida contaminada com as larvas cisticercos vivas. No intes­tino, o cisticerco everte o escólex que se fixa na mucosa intestinal, originando uma tênia. A tênia é também conhecida como solitária, pois geralmente apenas uma se instala no hospedeiro. Hermafrodita, os seus espermatozóides fecundam os próprios óvulos e suas proglotes maduras podem conter até 60 000 deles. As proglotes repletas de ovos são elimina­das com as fezes do doente.

Os ovos da Taenia so­lium contêm um embrião denominado de hexacanto ou de oncosfera. Ao serem ingeridos pelo porco, eclo­dem por ação dos sucos di­gestivos e da bile, libertan­do o embrião que penetra na mucosa intestinal, ganhando a circulação sanguínea. As oncosferas instalam-se pre­ferencialmente nos múscu­los esqueléticos e cardíacos, onde perdem os acúleos e sofrem um processo de ve-siculização. Da parede da vesícula formada cresce in­ternamente o escólex inva-ginado da futura tênia adul­ta: está formada a larva cis­ticerco.